Listas vermelhas para invertebrados podem avançar até 2018

O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, discursa durante a sessão de lançamento do Portal do Estado do Ambiente 2016, onde vai ser apresentado o Relatório do Estado do Ambiente. 29 de dezembro de 2016

Listas vão ajudar a localizar os animais e perceber qual é o seu estado de conservação

A elaboração de listas vermelhas para alguns invertebrados, para saber onde estão e qual o seu estado de conservação, deverá avançar entre 2017 e 2018, com financiamento comunitário e do Fundo Ambiental, segundo o Ministério do Ambiente.

O Fundo Ambiental "entrará em operacionalização a partir de janeiro de 2017, esperando-se que se possa avançar com listas vermelhas para alguns grupos de invertebrados" entre este ano e 2018, refere o ministério liderado por João Matos Fernandes, em resposta a questões da agência Lusa.

Após ter lançado, em 2015, a candidatura para o Livro Vermelho da Flora, o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), tutelado pelo Ministério do Ambiente, aponta o Livro Vermelho dos Invertebrados como uma das prioridades para conhecer a biodiversidade nacional.

"O plano de mobilização do investimento em conservação da natureza e biodiversidade, promovido pelo ICNF em outubro de 2015 identifica no quadro de intervenções prioritárias até 2020 o projeto 'Lista Vermelha de Invertebrados e colmatação de insuficiências da Rede Natura 2000'", refere o ministério.

Este documento aponta também a fonte de financiamento europeia disponível, o Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR), instrumento que já está a cofinanciar a elaboração da Lista Vermelha da Flora.

A contrapartida nacional para completar as verbas do POSEUR foi assegurada pelo Fundo de Conservação da Natureza e Biodiversidade, agora integrado no Fundo Ambiental.

Na semana passada, uma investigadora da Universidade de Lisboa defendeu a necessidade de definir uma lista vermelha de invertebrados em Portugal.

Segundo Eva Monteiro, o Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (cE3c) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, a Sociedade Portuguesa de Entomologia, o Instituto Português de Malacologia e o Tagis - Centro de Conservação das Borboletas de Portugal estão disponíveis para colaborar com o Instituto de Conservação da Natureza e Floresta (ICNF), tutelado pelo Ministério do Ambiente, na elaboração daquela lista vermelha.

O conhecimento sobre as espécies existentes permite definir medidas de conservação adequadas, mas também possibilita ter em conta as características da biodiversidade nas decisões políticas, como aquelas relacionadas com a construção.

Eva Monteiro estimou que 10% das espécies de borboletas diurnas em Portugal poderão estar ameaçadas de extinção.

A resposta do ministério refere a versão da Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ENCNB), que esteve em consulta pública em 2015, na qual é reconhecido que "há uma desatualização ou deficiência de informação sobre componentes relevantes da biodiversidade".

"Para alguns grupos, verifica-se mesmo a existência de grandes lacunas de informação, como é o caso do estatuto de ameaça das espécies vasculares da flora, dos invertebrados terrestres, e dos peixes e invertebrados marinhos", acrescenta.

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