Ir à praia ou ao museu com a junta nas férias... e de graça

Há cada vez mais zonas do país em que as autarquias locais estão a substituir os tradicionais ateliês de tempos livres nas férias dos jovens

Todos os anos, Cristina Franco perde a conta aos contactos que tem de fazer para que o filho possa ter umas férias diferentes. É mãe de um jovem, de 15 anos, com autismo moderado, razão pela qual vê as inscrições em muitos programas de férias rejeitadas. Este ano, soube que a União das Freguesias de Santa Iria da Azoia, São João da Talha e Bobadela têm um programa de Férias Desportivas e decidiu inscrever o filho. "Quando fiz a inscrição não fizeram nenhum filme. Foi a primeira vez que senti esta abertura por parte do poder local. Fiquei radiante, porque foram duas semanas de muita normalidade", contou ao DN.

Este é um exemplo do trabalho que cada vez mais as juntas de freguesia de norte a sul do país fazem durante o período de verão promovendo programas para as crianças, de forma a ajudar os pais a ocupar o período de férias escolares e promovendo atividades diferentes e acessíveis a todas as famílias. Há casos em que os encarregados de educação não pagam nada, outros em que pagam um valor simbólico e outros em que o custo do programa varia de acordo com os rendimentos das famílias.

Cristina não pagou nada pelas duas semanas em que o filho esteve envolvido nas atividades. "Até ver posso pagar-lhe uma semana de férias, mas sei que muitos pais têm os filhos fechados em casa por falta de opções e também porque não têm possibilidade de pagar", lamentou. Este programa, aberto a todas as crianças, é promovido há quatro anos pela união de freguesias e não tem qualquer custo para as famílias.

"Integrando a vertente lúdica, desportiva e comunitária, é dada a oportunidade de muito divertimento, promovendo os valores saudáveis de sociabilização, cidadania, respeito pelo próximo e por si mesmo, cuidados de alimentação, fair play, e aprendizagem geral num ambiente descontraído e em segurança", explicou ao DN o presidente da junta, Nuno Leitão. Além das férias desportivas, existe o subprograma da praia - que incluiu o programa Verão em Movimento, direcionado para maiores de 50 anos, e o dos trabalhos na comunidade, que vai até aos 22 anos. No total, participam cerca de 500 crianças, o que representa um investimento de 40 mil euros para o órgão executivo.

Há 16 anos que a Junta de Freguesia de Paranhos, no concelho do Porto, organiza as Férias Desportivas para as crianças dos 8 aos 16 anos. "Têm uma componente de diversão e desporto. Vão a parques aquáticos, à praia, fazem um sem-número de desportos tradicionais e outros como ténis ou bowling, que algumas não têm a possibilidade de fazer no dia-a-dia", adiantou ao DN Alberto Machado, presidente da junta de freguesia.

No final da manhã do primeiro dia de inscrições, os grupos ficam preenchidos. Para as famílias, os preços variam entre os cinco euros - valor simbólico - para o primeiro escalão de IRS e os 75 euros para o último. "Como são direcionadas para residentes, há uma preocupação social muito grande, daí que os valores sejam meramente simbólicos. O grande objetivo é que as crianças mais carenciadas possam ter umas férias com uma qualidade muito grande, de sonho." Um programa que custa cerca de 22 500 euros à junta de freguesia.

Paralelamente, as crianças dos 6 aos 9 anos podem desfrutar das Férias Divertidas, uma iniciativa que já não se destina apenas aos residentes na freguesia, mas a todas os que frequentam as escolas daquela área. Neste caso, o custo varia entre os 25 e os 50 euros e estão previstas atividades relacionadas com a prática desportiva, praia, música, visitas, trabalhos manuais e outras.

Mais do que praia e piscina

Desde a reforma administrativa de 2013, que resultou na fusão do Alto do Pina e de São João de Deus, que a Junta de Freguesia do Areeiro, no concelho de Lisboa, realiza programas de férias para as crianças, que também já eram promovidos anteriormente. "O objetivo é proporcionar a todas as crianças umas férias que vão além da ida à praia ou às piscinas. Há uma parte do dia que é dedicada a atividades lúdicas e culturais, como por exemplo visitas ao Oceanário, ao Planetário e ao Jardim Zoológico e ainda piqueniques e atividades ao ar livre em vários jardins", adiantou ao DN fonte da junta.

O executivo considera que "todas as crianças devem poder usufruir de umas férias diferentes e como nem todas as famílias têm economicamente essa facilidade, a Junta de Freguesia do Areeiro comparticipa a totalidade do programa". No primeiro ano participaram cem crianças e atualmente são aproximadamente 400. As famílias não pagam nada e não há qualquer comparticipação por parte da Câmara Municipal de Lisboa. Como muitos colégios fecham em agosto, a junta de freguesia abre a creche do Areeiro no próximo mês e comparticipa 50% das despesas.

Promover o desenvolvimento

A Junta de Freguesia de Avenidas Novas desenvolve dois projetos direcionados para crianças e jovens desde 2014: a colónia de férias Sou FAN e a colónia de férias FANtástica. "O principal objetivo das colónias infantojuvenis é proporcionar férias que promovam o desenvolvimento saudável, a interação social, o respeito pelo outro e pelo ambiente e a aquisição de novas aprendizagens e responsabilidades. Por outro lado, não descuramos que também é objetivo destas colónias a ocupação didática de tempos livres das crianças e jovens, por forma a poder auxiliar os respetivos encarregados de educação nos períodos de férias escolares", justificou o presidente da Junta de Freguesia de Avenidas Novas, Daniel Gonçalves.

A colónia Sou FAN funciona no mês de julho e inclui atividades na praia durante a manhã e muitas outras à tarde, nomeadamente em jardins e parques de merendas, visitas e desporto. Decorre em turnos de duas semanas e o valor da inscrição é de 30euro euros por criança, havendo a possibilidade de isenção, em casos de vulnerabilidade socioeconómica. Já a FANtástica funciona em regime de internato e custa 130 euros por criança, com 50% de desconto para fregueses.

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