PSD prepara voto contra o Orçamento de Centeno

Em Santarém, deputados preparam hoje e amanhã o ataque ao orçamento do PS. Passos não abriu o jogo na comissão permanente, mas o voto contra é a hipótese mais provável

Nem a favor, nem abstenção violenta: a bancada laranja vai votar contra o orçamento de Centeno, apurou o DN junto de fontes da direção do partido e da bancada. O PSD inicia hoje as jornadas parlamentares em Santarém com os deputados a prepararem a estratégia para o debate do Orçamento do Estado para 2016, que se realiza segunda e terça-feira.

Segundo fonte próxima da direção nacional há mesmo a hipótese de Passos Coelho anunciar esta posição amanhã no encerramento das jornadas parlamentares. A mesma fonte explicou que "Passos considera que a abstenção responsabilizaria o PSD e obrigaria a contrapor com medidas que, a serem aceites pelo PS, só iriam vincular-nos ao orçamento. Está fora de hipótese".

Mesmo assim, Passos continua a não dar a resposta final a título oficial. Já no caso do orçamento retificativo - que tinha por princípio resolver a situação do Banif - só dez minutos antes da votação é que foi decidida a abstenção que viabilizaria o documento, numa reunião da bancada na sala do Senado.

Para já as ordens são as de preparar o voto contra, embora Passos Coelho não tenha aberto o jogo na reunião da cúpula do partido (a comissão política permanente) que se realizou na última terça-feira.

Fonte da direção da bancada recusou-se a dizer de forma taxativa que o voto ia ser contra, mas disse que "não faz sentido ser o PSD a dar a mão ao PS nem a colar-se a um orçamento relativamente ao qual está completamente contra".

Entretanto, o partido e a bancada já vão fazendo declarações nesse sentido. Na mesma terça-feira da comissão política, o vice-presidente do PSD José Matos Correia deu uma entrevista à Renascença, onde disse que o PSD irá "fechar a porta" a entendimentos com o PS, depois de António Costa ter sugerido "consensos políticos amplos".

E a porta fechada é extensível ao OE 2016, pois - como disse Matos Correia na mesma entrevista - "se um orçamento não for aprovado em Portugal, é porque o PS não fez as opções que devia."

Matos Correia destacou ainda que "seria no mínimo estranho que o governo liderado pelo PSD fosse derrubado pelo governo do PS e que nós agora tivéssemos que servir de muleta à governação do PS".

Também do lado da direção da bancada parlamentar do PSD começam a existir declarações no sentido da rejeição do Orçamento de Estado. No mesmo dia, em declarações ao Público, o líder da "bancada laranja" não deu o sentido de voto, mas admitiu ter uma opinião "bastante negativa sobre o Orçamento".

Luís Montenegro disse mesmo ao diário que "quem tem de responder pela aprovação são os partidos de esquerda".

Nas jornadas que começam hoje em Santarém o prato forte é o Orçamento. Logo na abertura, esta manhã, Luís Montenegro não deve ignorar o assunto e esta tarde haverá um painel sobre "Finanças Saudáveis " e amanhã sobre"Caminhos seguros para um crescimento económico duradouro". Esta noite há Guterres, mas sobre migrações.

Os deputados vão ter oportunidade para refletir sobre o OE, sendo que, desta vez, a decisão de votar contra será mais consensual do que a abstenção no retificativo. "Na altura estava tudo muito quente e houve deputados que não compreenderam ser o PSD a dar mão ao PS", lembra fonte da bancada.

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