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Ele sabe o que estamos a pensar

Ele sabe o que estamos a pensar

por Rui Pedro Tendinha. Fotografia de Diana Quintela/GI

JOÃO BLÜMEL não tem superpoderes mas lê a mente das pessoas em espetáculos fora do vulgar. Entre a psicologia avançada e o ilusionismo, este «mentalista» está a criar uma onda de curiosidade em Portugal e no estrangeiro.

Aos 26 anos, é possivelmente o primeiro mentalista mediático em Portugal. Ou mind-reader. Nos seus espetáculos, executa a arte de «entretenimento psicológico». Mais do que adivinhar o que as pessoas estão a pensar, «o mind-reading é uma ponte entre ilusionismo e técnicas de psicologia, sugestão e linguagem corporal», diz João Blümel. Uma arte performativa, que funde princípios de teatro, ilusionismo e psicologia. «O que faço é analisar, prever e controlar a mente humana, com base em métodos terrenos e palpáveis.» Este one-man-show já passou pela televisão nacional, onde descobriu a palavra que Ana Markl estava a pensar num programa do Canal Q, ou um desenho idealizado por Conceição Lino na SIC.

Mas afinal, como é que ele faz aquilo? A dúvida é pertinente, sobretudo depois de ver um espetáculo deste descendente de avô austríaco. A resposta vem com sorriso: «No palco estou mais concentrado, depois de tantos anos a estudar estas técnicas é impossível abstrair-me. Por exemplo, noto logo quando alguém me mente...» Não convém nada gesticular muito quando falamos com ele nem desviar o olhar... Para ele, o importante é comunicar, de preferência com boa disposição. «Quero que as pessoas se divirtam no meu espetáculo. Quando leio a mente de alguém nunca leio os segredos mais íntimos. Poderia er possível, mas não tenho o menor interesse. Isso não é showbiz.»

Tudo começou na infância: «Lembro-me de ter 4 anos e ver magia em televisão e ficar fascinado com tudo aquilo. Aos 9 anos recebi uma caixa de magia do Luís de Matos e comecei obsessivamente a aprender aqueles truques e a pesquisar tudo sobre magia close-up [truques de cartas e pequenos objetos]». Mais tarde descobriu em casa da avó «uns livros dos anos 1960 sobre psicanálise, grafologia e psicologia». E além disso, recorda-se da capacidade inata de observar e analisar pessoas. «Olhava para alguém da minha idade e era capaz de dizer que profissão queria ter quando fosse grande ou quais os seus gostos principais... era estranho. Tinha também tendência para ser sempre o "psicólogo" das minhas amigas.»

Tinha 15 anos quando fez o primeiro show de ilusionismo. Entretanto licenciou-se em Fisioterapia, mas nunca abandonou a paixão pelo entretenimento.

A chave do seu «poder» assenta numa forte dosagem de Neuro-Linguistic Programming, ou Programação Neurolinguística (PNL), um conjunto de técnicas de linguagem e sugestão que permitem influenciar o comportamento humano. A técnica surgiu como acidente e com outro propósito: «Um amigo falou-me de PNL como técnicas de linguagem que podiam ser usadas na sedução... Achei ridículo mas fui pesquisar.» Desde então, leu tudo o que encontrou sobre este tema. Sobre isso da sedução, confessa que não usa as suas técnicas para ter sucesso com as mulheres, preferindo concentrar esse conhecimento todo no palco...

E sim, o fascínio pelo palco é assumido. E usado com mestria. E humor. Muito humor. «Acima de tudo sou um entertainer.» Brinca com o público, sorri muito e desconstrói todo o silêncio que a atuação encerra. «Antes de ter esta personagem tentei outros estilos. Anteriormente, pensava que um mentalista tinha de ter uma imagem séria. Em tempos, controlava-me para não fazer piadas, o que era complicado. No outro dia apareceu-me no palco um senhor chamado Jesus! Estar a fazer um espetáculo de mentalismo a Jesus só pode resultar num interessante momento de humor.»

E o que se faz afinal num espetáculo destes? «Leio a mente das pessoas de uma forma cética, baseada em conceitos lógicos e intuitivos. Não falo em poderes especiais, capacidades mediúnicas ou telepatia. O espetáculo pode ir até hora e meia e consiste em chamar pessoas para o palco aleatoriamente e pedir-lhes para pensarem em palavras, objetos, nomes ou números. Depois adivinho aquilo em que estão a pensar.» Simples.

João Blümel atua sobretudo em festas de empresas há quatro anos. Para o público em geral, começou em 2008 a levar a uma série de teatros e pequenas salas do país o Espetáculo deMente, onde tem uma forte interação com a audiência. O público gosta do estilo descontraído que lembra um comediante de stand up. Mas as coisas estão a correr francamente bem ao entertainer. E no verão passado estreou um espetáculo inteiramente em inglês, em Los Angeles. Começou com um convite do ilusionista português David Sousa, que no mítico Magic Castle dirigiu a Primeira Semana de Magia Portuguesa. Blümel integrou a comitiva. «Foi um marco na minha carreira.» Depois ficou por lá durante três meses e conseguiu atuações em Nova Iorque, onde o mentalismo está mais difundido, quanto mais não seja pelo sucesso de séries televisivas como O Mentalista ou Lie to Me.

E agora, o que se segue? «Quero atuar em todo o mundo. Tenho mesmo ambição, a vida é muito curta. É importante sermos ambiciosos e a minha felicidade passa pelo palco. Por mim atuava todos os dias!» Os contactos com um canal privado poderão resultar num formato televisivo, mas para já isso terá de esperar: no final do mês vai viajar até aos Estados Unidos para uma digressão preparada pelo seu agente do outro lado do Atlântico. Antes disso passará pelo Clube Ferroviário, em Lisboa, em data a anunciar, e pelo Cinestúdio Mário Viegas, no dia 18.

JOÃO & VINCE

João Blümel é mentalista, Vince Lynch é hipnotista. O português de ascendência austríaca e o inglês têm dado espetáculos em Portugal e preparam-se para fazer dupla nos EUA. «Eu sou capaz de ser mais ativo, já que consigo que as pessoas mudem o seu pensamento. A hipnose é a coisa mais cool do mundo. Uma ciência que está sempre a mudar.» O londrino parece seguro de si e da química que tem com Blümel, em grande parte assente no humor e nos problemas da tradução - Vince não fala português. «Poucas pessoas estão habituadas a ver o que fazemos, especialmente quando consigo adivinhar o pin do seu telemóvel ou quando as faço esquecer o seu nome...» Vince Lynch é um dos criadores do conceito de street hypnosis, um movimento que surgiu em Inglaterra e consiste em hipnotizar pessoas na rua de forma casual.

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