Refugiados sírios têm escolas, médicos e ensino do português à espera

Vieram da Síria mas também da Eritreia os 17 refugiados que ontem chegaram a Lisboa, pais e mães com as suas crianças

Portugal recebeu ontem o segundo grupo da recente vaga de refugiados. São 17 pessoas que fogem da Síria, onde a guerra civil parece interminável, e da Eritreia - a "Coreia do Norte africana", pela repressão levada a cabo pelo regime (como a descreveu o jornal brasileiro Folha de S. Paulo). Já estavam asilados em países terceiros, fora da União Europeia, e serão agora reinstalados em Lisboa e Penela.

Escolas para as crianças, cuidados de saúde, aulas de português e formação profissional estão já garantidos para estas famílias que procuram reconstruir as suas vidas no nosso país. "Estes grupos da reinstalação têm à sua espera um projeto de dez meses que inclui aprendizagem da língua portuguesa, saúde e escolas para as crianças", explicou aos meios de comunicação social o diretor adjunto do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), Luís Gouveia.

Com os que chegaram no sábado e com a desistência de uma família de cinco pessoas, que recusou vir para Portugal e que ficou no Cairo (Egito), ascendem a 40 os refugiados que vão ser acolhidos em Lisboa, Sintra e Penela (distrito de Coimbra).

As duas famílias que aterraram às 15.00 de ontem em Lisboa são compostas por um casal sírio (o homem com 37 anos e a mulher com 32) e os quatro filhos, com idades entre 1 e 5 anos.E uma mãe eritreia com 39 anos e os seus três filhos de 10, 8 e 6 anos. Nesta primeira fase de integração em Portugal, vão já aprender a para eles exótica língua portuguesa. Os sírios falam a língua árabe e os eritreus a língua tigrina. Conseguem ainda falar algum inglês, como o DN constatou no aeroporto.

A família síria seguiu para Penela, onde se juntará a outros refugiados que chegaram no sábado, sendo acompanhada pela Fundação Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional de Miranda do Corvo (FADFPMC). A mãe eritreia e os três filhos ficaram em Lisboa, aos cuidados do Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS). Outra organização não governamental, o Centro Português para os Refugiados (CPR), acolhe os que vão para Sintra. Cada uma destas organizações recebeu 20 mil euros do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras para atender às primeiras necessidades dos refugiados, nomeadamente o alojamento com rendas acessíveis, através de protocolos com as autarquias de Penela, Lisboa e Sintra, e acesso a programas de formação profissional, adiantou o diretor adjunto do SEF, Luís Gouveia. Essa verba é apenas 20% do total, sendo o restante montante (240 mil euros) assegurado pela União Europeia.

"Numa primeira fase os refugiados vão aprender a língua portuguesa e depois haverá uma segunda etapa com formação profissional. No espaço de uma semana o SEF vai emitir autorizações de residência provisórias que lhes permitirá obter trabalho", referiu o responsável.

Família desistiu de Portugal

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras recebeu a "informação do ACNUR (agência da ONU para os refugiados) no Cairo de que uma família com cinco elementos tinha desistido do programa de reinstalação em Portugal. É um programa voluntário e em qualquer altura podem desistir", adiantou Luís Gouveia, sem concretizar o motivo. "Esta foi a informação inicial que o ACNUR nos deu." Devido a essa desistência, "do contingente de 45 pessoas só vamos receber 40. Esses cinco estavam previstos chegar hoje (ontem) no voo das 19.00".

Entre os refugiados estão pessoas com um nível médio de qualificação e uma pessoa com um curso superior na área de contabilidade. As profissões desempenhadas nos países de origem são variadas, desde canalizador, alfaiate, vendedor, até contabilista com curso superior e um técnico de física e química. Regra geral as mulheres não tinham ocupação profissional anterior, refere o SEF.

Os 40 deslocados que chegaram agora a Portugal "só poderão circular pela Europa finda a primeira fase da integração". Segundo o diretor adjunto do SEF não será preciso um plano especial de segurança para os acompanhar, uma vez que o risco não é considerado elevado.

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