DGS admite vacinar crianças contra o sarampo logo aos seis meses

Vacinação antecipada em situações de "pós-exposição" à doença. Há 21 casos confirmados, quatro em crianças com menos de um ano

A Direção-Geral de Saúde admite vacinar crianças logo aos seis meses contra o sarampo, em particular se se tratar de uma situação de "pós-exposição" à doença. A criança que for vacinada aos seis meses deverá, no entanto, voltar a ser vacinada quando fizer um ano e a antecipação da vacina depende de prescrição médica.

Numa orientação divulgada esta quinta-feira, "atendendo à atividade epidémica do sarampo", a DGS determina que a vacina contra o sarampo deve estar acessível "em todos os pontos de vacinação do país", frisando que "a vacinação de acordo com o Programa Nacional de Vacinação continua a ser a melhor medida de prevenção contra o sarampo".

A DGS prevê que a vacina seja administrada "sem qualquer pagamento por parte do utente" numa primeira dose, aos 12 meses, e numa segunda dose aos cinco anos de idade, mas ressalva que a vacinação poderá ser feita antes, mediante prescrição, e terá de ser "devidamente ponderada pelo médico tendo em consideração a situação clínica e epidemiológica em cada momento e em particular em situações de pós-exposição". Nestes casos, a vacina pode ser administrada a crianças com idade entre os seis e os 12 meses ou, no que se refere à segunda dose, antes dos cinco anos.

A dose administrada antes dos 12 meses de idade "não é considerada válida em termos de calendário vacinal, pelo que a criança a quem tenha sido administrada vacina naquelas condições deve ser revacinada quando atingir os 12 meses, mas respeitando o intervalo mínimo de quatro semanas entre doses", indica ainda a orientação da DGS.

O último balanço de casos foi feito ontem às 16 horas. De acordo com a DGS há 21 casos confirmados e 15 em investigação. Noutros dez casos a doença não foi confirmada. Nos casos de sarampo confirmados, quatro são em crianças com menos de um ano de idade, três em crianças entre um e quatro anos. A maioria das infeções ocorreu em adultos com mais de 20 anos.

Ainda segundo a DGS, 57% dos casos (12) os doentes infetados não têm registo de vacinação. Em termos geográficos, 13 casos ocorreram na região de Lisboa e Vale do Tejo, sete no Algarve e um no Norte. Há ainda nove profissionais de saúde infetados, dois dos quais sem registo de vacinação.

O surto de sarampo em Portugal provocou uma morte. Uma jovem de 17 anos que faleceu ontem no hospital D. Estefânia, onde estava internada há vários dias com uma pneumonia bilateral, uma das complicações provocada pelo sarampo. A jovem não estava vacinada porque tinha feito uma reação alérgica grave a uma das primeiras vacinas a tomar, o que levou à decisão de não fazer mais. A infeção ocorreu no hospital de Cascais, unidade a que tinha recorrido por um outro problema de saúde. O foco terá sido um bebé de 13 meses que não tinha feito a vacina de acordo com o calendário por motivos clínicos. O bebé está estável e em casa.

21 dias de afastamento da escola em caso de não vacinação

Já ontem, a Direção-Geral de Saúde tinha emitido uma orientação em que aconselhava as escolas a afastarem dos estabelecimentos de ensino por um período de 21 dias qualquer membro da comunidade escolar que, depois de exposto ao vírus do sarampo, recuse ser vacinado. "Os delegados de saúde verificam a existência de contacto com um doente em fase de contágio e sugerem, quando indicada, a vacinação. Nestes casos, e perante a recusa da vacinação de qualquer membro da comunidade escolar, em situação de pós-exposição, aconselha-se a não frequência da instituição durante 21 dias após o contacto", refere a orientação da DGS publicada na página oficial do organismo.

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