Sampaio da Nóvoa: "É nas ruas que se ganha a democracia"

Descida no Chiado só parou na Rua Augusta. Com últimos apelos à mobilização e ao voto no domingo. "Nóvoa amigo, o povo está contigo", gritou-se

Se o povo está com Sampaio da Nóvoa, só domingo se saberá, mas esta sexta-feira uma multidão, que preenchia um pouco mais de metade da Rua do Carmo, desceu o Chiado, em Lisboa, a gritar "Nóvoa amigo, o povo está contigo".

É uma sondagem que não conta, mas com a qual conta Nóvoa. "Este era o dia, este era o momento e fez-se a tempo de ganhar as eleições", atirou o candidato já no final da arruada, que não se ficou pelas ruas Garrett e do Carmo e ainda passou pelo Rossio e foi Rua Augusta fora, até quase ao Arco, parando junto à Rua do Comércio.

Aí insistiu na ideia, que já tinha referido no final da arruada da véspera no Porto, de que "é nas ruas que se ganha a democracia, que se ganha a liberdade e que se ganha o futuro". "Não é fora das ruas", apontou. A retórica foi de apelo ao voto, para que ninguém desmobilize. "A vitória aconteceu aqui hoje, é hoje que a construímos", disse, num pequeno palanque.

Durante ao percurso, Nóvoa reconheceu que "houve um momento" em que as pessoas sentiram que era possível outro resultado nestas eleições. "As sondagens também foram importantes", disse aos jornalistas, apesar de todas apontarem para a vitória de Marcelo Rebelo de Sousa, mas abrindo a porta a uma segunda volta. "Mostraram que está muito empatado", atirou, referindo-se à votação no limiar dos 50% do candidato apoiado pelo PSD e CDS.

O passo estugado e a bolha de repórteres não ajudaram Sampaio da Nóvoa a fazer o que ele mais gosta: ir ao encontro das pessoas e cumprimentá-las. Mas ainda foi parado por pessoas, como Vicência da Silva, a "senhora de cor de rosa", como voltou a apresentar-se, e que na campanha das eleições legislativas saiu ao caminho de Passos Coelho para criticar as baixas reformas. Ou Manuel João Vieira, o eterno "candidato Vieira", que nunca conseguiu o número de assinaturas necessário para se candidatar.

Houve turistas que lhe acenaram, quando reconheceram a cara do folheto que lhes deixaram na mesa das esplanadas pouco cheias da Rua Augusta. Nóvoa lá seguia, ladeado por Rosa Mota e Teresa Salgueiro, a antiga vocalista dos Madredeus e sua mandatária nacional, num desfile em que se reconheciam muitos socialistas (Correia de Campos, Duarte Cordeiro, Edite Estrela, Elza Pais, Gabriela Canavilhas, Pedro Delgado Alves) ou o fundador do Livre, Rui Tavares, mas onde os rostos anónimos eram uma imensa maioria.

À passagem da arruada, um casal inglês interpelou o jornalista. "Candidata-se a?". E, depois, perante a resposta se Nóvoa era de esquerda ou de direita, o aceno de concordância. "Better! Não é de direita!". Mas eles não votarão no domingo.

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