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Diogo Infante: "Estou novamente no mercado de trabalho"

Diogo Infante: "Estou novamente no mercado de trabalho"

por Ana Filipe Silveira/Foto Gerardo Santos/Global Imagens

Um ano depois de ter sido afastado da direção artística do Teatro Nacional D. Maria II, o ator está de volta à ficção nacional com 'Depois do Adeus', série que se estreia em breve na RTP1. Não sabe o que o futuro lhe reserva, mas garante que não é homem para ficar de braços cruzados.

A RTP estreia em Setembro a série Depois do Adeus, que marca o seu regresso como ator ao pequeno ecrã, salvo uma ou outra participação especial, ao fim de dez anos. É um regresso desejado?

Sim. É um regresso em dois momentos, com a participação nesta série e com um telefilme que já foi emitido, Há Sempre Um Amanhã. É um regresso agradável sobretudo porque envolve dois projetos com cujas histórias pude relacionar-me de forma intensa. No caso específico do Depois do Adeus, toda a envolvência, desde a equipa de realização à produção, ao elenco e à escrita, era tão interessante que me apeteceu imenso fazer parte desse processo e o papel que me oferecem era muito forte, embora discreto.

Vai interpretar um invisual.

Vou, mas não é forte apenas por ser invisual. É também pelo facto de ele ter uma história pessoal muito intensa e dramática, que representa de alguma forma outras histórias de milhares de pessoas que viveram um período histórico complicado da nossa História recente, que sofreram, que tiveram de mudar radicalmente de vida, de espaço [a série é ambientanda no Portugal de 1975, de uma família de retornados que chega a Lisboa para recomeçar a sua vida].

Sente que é uma espécie de homenagem que lhes faz?

Sinto. Poder de alguma forma homenageá-los assim é um desafio e é também muito curioso. A minha personagem em particular, o Vítor, foi sujeita a uma maior violência. Claro que é ficção, mas há muitas histórias parecidas. Ele terá sido raptado, torturado, terá contraído uma doença quando esteve em cativeiro, que não foi tratada e que acabou por degenerar na cegueira. E a mulher pensa que ele está morto. Portanto, quando ele aparece a meio da história, imagine-se o impacte que isso tem na família, que teria em qualquer família. É evidente que não correu bem. Trata-se de viver estes dramas de uma forma generosa e acreditar que eles podem ser tocantes.

Já viu algum episódio?

Vi algumas cenas. O visual é fantástico. Há uma combinação de material de época, que depois foi jogado com o croma. Portanto, representamos em cenários muitas vezes de época, reais, e interagimos com personagens daquele tempo. Isso dá logo um tom e uma cor muito verosímil.

Porque regressa só agora à ficção nacional? Não teve convites que lhe agradassem?

Eu tive seis anos ligado a instituições, primeiro o Teatro Maria Matos e depois o Teatro Nacional D. Maria II, e durante esse período estive completamente absorvido por essas outras responsabilidades e se houve desafios eu não tinha margem para poder conciliar. Era impraticável.

Mas houve convites?

Sim, sim. Houve vários. É evidente que ao longo do tempo foram cada vez menos porque eu estava cada vez mais indisponível. Creio que as pessoas já sabiam que não podiam contar comigo.

E agora que veio é para ficar ou vai desaparecer novamente do mundo da ficção em TV?

Vamos ver. Neste momento há uma grande indefinição em relação ao meio audiovisual. A RTP está um pouco no impasse, sem saber o que vai acontecer-lhe, não é? A privatização de um canal... Eu já apresentei um projeto à RTP, um projeto que eu próprio escrevi em parceria com a SP Televisão. Estamos à espera de resposta. Eles mostraram muito interesse, mas suponho que estejam a fazer o mesmo que todos nós, que é a contar os tostões, portanto estão a fazer a gestão da escassez.

E provavelmente a ver se o seu projeto se enquadra no conceito de serviço público de televisão.

Sim. Por isso... a minha relação é primordialmente com a RTP, não tenho tanta proximidade com os outros canais, o que não significa que não possa ir bater-lhes à porta e apresentar-lhes um projeto. Vamos ver.

Em que consiste esse projeto?

É uma minissérie. Tive a ideia e partilhei-a com a Patrícia Sequeira [responsável pelo projeto Depois do Adeus] da SP Televisão. Eles mostraram-se muito entusiasmados, apresentaram-na e agora estamos a aguardar uma tomada de posição. É um esforço no sentido de encontrar um formato que vá ao encontro daquilo que me parece que é a realidade portuguesa e que possa ser minimamente interessante e apelativo. Mas admito que haja outros formatos mais interessantes que o meu.

Durante este período de uma década, nunca pensou em trabalhar como ator regular com a Plural ou com a SP Televisão? Integrar elencos de novelas?

Nunca surgiu essa oportunidade porque eu não estava disponível. Se bem que a Joia de África [2002] era praticamente uma novela, era um seriado novelesco. Nunca ponho de parte essas possibilidades. Claro que depende dos projetos em si, das circunstâncias, da minha disponibilidade, do interesse. Agora estou novamente no mercado de trabalho, portanto tudo é de considerar desde que isso me motive. Ou seja, aquilo que procuro fazer é ser criterioso e tentar encontrar trabalhos que sejam estimulantes e atrativos e em que eu sinta que posso também dar um contributo.

É inegável que muitos atores sobrevivem, não só monetária mas também mediaticamente, porque fazem novelas e aparecem com frequência em televisão. Como é que o Diogo conseguiu sobreviver enquanto ator sem TV?

Não sei, mas também não é nem uma estratégia nem uma preocupação. Não penso nesses termos. Não faço por aparecer, mas também não faço por desaparecer. Acho que aquilo que faço acaba por ter uma consequência por gerar algum interesse mediático e isso criar, por sua vez, uma procura do público. Portanto, acabo por nunca sair do esquecimento. E diga-se a bem da verdade que já estou a fazer o Cuidado com a Língua! há quatro ou cinco anos, o que permite que não esteja completamente ausente.

O Cuidado com a Língua! vai regressar às noites da RTP1?

Estou a gravar a oitava série, que em princípio irá para o ar na próxima temporada do canal. Mas sabe que mesmo os lugares que tenho ocupado fora do ecrã têm tido algum destaque. Quero dizer que as pessoas acabam por saber o que é que eu ando a fazer. Suponho que tenha que ver com isso, embora não seja algo premeditado da minha parte. Não vivo em função da minha imagem, embora saiba que ela existe e tente utilizá-la na medida do possível. Mas não vivo obcecado nem escravizado por ela, não é isso que me interessa. Não foi isso que me levou a ser ator e.... incomoda-me esse lado de exposição.

O que o levou a querer ser ator?

Uma vontade de me expressar, uma vontade de ser mais coisas, de comunicar. Eu era muito tímido e lembro-me de que, quando fui finalmente para cima de um palco, percebi que isso me dava poder. Por um lado, porque podia dizer aquilo que me apetecesse, sobretudo porque o texto não era meu. Por outro, as pessoas olhavam, ouviam-me. Depois percebi que as pessoas gostavam do que eu que fazia, ou pelo menos ficavam ali. Isso foi-me dando ânimo e estímulo e eu acabei por continuar.

Isso foi antes ou depois de ter frequentado o Conservatório?

Antes. O Conservatório foi uma consequência dessa primeira fase de teatro amador.

Ainda no Algarve, onde nasceu?

Sim. O Conservatório foi a necessidade de adquirir instrumentos e utensílios que me permitissem enfrentar exigências profissionais com outro rigor. Uma coisa é acharmos, por exemplo, que gostamos de tirar fotografias, outra coisa é sabermos o que estamos a fazer e eu queria saber o que estava a fazer. Queria conhecer o meu instrumento, o meu corpo, a minha voz, as minhas emoções, queria entrar em contacto comigo realmente. Quando temos de dar no duro e começar a representar, quando começam a pedir-nos coisas, temos de ter capacidade de resposta. Não é um palmo de cara que safa um ator. Nem jeito. É por isso que a formação é tão importante.

Diz que uma das coisas que mais gosta em teatro é ter a possibilidade de lançar algumas farpas. Isso também é possível em televisão?

Claro. A ficção devolve-nos sempre um espectro da realidade e depois depende de que forma é que queremos ou não abordá-lo. Se queremos ser mais politicamente corretos e consensuais fazemos o que é mais previsível, o que já toda a gente está à espera e que não mexe com ninguém. Por isso é que há tantos produtos que são tão distintos e com tantas características. Uns arriscam mais do que outros. É verdade que o teatro é um espaço mais propício a que possamos ser mais incisivos. É um espaço de crítica social, de espelho e reflexo da própria sociedade e do homem. Como ser político que sou, na medida em que estou inserido na sociedade e não estou alheio ao que me rodeia, só posso aproveitar isso como matéria-prima para pôr em cima de palco e para me estimular.

Como homem ligado à cultura e dentro dessa teoria de existirem produtos televisivos tão distintos, como vê a emissão de programas menos culturais como A Casa dos Segredos, que vai regressar à antena da TVI em breve?

Não vejo. Nunca vi. Nem sei o que é.

Não vê este reality show ou não vê de todo esse género de programas?

Não vejo esse. Acho que os reality shows representam um fenómeno curioso. É o vouyerismo levado a um extremo e que de alguma forma vem preencher um profundo vazio nas nossas vidas. Acho alguns reality shows engraçados. Estou a pensar no que já vi... às vezes vejo as Kardashians, no outro dia vi um documentário em jeito de reality show sobre o Ryan O'Neil e a Tatum O'Neil. Ou seja, é curioso e é evidente que há um lado intrusivo e bisbilhoteiro que todos nós temos e que é mais forte do que nós. Depois a forma como isso é manipulado ou explorado depende muito de objetivos. Não faço esse tipo de juízos de valor. Não me atrevo a dizer que é bom ou mau. O que acho é que felizmente vivemos em democracia e há liberdade de escolha e a minha liberdade passa por ver apenas aquilo que me apetece. Esse tipo de programas eu não vejo.

Desde há dez anos até agora, a ficção portuguesa mudou para melhor, para pior ou está igual?

Sinto que se evoluiu do ponto de vista técnico e que se regrediu do ponto de vista de produção. Hoje, como sempre, tenta-se fazer mais com menos. Somos mais ambiciosos nos resultados, mas temos cada vez menos condições para o fazer. Vivemos sempre neste paradigma e é muito complicado porque se exige mais às pessoas. Trabalha-se mais horas e com menos condições, com menos remuneração, e isso é muito cansativo. Lembro-me, quando comecei a trabalhar, há vinte e tal anos, que já se falava em crise. Sempre se falou. Quando conversei com a Eunice [Muñoz], ela disse-me: "Quando comecei também se falava em crise"... A ideia que se tem é que a cultura em Portugal está sempre em crise e é este tom absolutamente paternalista que têm para connosco que é muito cansativo porque revela uma enorme falta de reconhecimento pelo que se faz, seja em teatro, em pintura, em música ou em televisão.

"É evidente que terei cometido erros mas não me arrependo de nada"

Estes últimos anos foram marcados por alguma polémica enquanto diretor artístico, primeiro do Teatro Maria Matos, onde esteve entre 2006 e 2008 e de onde se demitiu por falta de verbas para a conclusão dos seus projetos, e até há quase um ano do D. Maria II, altura em que anunciou a suspensão da programação para 2012 por causa das medidas de austeridade do governo, acabando por ser dispensado das suas funções pelo secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas. Olhando para trás, voltaria a fazer o mesmo que fez? A tomar as mesmas decisões radicais?

Houve coisas que correram menos bem. Faço os meus balanços e tenho consciência das aprendizagens que fiz. Mas as decisões que tomei em cada momento foram resultado desse mesmo momento, de momentos que eu estava a viver, e tomei-as sempre imbuído das melhores intenções. É evidente que terei cometido erros, mas não me arrependo de nada. Acho que tudo isso faz parte de um processo de crescimento profissional e pessoal. Estou muito orgulhoso do trabalho que fiz em ambos os teatros. Foi um período da minha vida muito intenso, muito absorvente. Estou muito apaziguado e agora estou numa nova fase da minha vida.

Igualmente feliz?

Sim, também estou muito contente porque posso voltar a mim, a preocupar-me apenas comigo, com a minha condição de ator, com os meus trabalhos, com as minhas coisas...

A ser egoísta...

Exatamente. Ser ator é ser necessariamente um bocadinho egoísta porque estamos muito centrados em nós. Embora me tenha sabido bem pensar do ponto de vista macro, do ponto de vista mais abrangente, com enormes responsabilidades - sobretudo considerando que estava a gerir dinheiros públicos, o que é algo que me deixa muito responsabilizado e consciente das minhas obrigações - agora é bom poder respirar mais fundo.

Faz ideia de como vai ser o seu futuro profissional?

Não sei.

Isso não o preocupa?

É evidente que vou viver momentos complicados.

Se essa altura dos "momentos complicados" chegar, equaciona voltar à direção artística de um teatro?

Isso é como as novelas: não ponho de parte nenhuma possibilidade. Terei é de avaliar cada circunstância em função do que estiver em cima da mesa. Eu gostei da responsabilidade e do desafio, até porque gosto de fazer coisas novas, mas é evidente que a experiência também me dá uma perceção do que pode ou não funcionar e se há coisas para as quais não tenho de todo disponibilidade é para fazer omeletas sem ovos. Há um grau de dignidade e qualidade que se exige a projetos ditos de serviço público para os quais tem de haver o mínimo de condições. Se estiverem reunidas as condições humanas, financeiras e outras, é evidente que posso considerar essa hipótese. Mas não me parece que no atual cenário seja muito viável pensar em projetos ambiciosos a esse nível, porque temos uma classe política que não nos dá esse valor. Continuam a achar que podemos fazer tudo com "tuta e meia" e sermos sistematicamente maltratados, descurados. E isso é muito cansativo.

Está a dizer que já é um lugar-comum falar-se de arte como um bem não essencial à sociedade?

É mesmo um lugar-comum... Acho que tudo isto tem que ver com um problema de base, que é a nossa educação. A arte e a educação não estão ligadas de origem. A arte não tem um papel ativo na formação dos jovens, independentemente de eles quererem ou não ser artistas. Nós teríamos cidadãos muito mais completos se as pessoas desenvolvessem a sua perceção intuitiva e criativa. Acho isto genuinamente. Acho que existiriam melhores políticos, médicos, advogados, se tivessem o lado imaginativo, criativo, mais desenvolvido. E, nos tempos que correm, temos mesmo de usar a imaginação.

Disse numa entrevista que hoje é uma pessoa mais cínica. Foi o cansaço e a desilusão que o ensinaram a ser assim?

Sim, é algo inevitável. A idade e a experiência dão-nos esse lado. Agora, tento não alimentar esse cinismo porque não me apetece nada olhar para vida de uma perspetiva cínica, amargurada e ressabiada. Não tenho paciência para isso. O que quero é ser feliz e aproveitar a vida o melhor que posso.

Em que é que esse cinismo se traduz?

Sou mais criterioso com as pessoas. Sei melhor o que quero e reajo mais rapidamente a situações que me causam desconforto. Já não tenho paciência.

"Quero perceber que canal [da RTP] vem aí. Se é para ser mais um, igual aos outros, bem... não sei se valerá a pena"

Tem neste momento um projeto sujeito a aprovação por parte da RTP, que por sua vez também aguarda para conhecer o seu futuro. Como vê a alienação de um canal da estação pública?

Pois não sei muito bem... Não sei porque isto está tudo envolto em alguma névoa. Não se percebe exatamente quais os contornos deste negócio. É evidente que há implicações financeiras muito elevadas, que têm que ver com publicidade. Parece-me que há jogos de bastidores que nos ultrapassam. Se a RTP deixar efetivamente de ter publicidade isso pode reverter a favor dos privados... E também tem tudo que ver com o que é de facto o serviço público e se isso deve ou não separá-lo dos demais, se a sua missão o distingue. Opinar não é fácil, sobretudo quando não se conhecem as regras do jogo de uma forma clara. Mas estou expectante, quer como público quer como artista. Como público quero perceber que canal vem aí. Se é para ser mais um, igual aos outros, bem... não sei se valerá a pena. Aí mais vale ficarmos com os que já temos. É um canal temático? O que é afinal? Como artista também estou muito curioso para saber se finalmente esse canal vai investir mais em ficção, se vai haver um espaço onde a ficção portuguesa possa ter o desenvolvimento que merece.

Quando fala em desenvolvimento refere-se a travar a tal regressão ao nível da produção? Ou fala também de argumento e de interpretação?

Eu continuo a sentir que temos lacunas do ponto de vista narrativo, da escrita propriamente dita para ficção. Temos belíssimos atores e realizadores, temos gente nova a escrever e que tem muito jeito. Mas é preciso fazer mais. Acredito que já nos reconciliámos, finalmente, com a nossa língua. Lembro-me, quando comecei, de que a língua portuguesa era a pior. Ouvir falar português era "um horror". "Que horror", dizia-se. Agora não. Os portugueses já gostam de se ouvir, já têm mais cuidado com a língua.

A nova Lei do Cinema também o preocupa?

Por princípio concordo com ela. É evidente que os canais de televisão não acham nada bem. Mas é preciso esperar para ver que resultado tem. Para ver se representa efetivamente mais produção cinematográfica e com que resultados. É uma medida saudável, que gostaria até de ver extensível a outras atividades criativas. É um passo e não podemos estar sempre a criticar. Agora, se terá algum impacte positivo já não sei. Não estou suficientemente dentro do assunto para poder avaliar.

Depois de ter saído da direção do Teatro Nacional já interpretou dois papéis para a RTP, prepara uma nova temporada de Cuidado com a Língua!, apresentou um projeto de ficção à estação pública e regressou aos palcos com a peça Preocupo-me Logo Existo. Pode dizer-se que é uma pessoa proativa, que não fica à espera que venham bater-lhe à porta.

Sabe que há muitos anos apercebi-me de que a ideia de ficar em casa à espera que o telefone tocasse me causava muita ansiedade, sobretudo porque não tinha controlo do meu próprio destino. Como muito cedo comecei a perceber que tinha uma opinião e um ponto de vista sobre as coisas que se passavam à minha volta, achei desde logo que devia começar a tomar a iniciativa.

Foi isso que o levou a dirigir um primeiro espectáculo aos 24 anos?

Sim, e a partir daí comecei a produzir e a dirigir outros. Isso também me foi dando alguma capacidade de encaixe, de ação, de conseguir tomar as rédeas, que teve como consequência os convites, na altura inusitados e surpreendentes, para dirigir teatros, mas que se calhar vieram fazer algum sentido e confirmaram essa minha vocação que transcende a atividade de ator. Tendo eu saído do Teatro Nacional, claro que tive de arregaçar as mangas e começar a pensar "embora lá". Confesso que não estava à espera. As coisas estavam a correr tão bem no Teatro Nacional que eu perspetivava ficar lá mais três anos - e teria ficado se as circunstâncias não tivessem sido as que acabaram por se revelar - mas a partir do momento em que tudo se definiu nestes moldes, não me atrapalhei. Estive ali duas ou três semaninhas a ler e de papo para o ar e depois comecei a pensar em projetos.

No meio disto tudo ainda consegue arranjar tempo para coordenar um curso de formação de atores na ETIC [Escola Técnica de Imagem e Comunicação]...

O que é completamente novo na minha vida. Estou muito entusiasmado porque finalmente acho que já tenho idade e alguma experiência que me permitem ensinar alguma coisa.

Aparecem muitos jovens a querer enveredar pela representação?

Não sei dizer-lhe, mas suponho que sim. Resta saber se é por boas razões. Sei de muita gente que quer ir para o Conservatório, para os cursos de teatro, mas é mais porque querem aparecer nas novelas.

Será consequência da dita "escola" Morangos com Açúcar, que nos últimos anos lançou toda uma geração de jovens atores?

Sim. E são motivos legítimos. É o que veem. Eu não tenho nada contra os Morangos com Açúcar, mas não são a minha praia. Não foi isso que me levou a querer ser ator, mas percebo que haja quem queira fazer aquilo. É o modelo de sociedade, de imagem, que vende. E, de facto, tem consumo e impacto junto das camadas mais jovens. Já o que o curso na ETIC oferece não é bem isso, mas uma abordagem muito específica ao que é o trabalho de um ator nas suas várias vertentes, que obviamente passam também por televisão.

O que é mais complicado: estar sozinho em cima de um palco ou dividir a cena com outros atores?

Estar sozinho é pior. Não temos ninguém com quem partilhar, que nos dê a mão se estivermos com a energia em baixo ou em alguma aflição. Contracenar é a essência da representação.

Isso não é um pouco irónico, uma vez que com Preocupo-me Logo Existo está sozinho em palco a interpretar oito personagens?

Não, porque neste género de espectáculo eu dou e recebo do público. Tenho uma relação muito direta com ele. Contraceno com o público. É um discurso direto muito virado para ele, o que faz que não me sinta completamente sozinho. É o jogo do dar e do receber.

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