Península Ibérica é das regiões europeias mais afetadas pela mudança climática

Impactos negativos vão da agricultura à saúde, escassez de água ou perda de biodiversidade

Fenómenos climáticos extremos, como chuvas intensas que causam inundações, ou ondas calor mortíferas e ondulações fortes, que levam o mar costa adentro, a destruir restaurantes e bares junto à costa, já se tornaram acontecimentos familiares por cá. Estas já são manifestações de um clima alterado, cuja tendência é para ficar pior. A Península Ibérica, como mostram todos os cenários climáticos traçados pelos cientistas, será uma das regiões europeias mais afetadas pelas mudanças climáticas.

Nesta região, e em toda a faixa mediterrânica, acontecerá um pouco de tudo. O aumento médio da temperatura esperado será superior ao das restantes regiões europeias, podendo chegar a mais seis graus, e a precipitação também vai diminuir em média, embora as chuvas rápidas, intensas e destruidoras tendam a aumentar. Em consequência disto, o caudal dos rios diminuíra, sobretudo no verão, e as consequências suceder-se-ão em cascata: perda de biodiversidade, maior risco de desertificação, escassez de água e respetivas consequências na agricultura e energia, com menor produtividade e menor capacidade na produção hidroelétrica, maior risco de fogos florestais e ainda a chegada de novos e indesejáveis mosquitos transmissores de doenças próprias de climas mais quentes - só para o turismo de inverno pode haver benefícios.

É o maior rol de consequências negativas das alterações climáticas para uma região europeia, e consta do relatório "Alterações Climáticas, Impactos e Vulnerabilidades na Europa", publicado em 2012 pela Agência Europeia do Ambiente. Para tornar o panorama mais sombrio, Portugal está ali também como um dos países com maior vulnerabilidade às alterações climáticas.

"O principal problema é que não estamos preparados", confirma o professor e investigador da Universidade Nova de Lisboa, Francisco Ferreira, notando, no entanto, que "começa agora a haver uma avaliação dessas vulnerabilidades, presentes e futuras, à escala local".

Esses estudos, liderados por Filipe Duarte Santos no âmbito do projeto ClimaAdapt.Local, iniciado em janeiro, abrangem 26 municípios e "constituem um exemplo de um esforço de adaptação às alterações climáticas a nível dos municípios", que já está a acontecer, sublinha por seu turno o líder do projeto. A ideia é identificar as fragilidades em cada município e traçar estratégias para as ultrapassar. Mas, a nível nacional, também vai ser preciso "tomar decisões e mobilizar investimento para lidar desde já com um ordenamento do território que, infelizmente, tende a ampliar os efeitos atuais e futuros das alterações climáticas", alerta Francisco Ferreira.

Últimas notícias

Conteúdo Patrocinado

Mais popular

  • no dn.pt
  • Sociedade
Pub
Pub