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O nosso ouro negro

O nosso ouro negro

por Carla Amaro

Seis companhias petrolíferas estão a procurar petróleo em Portugal. Uma delas, a Mohave, chegou há vinte anos à região do Oeste e os responsáveis continuam a acreditar que vão encontrar o ouro negro que move o mundo. Não faltam indícios de que o temos. Não se sabe é quanto e de que qualidade.

«O petróleo é que nem a coca-cola: não existe sem gás. Nuns locais tem mais óleo, noutros tem mais gás natural.» Mas que Portugal o tem, disso não duvida Arlindo Alves, o homem que por cá dirige a americana Mohave Oil and Gas Corporation, a companhia petrolífera que há mais tempo procura petróleo em solo nacional, sem interrupções. O especialista brasileiro só não sabe três coisas: onde está exatamente, se existem acumulações suficientes para uma exploração economicamente viável e de que qualidade é.  

A crença de que Portugal tem o produto que faz mover o mundo tem sustentação, não apenas em estudos geológicos e geofísicos realizados ao longo de décadas, que indicam a «presença de todos os componentes necessários a potenciais acumulações económicas, pelo menos em algumas bacias», como em afloramentos de petróleo que surgiram nas décadas de 1970 e 1980, nomeadamente na Figueira da Foz e em Torres Vedras, todas elas sem grande interesse económico. Sabendo-se que «noventa por centro do petróleo mundial está acumulado em bacias sedimentares», tudo leva a crer que ele exista nas bacias nacionais, inclusive na Lusitânica, na região do Oeste, onde a Mohave faz pesquisa e prospeção há dezoito anos. Foram esses indicadores, de resto, que levaram o fundador da empresa, Patric Monteleone, a assinar com o governo português dois contratos de concessão, no início dos anos 1990. Na altura, adianta Arlindo Alves, «ninguém estava a fazer prospeção on-shore», ou seja, em terra. «Outras empresas tinham procurado, mas não descobriram logo e foram embora». E mesmo hoje, apenas a Mohave o procura em terra. As outras cinco empresas que tentam encontrar petróleo em Portugal fazem-no ao largo da costa [ver texto acessório]. 

Tanto tempo passado, o responsável não perdeu a esperança de encontrar ouro negro nos 25 mil quadrados que compreendem a bacia Lusitânica, onde tem atualmente cinco contratos de concessão: nas áreas de Aljubarrota, Torres Vedras, Rio Maior, Cabo Mondego e São Pedro de Muel (estas são em terra, mas estendem-se para o mar). «Neste momento, decorrem duas ações. Em Torres Vedras, onde estamos a fazer o levantamento sísmico, que é a fase inicial da prospeção, e em Aljubarrota, onde já estamos a fazer a sondagem.» E acrescenta: «O furo, digamos assim».  

A população de Torres Vedras já não estranha a presença das equipas da prospeção nas estradas e nos montes, mas há quem comece a questionar se debaixo dos pés correrá mesmo «um rio de petróleo». Afinal, se o há, perguntam, «por que demora tanto tempo a encontrar?» O tema vem por vezes à baila nas conversas de café de Eduardo Carvalho com os amigos. Talvez porque ao lado do estabelecimento onde se encontram para o pequeno-almoço fiquem as instalações da Prospectiuni, a empresa romena contratada pela Mohave, especializada em sísmica a duas, três e quatro dimensões. «Há que tempos os vemos por aqui», diz Eduardo, a viver em Torres Vedras há 35 anos. «Se houvesse petróleo já o teriam encontrado, não?» Um dos amigos, Pedro Aires, discorda: «Alguma coisa deve haver. Não iam enterrar aqui uma fortuna para nada. Uma coisa destas deve custar milhões.» E custa, de facto. Entre 1994, quando Patric Monteleone iniciou a pesquisa, e 2009, a Mohave já investiu sessenta milhões de dólares (46 milhões de euros) e, garante Arlindo Alves, «irá aplicar outro tanto nos próximos dois anos».  

A verdade é que «o petróleo não corre no subsolo como um rio». A ser assim, talvez não fosse tão difícil achá-lo. Na verdade está entranhado nos microporos das rochas, como a água numa esponja. «É uma espécie de mineral que resulta da alteração da matéria orgânica ao longo de milhões de anos», diz Rui Vieira, geólogo da Mohave. «A matéria orgânica é sujeita a um aumento de temperatura e pressão até ser transformada em "óleo de rocha" ou petróleo. Para a matéria orgânica se transformar em petróleo, são necessárias condições geológicas muito especiais, em particular a existência de rochas-mãe, onde se gera, e rochas reservatório, onde se acumula. O fluido tenta sair do lugar apertado onde se encontra, vai passando de poro em poro e vai subindo, "migrando", podendo chegar à superfície.» É por isso que em muitas regiões do globo, se veem afloramentos de petróleo a sair da terra. Mas são mais as vezes em que não chega à superfície. «Durante o caminho, o petróleo encontra rochas impermeáveis, que não o deixam continuar a subir. Então, fica retido e começa a acumular. São essas acumulações que tentamos encontrar.» 

O aumento da escassez de petróleo é proporcional ao aumento da profundidade a que é extraído e, apesar da evolução das tecnologias e das ferramentas, que permitem chegar a locais no passado inalcançáveis, continua a ser moroso e difícil achar um dos produtos mais importantes do mundo. Pelo menos em Portugal, onde ainda não se encontraram reservas. Em todo o caso, se se considerar todo o trabalho de levantamento sísmico e de sondagem que é preciso fazer para o encontrar, os 18 anos da Mohave à procura de petróleo no nosso país não são assim tanto tempo.  

No escritório da Prospectiuni em Torres Vedras trabalha um exército de gente. São 115 pessoas em diferentes departamentos, muitos geólogos e geofísicos, atrás de ecrãs de computadores gigantes a olhar para imagens indecifráveis ao comum dos mortais. «São fotografias do subsolo, desde a superfície às camadas mais profundas», explica Esat Anter. O geofísico turco trabalha para a Mohave, sediada em Houston, nos EUA, e tem a incumbência de coordenar o trabalho de sísmica da empresa romena. O espaço da Prospectiuni resume-se a uma sala grande cheia de computadores e meia dúzia de gabinetes mais pequenos. «É aqui que recebemos os dados sísmicos que estão a ser levantados no terreno, numa área total de 240 quilómetros quadrados», diz Anter. «Recebemos os dados, ordenamo-los e enviamo-los para outra empresa nos EUA, que os irá processar, interpretar e analisar.» Dessa análise resultará a decisão: furar ou não furar. «Se os geólogos, com base na informação que recolhemos do subsolo, chegarem à conclusão de que há indícios de petróleo nesta área, a Mohave fará a sondagem», garante Arlindo Alves. 

A recolha de dados sísmicos é um trabalho complexo e envolve também um batalhão de gente no terreno. No cimo de uma colina em Torres Vedras, próximo da serra de Montejunto, está um camião de gravação que funciona como uma central de receção de dados. Dois homens agarrados a telefones estão com os olhos fixos nas imagens que passam em cinco ecrãs. São romenos e não falam português. Hoje a Prospectiuni está em Torres Vedras para fazer este trabalho para a Mohave, mas quando o terminar, esta equipa pode estar em qualquer outro lugar do mundo, ao serviço de qualquer outra petrolífera. 

O camião central está num ponto alto para facilitar a comunicação com as várias equipas no terreno. Os homens dentro do camião não largam o telefone: «Têm de estar em contacto permanente com as pessoas que conduzem as máquinas de vibração que percorrem a área de pesquisa», diz Esat Anter. «São estes que lhes dizem quando devem lançar as vibrações.». Do camião central não se consegue avistar nenhuma das máquinas, mas elas andam algures por ali, em grupos - um constituído por dois camiões grandes, outro por três de menores dimensões. Esat mete-se no jipe para ir ao encontro de um deles. Pelo caminho, chama a atenção para inúmeras caixas pequenas com baterias, espalhadas pelos terrenos. «Chamam-se RAU (Remote Acquisition Unit). Temos quatro mil por aí.» Cada uma delas consegue captar sinais a quilómetros de profundidade, por mais insignificantes que sejam. «São autênticos computadores, captam os sinais provocados pelas ondas vibratórias, que depois são enviados para o camião central e, daí, seguem para o escritório da Prospectiuni. Tudo por via digital.» 

Esta dinâmica torna-se clara quando se está junto das máquinas vibratórias entre Matacães e Monte Redondo. Quase sempre em movimento, uma atrás da outra, percorrem toda a área a pesquisar e só param em pontos específicos para assentar as placas de vibração no chão. «São essas placas que emitem as ondas sonoras que chegam até três, quatro mil metros de profundidade.» Concluídas as vibrações num ponto, as máquinas seguem para outro - no total, nesta área, são 23 mil pontos de emissão de ondas vibratórias, com uma distância de cinquenta metros entre si. Nos locais inacessíveis às máquinas, entra em ação a equipa da drill, que abre um pequeno buraco na terra e aí coloca dinamite: «A explosão provoca ondas semelhantes às da placa de vibração. O resultado é o mesmo», concretiza o geofísico. 

Para isto, naturalmente, é necessária a autorização dos proprietários dos terrenos. O que nem sempre acontece. Liete Rosendo, funcionária da Checklane, a empresa portuguesa contratada pela Mohave para obter estas permissões, perdeu a conta às pessoas com quem falou. Mas tem ideia de que foram «para cima de duzentas, umas mais fáceis de abordar do que outras». Só nesta zona. A resistência dos proprietários, muitos deles agricultores com campos cultivados, deve-se ao desconhecimento das técnicas utilizadas e ao medo de danos que possam vir a ser causados pelas máquinas durante as deslocações pelo terreno. Isto, não obstante a garantia de indemnização pelos eventuais estragos. «Nos casos em que não conseguimos autorização, 1486 até à data, as máquinas passam ao lado, o mais perto possível dos sítios onde deviam pousar as placas.» O pior é quando não se consegue saber quem são os donos. «Perguntamos nos cafés, nos restaurantes, aos vizinhos. Nada. Por vezes não se encontram os registos de propriedade.» Este trabalho decorreu há meses. Agora, Liete está de volta ao terreno, não para pedir autorização aos proprietários, mas para acompanhar as equipas de topógrafos, que espetam no chão estacas sinalizadas com fitas para indicar o percurso aos camiões de vibração, os técnicos que instalam as caixas RAU e o grupo da drill.

«É em toda esta dinâmica que consiste o levantamento sísmico a 3D do subsolo, que nos permite ver a terra por dentro», sublinha Esat Anter. «A sísmica não nos diz se há petróleo, diz-nos é se existe potencial para haver, o que é diferente.» O geofísico turco também já fez sísmica no mar, quando trabalhava para outras companhias petrolíferas antes da Mohave, mas prefere fazê-la em terra. «No mar aborrece-me. Andamos um, dois meses, às vezes mais, sem pôr os pés em terra, porque o navio não pode parar.» A Mohave já fez duas sísmicas off-shore, uma a duas dimensões, outra a três dimensões (esta mais minuciosa), nas áreas de concessão que se estendem para o Atlântico. A última foi em Agosto passado, a 3D, ao largo da costa entre a Nazaré e Aveiro, cobrindo uma área de 1100 quilómetros quadrados. Foi feita para a Mohave pela WesternGeco, uma empresa inglesa especializada em tecnologia de sísmica. Embora o objetivo seja o mesmo, os equipamentos utilizados em terra e no mar são distintos. «Em terra usamos máquinas de vibração, no mar são navios que rebocam canhões de ar, sensores geradores de energia», explica Arlindo Alves. «Os canhões, de tempos a tempos, libertam ar, como uma garrafa de champanhe quando abre, provocando uma onda sonora, uma onda de energia que desce até às profundezas e depois sobe. Nesse caminho, vão-se colhendo dados que são registados e armazenados em computadores. Os especialistas depois interpretam-nos para saberem se aquela área tem potencial.» Neste momento, os geólogos da Mohave nos EUA estão ainda a estudar essa informação.

Enquanto em Torres Vedras se faz o levantamento sísmico, em Aljubarrota, no concelho de Alcobaça, já se fura. Só furando se tem a certeza se existe petróleo ou não e, mesmo assim, pode calhar estar a fazer-se um furo ao lado. A história mundial do petróleo é farta em exemplos desses, ocorridos em países cuja fertilidade em ouro negro é hoje por demais conhecida - é o caso de Omã, na península Arábica, onde, no final dos anos cinquenta do século passado, se furou um poço numa grande estrutura identificada com elevado potencial pelos geólogos e, em vez de petróleo, se encontrou água. Algumas companhias dos Estados Unidos, Reino Unido e França abandonaram a exploração, mas duas ficaram: a Partex e a Shell. Seis anos mais tarde furaram outro poço na mesma estrutura, a apenas duzentos metros do anterior e... voilá: petróleo. Descobriram aquele que ainda hoje é o maior campo petrolífero de Omã.

Em Aljubarrota, é no meio de um descampado rodeado de oliveiras, na localidade de Vale do Mogo, que está instalada a sonda da KCA Deutag, uma empresa de perfuração alemã contratata pela Mohave para fazer aquilo a que se chama sondagem - ou seja, a perfuração. A Mohave já fez outros furos, 18 superficiais (até quinhentos metros de profundidade) e 12 profundos (além dos 1500 metros). Este poço - o quarto em Aljubarrota - é profundo.

Neste estaleiro, quase tudo é de ferro. A começar pela torre da sonda, com cinquenta metros de altura, e a acabar nas brocas que furam o subsolo. «Usamos brocas diferentes consoante o tipo de rocha que encontramos», diz Wolfgang, o chefe de equipa da sonda. «Umas são para esmagar, outras para cortar. Estas têm capacidade para perfurar até 4500 metros, mas neste poço só iremos até aos 2600. Só num poço, somos capazes de gastar três brocas. Cada uma custa cerca de cinquenta mil dólares [quase quarenta mil euros]», acrescenta o alemão, enquanto se dirige para um contentor onde estão guardados alguns exemplares.

São sobretudo americanos, austríacos, alemães, italianos, franceses e romenos, a trabalhar neste poço. Portugueses há dois. E um deles é mulher. Paula Ornelas, engenheira industrial, está aqui porque «precisavam de uma pessoa que falasse português e tratasse da logística das operações, dos custos, das despesas do estaleiro, que rondam cinquenta mil euros por dia». Diz que não se sente incomodada por ser a única mulher.

O trabalho é contínuo. Faz-se em equipas de 12 homens e por turnos de 12 horas, durante 15 dias consecutivos, ao fim dos quais os que estão agora em serviço regressam aos seus países, às suas casas, às suas famílias, e outros virão para ocupar os seus lugares, também em equipas, também por turnos, também por 15 dias. É sempre assim, em regime de rotatividade. Mas, não tarda, a sonda sairá deste local.

Num mês de perfuração, «não encontrámos o que procurávamos - gás natural -, pelo menos em quantidades que justifiquem a exploração», revela o norte-americano Steve Goerner, supervisor da sonda. «Os dados sísmicos indicavam para este local um potencial em gás natural, não em petróleo. A estrutura será desmontada daqui a uma semana. Este furo fica fechado.» E este local voltará a ser como antes: um descampado rodeado de oliveiras. Desaparecerão daqui as toneladas de ferro, os contentores que servem de casa aos trabalhadores e a grande «piscina» de lama, onde se depositam os resíduos que se formam à medida que a broca perfura a terra - que serão recolhidos e tratados por empresas especializadas.

Onde irá ser montada a sonda depois sair de Aljubarrota é questão a que nem o diretor-geral da Mohave, Arlindo Alves, consegue por enquanto responder. A oitocentos metros deste local, previa-se, mas novos dados sísmicos indicaram que o sítio mais provável para uma acumulação de petróleo fica a setecentos metros do Mosteiro de Alcobaça. Apesar de se localizar fora do perímetro de proteção do monumento, ainda que dentro da zona urbana da cidade, a instalação da sonda nesse terreno aguarda a autorização da autarquia, que não quer decidir sem primeiro aferir se existem riscos para o edifício. Não se sabe se o futuro do homem continuará a passar pelo petróleo (como acontece agora), mas, no presente, é justamente o facto de o mosteiro ser Património da Humanidade que mantém tudo em suspenso.

NA TERRA E NO MAR

Além da Mohave, cujo negócio é descobrir petróleo - assim que o encontra, vende-o -, outras empresas petrolíferas acreditam no potencial de Portugal para a produção comercial: a Galp, a Partex, a espanhola Repsol, a brasileira Petrobras, e a alemã RWE. Mas estas procuram no mar.

O consórcio Petrobras/Galp/Partex tem quatro concessões (blocos) na bacia de Peniche. O da Petrobras/Galp tem três concessões na bacia do Alentejo. O da Repsol/RWE tem duas concessões na bacia do Algarve. Ou seja, em Portugal, neste momento, está a fazer-se pesquisa e prospeção em alguns blocos de quatro bacias sedimentares - Lusitânica, Peniche, Alentejo e Algarve.

Em Peniche, desde 2007, altura em que os contratos foram assinados com o governo português, foram realizadas campanhas sísmicas a duas e três dimensões. A última decorreu em 2010, em áreas selecionadas dentro dos blocos de três mil quilómetros quadrados. «O resultado desses dados ainda é desconhecido. Acabaram de ser processados por uma empresa especializada, a WesternGeco, sob a orientação da operadora do consórcio, a Petrobras.» Fernando Barata Alves, membro da comissão executiva da Partex Oil & Gas, espera que «dentro em breve, os dados processados estejam disponíveis para serem interpretados». Até à data, o consórcio investiu 65 milhões de dólares (quase cinquenta milhões de euros). Enquanto não forem interpretados os resultados da informação sísmica, Fernando Barata Alves não arrisca avançar os valores do investimento futuro: «Tudo depende desses dados. Ou furamos ou não furamos. Se decidirmos furar, e se acharmos petróleo, investiremos muitos, muitos mais milhões.» Mas tendo em conta os indicadores positivos de estudos geológicos já realizados, que «apontam para a existência de estruturas grandes» na bacia de Peniche, o responsável da Partex e especialista em petróleo acredita que «o primeiro furo» do consórico Petrobras/Galp/Partex «será em 2013». É isso, de resto, que está estabelecido no contrato de concessão, caso a decisão seja positiva.

Na bacia do Alentejo, o consórcio Petrobras/Galp reiniciou a aquisição sísmica no princípio deste mês. Significa que, ao largo da costa, entre Sines e Sagres, um navio tem estado a ecografar as profundezas do subsolo marinho. «Todo o trabalho que realizámos nos últimos cinco anos, após a assinatura dos contratos, consiste em prospeção pura», diz Elsa Azevedo e Silva, da Galp, parceira da Petrobras neste consórcio. «Fizemos sísmica a 2D, a que se seguiu o processamento, análise e interpretação dos dados, e depois a sísmica a 3D, no ano passado, que tivemos de interromper devido à forte ondulação do mar. Retomámos há pouco tempo esse levantamento e agora temos de aguardar pelos dados.» Os indicadores são suficientemente aliciantes para a geofísica e cientista sénior manter o otimismo. «O facto de termos uma bacia sedimentar e de haver provas de que existe um sistema petrolífero ativo em Portugal são fatores de esperança.» O primeiro poço está previsto para o ano que vem.

O consórcio Repsol/RWE assinou contrato para a prospeção em dois blocos na bacia do Algarve em Outubro de 2011, no âmbito do qual, segundo dados da DPEP (Divisão para a Pesquisa e Exploração de Petróleo), terá de fazer a aquisição sísmica a 3D no decorrer deste ano. A operadora, a Repsol, diz apenas que «os trabalhos estão em curso e a decorrer conforme o previsto no programa», recusando-se a prestar mais declarações.

CIFRAS

Quanto petróleo compramos?

Em 2011, Portugal comprou 10 309 876 toneladas de petróleo bruto (o equivalente a 72 milhões de barris, com 159 litros cada).

De onde vem?

Angola, Arábia Saudita, Argélia, Azerbaijão, Brasil, Camarões, Cazaquistão, Guiné Equatorial, México, Nigéria, Noruega e Rússia.

Como o utilizamos?

O petróleo que não é exportado (1 519 699 toneladas) é descarregado nas refinarias de Sines e Matosinhos, onde é transformado em derivados como gasolina, gasóleo, fuel, GPL, combustível para a aviação a jato e a hélice, asfaltos, parafinas, lubrificantes e nafta, entre outros. Contas feitas, Portugal consome 8 790 177 tep (toneladas equivalentes de petróleo). Só para os transportes rodoviários vão setenta por cento dos derivados. O setor doméstico tem também um gasto significativo (6,5 por cento) se comparado, por exemplo, com o da aviação nacional (1,2 por cento)

. Agricultura - 254 889 tep

. Pescas - 113.250 tep

. Indústrias extrativas - 44 724 tep

. Alimentação, bebidas e tabaco - 158 861 tep

. Têxteis - 20 969 tep

. Papel e artigos de papel - 74 708 tep

. Químicas e plásticos - 22 233 tep

. Cerâmicas - 20 534 tep

. Vidro e artigos de vidro - 2 204 tep

. Cimento - 461 261 tep

. Metalúrgicas - 4 992 tep

. Siderurgia - 967 tep

. Vestuário, calçado e curtumes - 5 849 tep

. Madeira e artigos de madeira - 770 tep

. Borracha - 6 638 tep

. Metalo-electromecânicos - 2 881 tep

. Outras indústrias transformadoras - 434 tep

. Construção e obras públicas - 186 382 tep

. Aviação nacional - 128 426 tep

. Transportes marítimos nacionais - 121 690 tep

. Caminhos de ferro - 16 139 tep

. Transportes rodoviários - 6 136 221 tep

. Setor doméstico - 679 765 tep

. Serviços - 272 736 tep

Fonte: Direção-Geral de Energia e Geologia

OS COMBUSTÍVEIS SERIAM MAIS BARATOS?

Se fosse descoberto em Portugal petróleo em quantidades significativas que justificassem a sua exploração comercial, seria natural pagarmos menos pela gasolina e o gasóleo. No entanto, isso não é certo. Noutros países europeus produtores de petróleo, como a Noruega e o Reino Unido, o preço dos combustíveis também é elevado. O custo dependeria da política energética que o governo definisse. Se reduzisse a carga fiscal sobre os combustíveis (53 por cento para a gasolina e 47 por cento para o gasóleo, atualmente) ou decidir subsidiá-los, nesse caso, sim, custariam menos ao consumidor. É o que se passa na Arábia Saudita, onde o preço dos combustíveis é muito baixo justamente porque não são taxados, sendo mesmo subsidiados. De qualquer maneira, uma descoberta de petróleo seria muito importante para Portugal, porque atrairia investimentos e geraria emprego. Numa palavra: riqueza. Para o Estado português, é residual o que as companhias pagam agora pela pesquisa e prospeção - entre trinta e duzentos euros anuais por quilómetro quadrado - mas no caso de uma descoberta comercial de petróleo, o Estado teria direito a cerca de nove por cento da receita por barril de crude. Isto, além dos impostos sobre os lucros da produção que cobrará às petrolíferas.

ESTÁ EM TODO O LADO

Sem ele, o mundo para. Mesmo que quiséssemos passar um dia sem petróleo, não podíamos, tal é a sua omnipresença. É infindável a lista de produtos que têm origem na indústria petroquímica. É usado para produzir plásticos, remédios sintéticos, fertilizantes, herbicidas e pesticidas, champôs, cremes de barbear, desodorizantes, cortinas de plástico dos chuveiros, pastas de dentes, próteses dentárias, lentes de contacto, armações de óculos de plástico, batôn para os lábios, fraldas descartáveis, materiais impermeáveis como o goretex, solas de sapatos, asfalto das estradas, frigideiras antiaderentes, cartões do banco, computadores, telefones, CD, DVD, bolas de golfe, pensos rápidos, cola, pacemakers, meias de vidro de senhora....

O FIM: MITO OU REALIDADE?

Com as recentes descobertas mundiais de grandes jazidas - nomeadamente em Angola, Brasil e Golfo do México -, será absurdo questionar a certeza dos defensores das teorias do peak of oil, que anunciam o fim do petróleo nas décadas mais próximas? Estarão, afinal, errados? Sim e não. Sim, porque, de acordo com as suas previsões pessimistas, o petróleo já deveria ter entrado em declínio. Não, porque esse declínio irá efectivamente acontecer, embora mais tarde. Para os especialistas Jorge Salgado Gomes e Fernando Barata Alves, autores do livro O Universo da Indústria Petrolífera, Da Pesquisa à Refinação, é certo que «as reservas de petróleo e gás registaram um crescimento sustentado ao longo da última década», no entanto, sendo significativas, apenas «compensam o declínio noutras áreas» do globo. «As produções de petróleo e de gás continuam a aumentar, mas o início dos seus declínios acontecerá neste século, primeiro o do petróleo, algumas décadas depois o do gás», pelo que o melhor mesmo é os países «apostarem em novas formas de energia», como as «renováveis e a nuclear, através de um mix energético equilibrado e economicamente sustentado».

DE ECOLÓGICO A POLUENTE

As primeiras sondagens de pesquisa foram efetuadas em Portugal no início do século passado, em 1905, mas foi na Pensilvânia, EUA, que o petróleo foi descoberto, em 1859. Nessa altura, curiosamente, foi encarado como uma forma de iluminação ecológica, quando o querosene (derivado do petróleo) veio substituir o óleo de cachalote, até então usado para iluminar as casas. Esse recurso estava a levar ao extermínio das baleias no Atlântico Norte.

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