Colocar um 'pacemaker' no cérebro pode ajudar a memória

Estímulos elétricos mostraram ter um efeito positivo em pacientes com epilepsia

Estímulos elétricos de um aparelho similar a um pacemaker no cérebro podem melhorar a memória, segundo um estudo científico da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Tudo depende da altura em que os estímulos são aplicados, segundo um novo estudo.

Outros estudos sobre os efeitos de estímulos elétricos na memória tinham apresentado resultados contraditórios - ora mostrando efeitos positivos na memória, ora negativos - e esta investigação vem esclarecer que o mais importante é o timing, segundo o New York Times.

Recorrer a impulsos elétricos nas áreas da memória do cérebro quando estas não estão a trabalhar bem pode melhorar esta atividade cerebral, mas fazê-lo enquanto estas áreas estão a funcionar normalmente - o que acontece durante alguns períodos do dia - pode ter o efeito contrário.

"Todos temos dias bons e maus, alturas em que a nossa memória está enevoada e em que estamos atentos", disse Michael Kahana, líder da equipa de investigação. "Descobrimos que forçar o sistema quando está num estado de baixo rendimento pode levá-lo para um estado de alto funcionamento".

Durante as experiências, os cientistas pediram aos pacientes para decorar uma lista de palavras e recitá-las, depois de uma distração, enquanto eram monitorizados.

A equipa percebeu que os pacientes respondiam melhor quando recebiam os impulsos durante uma altura em que a memória não estava a funcionar tão bem, e pior quando os impulsos chegavam numa altura em que as áreas da memória estavam devidamente ativas.

A colocação do pacemaker é um procedimento complexo e os elétrodos implantados têm duas funções: monitorizar o estado de funcionalidade das áreas da memória e distribuir impulsos elétricos apenas quando são úteis.

O estudo refere, no entanto, que apenas analisou pacientes com epilepsia e que os resultados podem ser diferentes noutros tipos de paciente. Os cientistas esperam que os impulsos possam aumentar a memória em pessoas que sofram de Alzheimer, demência e outras lesões cerebrais.

O estudo, publicado esta quinta-feira na revista científica Current Biology, é o resultado de décadas de investigações sobre novos tratamentos para a demência, lesões no cérebro e outros problemas do género. Foram recolhidos dados de 150 pacientes, em colaboração com 20 cientistas de instituições como a Universidade de Emory, Universidade de Washington, a Universidade da Califórnia e a Mayo Clinic.

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