Cientistas confirmam: os átomos não se mexem quando olhamos para eles

Yogesh Patil, no centro, é o principal autor do estudo. Vê-se aqui no laboratório de Mukund Vengalattore, onde a pesquisa foi realizada, com os colegas Airlia Shaffer e Harry Cheung

É a primeira vez que este misterioso paradoxo quântico é confirmado com uma experiência

Já estava previsto pela física quântica mas ainda não tinha sido confirmado através de uma experiência: os átomos não se movem enquanto estão a ser observados. A conclusão vem da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, onde um grupo de cientistas verificou que o chamado "efeito Zenão quântico" é real.

O trabalho destes investigadores, publicado na revista científica Physical Review Letters, poderá levar a novos métodos de controlar e manipular os estados quânticos de átomos.

As experiências foram realizadas a temperaturas extremamente baixas: os materiais analisados foram arrefecidos até 0.000000001 graus acima do zero absoluto - cerca de 273 graus Celsius negativos.

Para realizar a experiência, os investigadores Yogesh Patil e Srivatsan Chakram criaram um gás de rubídio que arrefeceram numa câmara de vácuo, e depois usaram lasers para fazer com que os átomos no gás se ordenassem, como se fossem os átomos de um cristal - no entanto, as temperaturas muito baixas permitem que os átomos se desloquem de um sítio para o outro dentro da estrutura em que se alinham.

Aquilo que os investigadores mostraram foi que, observando os átomos - ou seja, medindo com precisão e com muita frequência a sua localização dentro da estrutura gasosa - eram capazes de impedir que estes se movimentassem, corroborando o efeito Zenão quântico. Esse efeito é um conhecido paradoxo que implica que uma partícula instável pode ser impedida de decair através de medições muito frequentes - ou seja, que uma partícula observada pára de se mexer.

O nome "efeito Zenão quântico" tem origem num artigo científico escrito em 1977 pelos investigadores Suarshan e Misra.

"Isto dá-nos uma ferramenta sem precedentes para controlar um sistema quântico, talvez até átomo a atómo", disse Patil, citado num comunicado da Universidade de Cornell. Os investigadores tiveram que desenvolver uma nova forma de observar átomos a temperaturas extremamente baixas, o que fizeram "com muita dedicação", de acordo com o seu orientador.

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