Páscoa. Turistas invadem Lisboa e deixam hotéis quase esgotados

Unidades hoteleiras de Lisboa esperam melhores performances do que no ano passado. Há uma quebra nos turistas brasileiros que visitam a capital, mas mantém-se o interesse de espanhóis, franceses, ingleses e americanos

Espanhóis, franceses, ingleses, alemães, americanos. Vão ser milhares os turistas que nos próximos dias vão encher os hotéis e o alojamento local da cidade de Lisboa. As unidades hoteleiras esperam taxas de ocupação superiores às do ano passado e, em alguns casos, contam mesmo ficar lotadas. Este crescimento, que chega aos 30% em alguns hotéis, é resultado da subida gradual do turismo em Lisboa e também uma consequência da instabilidade que se vive em zonas que tradicionalmente eram mais procuradas para as férias da Páscoa.

Nos cinco hotéis do grupo Vila Galé na região de Lisboa (Junqueira, Paço de Arcos, Estoril, Cascais e Ericeira), as perspetivas são bastante positivas. "No período da Páscoa, sobretudo entre sexta-feira e domingo, estas unidades estarão praticamente esgotadas. Em particular os hotéis da Ericeira, Cascais e Estoril estão já com uma taxa de ocupação acima dos 90%", adianta Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador do grupo. "Na generalidade dos hotéis Vila Galé em Lisboa, as taxas de ocupação são superiores às registadas no ano passado, numa variação positiva de quase 10%." No total, falamos de 896 quartos, que têm, em média, capacidade para duas pessoas.

No Grupo Tivoli confirma-se a tendência de crescimento. "A perspetiva para a Páscoa nos nossos hotéis de Lisboa (Tivoli Lisboa, Tivoli Jardim e Tivoli Oriente) é bastante boa. Neste momento as reservas estão entre os 10% e os 30% acima de igual período do ano passado", diz Rui de Sousa, diretor regional de operações Lisboa, Sintra e Coimbra. Embora a Páscoa seja mais cedo do que o habitual, o responsável prevê ocupações "próximas dos 100%".

Com 90 quartos, a Pousada de Lisboa registava ontem uma taxa de ocupação a rondar os 85%. Miguel Velez, administrador do Grupo Pestana Pousadas, estima que chegue aos 90%. "É significativamente alta, mas está de acordo com as expectativas", afirma. Quem mais procura a nova pousada da Praça do Comércio são alemães, portugueses e franceses. Já na Pousada de Queluz, a ocupação deverá chegar aos 75% ou 80%.

Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo Português, confirma que "Lisboa não está cheia para a Páscoa, mas falamos em ocupações mínimas de 80%". Esperam-se mais turistas do que no ano passado, mas "é um aumento que tem sido gradual, uniforme". Regista-se uma quebra na procura por parte dos brasileiros "devido à crise que o país atravessa, mas os voos diários para os EUA vão compensar essa perda".

Contactada pelo DN, a Ryanair avança que os clientes que reservavam férias para o norte de África, Médio Oriente e Turquia optam agora por outros destinos. "Temos notado um aumento nas reservas para Espanha, Portugal, Itália e Grécia", diz fonte oficial da companhia aérea. Já o site de reservas Trivago indica Lisboa como o destino português mais procurado pelos estrangeiros. "Além de termos o aeroporto colado à cidade, temos uma cidade simpática, um ambiente ótimo, muita segurança e um clima agradável. Temos todas as condições", justifica Francisco Calheiros.

De acordo com a informação disponibilizada no site do Porto de Lisboa, passam pela capital quatro navios de cruzeiro esta semana. "São importantíssimos. Animam bastante a restauração, mas não têm interferência na hotelaria", lembra o presidente da CTP.

Alojamento local cheio

O alojamento local também espera estar em alta nesta Páscoa. "Está fogo", diz Miguel Rodrigues, diretor da Feels Like Home, empresa que gere mais de cem apartamentos para arrendamento temporário em Lisboa. As taxas de ocupação rondam atualmente os 90%. "É uma época alta, como o Natal e o Fim de Ano", refere. São sobretudo os espanhóis que mais procuram este tipo de alojamento, mas também há muitos ingleses e franceses. "Começaram a chegar no fim de semana passado e ficam até segunda ou terça-feira da próxima semana."

A Chiado Apartments registava ontem uma taxa de ocupação de cerca de 95%. Segundo o diretor-geral da empresa, Paulo Barreiros, existia apenas um "buraco" de quatro noites num dos dez apartamentos do Chiado. A grande novidade em relação ao ano passado, indica, é que "há mais reservas feitas por orientais do que por espanhóis".

Açores e Norte crescem mais

Segundo o presidente da Associação da Hotelaria de Portugal, Luís Veiga, há um "otimismo generalizado" nas sete regiões turísticas do país, "mais acentuado" no Norte, Açores e Algarve. Nesta quadra, o mercado mais importante é o espanhol e como se espera "a melhor Páscoa de sempre em Espanha", o nosso país poderá beneficiar disso.

Em Lisboa, refere, a taxa de ocupação dos hotéis rondou os 50% nos dois primeiros meses do ano, pelo que acredita que, "chegue, em média, aos 65% a 70%, mas ainda longe de outros destinos", como a serra da Estrela, onde deve rondar os 85%. O representante lembra que há seis mil alojamentos locais registados na capital, mas o dobro a funcionar "de forma ilegal".

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