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À procura da onda perfeita

por Ana Pago. Fotografia de Adelino Meireles/GI  

À procura da onda perfeita

Austrália, Ásia, África, América do Norte e do Sul, Europa... todos os palcos têm alguma coisa a acrescentar à busca pelas melhores ondas. Todos os anos, milhares de surfistas de todo o mundo continuam as suas peregrinações. Mas há quem veja a luz sem ter de ir tão longe.

Existe uma visão idílica dos surfistas a correrem as costas desertas atrás das melhores ondas, saudando o sol pela manhã e a dormir com as pranchas em carrinhas com cortinas. A realidade moderna, porém, é diferente: em vez de neo-hippies nómadas, eles são empresários, escritores, estudantes, economistas e profissionais de diversas áreas, rendidos ao mar. E, volta e meia, largam a rotina dos dias e aventuram-se pelo mundo em busca da onda perfeita, quase sempre de avião e com o tempo contado. Há os que preferem os tubos gigantes quando a havaiana Pipeline dobra e lhes põe o coração na boca. Ou as esquerdas de G-Land, a formar linhas perfeitas na costa de Java. Mas porque a melhor onda é sempre a que traz mais felicidade, pode ser simplesmente a que está logo ao fundo da praia de sempre.

«Para mim, a onda perfeita é em água cristalina a trinta graus, partilhada com peixes coloridos, golfinhos, pouco crowd, só com amigos e tubos intermináveis, rodeado apenas de coqueiros. Sim, ela existe e eu estou a responder a esta entrevista precisamente nesse paraíso. Estou nas ilhas Mentawai, na Indonésia.» Bruno Magalhães, surfista e fotógrafo, tem 31 anos, já apanhou ondas de sonho com a prancha e a lente na Madeira, Açores, Canárias, França, Inglaterra, Irlanda, Marrocos, Mauritânia, México, Costa Rica, Nicarágua, Brasil, Fiji, Austrália e, agora, na Indonésia. «Corro atrás delas todos os dias se as condições permitirem. Quando a luz não é a melhor para fotografar, é tempo de agarrar na prancha e fazer surf, por isso acho que sou um privilegiado. Consigo fazer as duas coisas de que mais gosto.» O surfista chegou a terminar o curso superior de Gestão e Marketing antes de perceber que não era nada daquilo que ambicionava para si.

O surf está acima de tudo na vida de Bruno. Cresceu em Miramar, Gaia, e com 12 anos fez-se às ondas como bodyboarder, antes de se tornar surfista. Miúdo, na praia com amigos, suspirava com os filmes de surf em VHS e com as imagens paradisíacas das revistas estrangeiras que lhe chegavam às mãos. Estava longe de supor que iria viver em função do surf, passando meses fora a fotografar os melhores do mundo e a vender as imagens para marcas e publicações internacionais - está neste momento a acompanhar o havaiano Jamie O"Brien nas Mentawai e terá em breve uma fotografia publicada na revista norte-americana Surfer Magazine). À noite, é com surf que sonha, e imagina-se na North Shore do Havai, a zona lendária pelas competições, com ondas de inverno perfeitas, ou a descer a Teahupoo no Taiti, uma parede de água capaz de quebrar surfistas menos experientes.

«Cheguei a faltar a exames por não resistir a perder um dia clássico de ondas», recorda o fotógrafo, já a planear acabar o ano a fazer a temporada de inverno no Havai, na crista da Pipeline. No ano passado, nas ilhas Fiji, foi abençoado com um dos swells do século: «Na Cloudbreak, cujo tamanho médio varia entre um e três metros, a onda chegou aos seis com uma perfeição nunca antes vista. Foi de arrepiar!»

Mas nem esses momentos míticos lhe diminuem o amor às ondas portuguesas, que lhe deram a melhor surfada de sempre no Cabedelo do Douro, «entretanto estragado pela obra de um molhe na foz do rio». «Era uma onda que "funcionava" raramente, mas quando todas as condições estavam reunidas era das melhores que vi na vida, de classe mundial», diz o jovem, desgostoso pelo Cabedelo e por outras ondas como a de Santa Marta (perdida para a marina de Cascais), Kirra (desaparecida devido à extensão do porto oceânico de Sines), Paul do Mar, Jardim do Mar, Ponta Delgada, Lugar de Baixo e Fajã da Areia (todas na Madeira e ameaçadas por construções na costa). «Sim, a onda perfeita existe, mas não precisa de ser como a descrevi. Muitas vezes está só a dois passos de casa.»


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