Do criador de Second Life chega agora o Sansar

O presidente executivo da Linden Lab, Ebbe Altberg demonstra como funciona o Sansar

Sansar é uma plataforma tão realista que o cérebro deixa de distinguir o mundo real do virtual

O criador do Second Life vai lançar uma nova plataforma de realidade virtual, o Sansar, onde "o cérebro deixa de distinguir o mundo real do virtual", anunciou esta quinta-feira na Web Summit de Lisboa, o responsável pela empresa.

O Second Life, um mundo virtual 3D gratuito no qual os usuários podem socializar, se conectar e criar por conversa de voz e texto, nasceu há doze anos e agora o criador prepara-se para lançar uma nova plataforma de realidade virtual, que deverá ficar acessível a todos já no próximo ano, revelou em entrevista à agência Lusa o presidente executivo da Linden Lab, Ebbe Altberg.

O projeto começou a ser desenhado há três anos e desde então centenas de engenheiros têm desenvolvido a tecnologia à qual já muitas pessoas aderiram: "Neste momento existem centenas de utilizadores que estão a criar cenários e serão adicionadas outras centenas nos próximos meses até fevereiro, altura em que o Sansar será aberto a muito mais gente", contou à Lusa.

Nesta nova plataforma virtual, cada pessoa tem um avatar com expressões faciais que "mudam ao mesmo tempo que nós mudamos na vida real", explicou Ebbe Altberg, acrescentando que as pessoas podem movimentar os objetos que lhes aparecerem pela frente.

Segundo Ebbe Altberg, a plataforma é tão realista que "o cérebro deixa de distinguir o mundo real do virtual": "Se pedirmos a uma pessoa que está no mundo virtual que se atire para um penhasco ela não o consegue fazer, mesmo sabendo que está no mundo virtual", disse o presidente executivo da empresa durante a sua apresentação, que decorreu esta quinta-feira na Web Summit, em Lisboa.

Por isso, universidades, laboratórios e equipas de investigação vão poder trabalhar no Sansar, onde será possível agendar reuniões de trabalho, frequentar um instituto para aprender uma língua ou fazer formação profissional: "Os hospitais podem usar para treinar (os seus funcionários). Os enfermeiros poderão experimentar e treinar com doentes no Sansar", defendeu Ebbe Altberg, lembrando que será uma forma "mais efetiva, económica e segura de aprender e treinar".

O Sansar poderá também ser a solução para as pessoas que têm doenças incapacitantes: "Vão poder ter uma vida completa porque vão poder dançar, viajar, ir ao cinema com amigos...", sublinhou.

Neste momento já existem alguns cenários que foram apresentados na Web Summit, como a superfície de Marte -- "feita com base em imagens reais do terreno" -- ou um túmulo no Egito, que no mundo real está interdito ao público mas que poderá eventualmente ser visitado através do Sansar.

"Pode haver pessoas que estão a estudar os hieróglifos, arqueólogos ou alunos que estão a estudar podem visitá-lo com os professores e encontram-se lá dentro", explicou, acrescentando que no caso concreto do túmulo ainda não há certezas de que será disponibilizado no Sansar.

O Sansar vai permitir aos utilizadores viverem experiências virtuais sem que para isso seja necessário terem grandes capacidades técnicas para o fazer: "Estamos a democratizar a capacidade de todos nós podermos criar, partilhar e socializar na realidade virtual", sublinhou.

Neste novo mundo virtual, vai ser possível comprar roupa ou uma casa para viver. "Vão poder criar o seu espaço virtual", resumiu, acrescentando que também poderão comprar objetos no mundo virtual para ter no seu mundo real.

E o Second Life? Ebbe Altberg garante que não vai desaparecer e acredita que será possível ter as duas realidades a funcionar em simultâneo: "Alguns utilizadores vão optar pela Sansar, outros vão manter-se no Second Life e alguns poderão estar nos dois".

Até porque, segundo o criador, existe muita gente que depende financeiramente destes mundos paralelos: "Os criadores do Second Life fizeram 60 milhões de dólares no ano passado, muita gente vive do mundo digital, e queremos fazer o mesmo com o Sansar, ou seja permitir que as pessoas possam viver disso, se o escolherem fazer".

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