Portugal e Brasil estudam partilhar ensino do Português em Timor-Leste

Ministro da Defesa diz que há "problemas relevantes" no domínio da língua que prejudicam eficácia dos programas de cooperação técnico-militar.

Os ministérios da Defesa de Portugal e do Brasil estão a estudar formas de partilhar custos e vantagens no ensino da língua portuguesa aos militares de Timor-Leste, disse esta quarta-feira o ministro Azeredo Lopes em Lisboa.

O governante, que intervinha na abertura da conferência "A Cooperação Militar no Âmbito da Comunidade de Países de Língua Portuguesa: Desafios e Oportunidades", organizada pela Comissão parlamentar de Defesa, explicou que se trata de focar o ensino da língua na área militar.

"Estamos perante uma nova geração de militares" timorenses que "domina mal o Português", pelo que é necessário prever e adotar novas abordagens no ensino da língua para esses militares, explicou Azeredo Lopes aos jornalistas.

O objetivo de partilhar custos ou articular políticas com o Brasil nesse campo tem por base alguns pressupostos: não duplicar esforços, permitir que o investimento seja mais vantajoso para as partes e, ainda, ter "a certeza que deixará de haver cooperação técnico-militar" com Timor-Leste "se não houver compreensão linguística" com os militares timorenses, referiu o ministro da Defesa.

"A formação linguística pode carregar termos técnicos" da área técnico-militar, sublinhou Azeredo Lopes, adiantando que o projeto tem de envolver o Instituto Camões e o acordo com o Brasil nesse domínio deverá ficar concluído nos próximos seis meses.

Num plano bilateral, Azeredo Lopes destacou a importância de promover o ensino da língua portuguesa na Guiné-Equatorial também por motivos políticos, dado que esse país é agora membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e até vai organizar a próxima reunião dos ministros da Defesa dessa organização.

O presidente do Parlamento, Ferro Rodrigues, disse por sua vez que "a cooperação na segurança e defesa é um bom ponto de partida" para a CPLP "assumir uma nova ambição" ao fim de duas décadas de existência e para os seus responsáveis perceberem "melhor os valores e os interesses" que os unem.

Eduardo Ferro Rodrigues afirmou ainda que "nada [é] mais ilusório" do que aceitar, quando se fala em cortes orçamentais, que a área da Defesa seja uma das primeiras a ser atingida, desde logo porque a presença das Forças Armadas em missões no exterior "é um instrumento decisivo de afirmação externa" dos interesses portugueses.

No caso específico da cooperação técnico-militar, a sua importância "vai muito para lá das missões técnicas, na medida em que funciona mesmo como prolongamento da nossa presença, da nossa política externa e dos nossos interesses junto desses países com que cooperamos", enfatizou o presidente da Assembleia da República.

"É o próprio conceito de economia de defesa que se pode desenvolver e ganhar dimensão, em especial no espaço da lusofonia", assinalou ainda Ferro Rodrigues na cerimónia de abertura da conferência organizada pela comissão parlamentar de Defesa, presidida pelo deputado Marco António Costa (PSD).

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