PCP reclama do "ritmo" do Governo no aumento do salário mínimo porque 600 euros "não é irrealista"

Jerónimo de Sousa insiste em aumento até 600 euros

O secretário-geral do PCP defendeu hoje que "o ritmo" do Governo não está a ajudar à valorização do trabalho em Portugal, mas insistiu que 600 euros de salário mínimo nacional (SMN) "não é irrealista".

Durante uma visita à fábrica de confeção de roupa interior Huber Tricot, em Santa Maria da Feira, em que lamentou o facto dos funcionários ganharem apenas "dois euros acima do salário mínimo nacional" e acumularem demasiado serviço em banco de horas, Jerónimo de Sousa opôs-se a que a valorização salarial em estudo pelo Governo tenha como limite os 580 euros.

"É fácil perceber que o ritmo [de aumento salarial] que o Governo pretende não é correspondente com aqueles que são os anseios profundos de centenas de milhares de trabalhadores portugueses que vivem com o SMN, o que dificulta a sua vida e tem uma ligação muito estreita com o seu futuro de pensionista - porque, tendo salários baixos, teremos sempre reformas baixas", explicou o líder dos comunistas.

O aumento do SMN, que é atualmente 557 euros, para 580 euros é, portanto, "insuficiente" para o PCP.

"Não é tão irrealista uma proposta de 600 euros, suportável pela generalidade das empresas", afirmou Jerónimo de Sousa.

Por isso mesmo, acrescentou, "é que baixar a fasquia a esse nível pode não ajudar a esta luta justa".

Para os comunistas, a valorização do SMN constitui-se assim como "uma questão incontornável" da agenda governamental, a par de "outras propostas ao nível da fiscalidade, da legislação laboral e das reformas e pensões".

"É preciso continuar a avançar e não a parar e recuar", realçou o secretário-geral do PCP, reconhecendo que, nessa estratégia, a ajuda do BE terá a devida influência.

"Não estou a ver o Bloco ser contra esta proposta, mas, se baixa a fasquia, o próprio poder negocial fica altamente condicionado", concluiu.

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