Paulo Morais demitiria primeiro-ministro que não cumprisse promessas

Candidato presidencial diz que provocará instabilidade política na defesa das pessoas

O candidato presidencial Paulo Morais disse hoje em Coimbra que, se for eleito, não hesitará em gerar alguma instabilidade na política se ela for necessária para criar estabilidade na vida das pessoas.

Ao contrário de outros candidatos à Presidência da República, "eu não defendo a estabilidade, defendo alguma instabilidade na política para que, depois, haja alguma estabilidade na vida das pessoas", afirmou Paulo Morais, em declarações à agência Lusa, à margem de uma sessão de apresentação e debate sobre a sua candidatura, promovida pelo Instituto Politécnico de Coimbra.

"Se um primeiro-ministro mente ao povo, está em causa, do meu ponto de vista, o regular funcionamento das instituições, circunstância na qual, nos termos constitucionais, o Presidente da República pode e deve demitir o Governo", sustentou o matemático e antigo vice-presidente da Câmara do Porto.

"Não é aceitável que os políticos prometam tudo e depois cheguem aos lugares e façam exatamente o contrário daquilo que tinham dito", salientou o candidato presidencial, referindo que os anteriores primeiros-ministros "Durão Barroso, José Sócrates e Passos Coelho todos eles prometeram não aumentar os impostos e mal chegaram ao poder fizeram exatamente o contrário".

"Comigo [na Presidência da República] um primeiro-ministro que, no exercício das suas funções, faça o contrário do que prometeu na campanha eleitoral, obviamente demito-o", assegurou.

Quando "um cidadão eleitor coloca uma cruz num boletim de voto está a firmar um contrato" com "um determinado candidato", que se compromete a cumprir, perante o eleitor, o seu contrato eleitoral, o seu programa eleitoral", defendeu Paulo Morais, salientando que "um ato eleitoral vincula eleitos e eleitores".

A instabilidade "pode vir a ser um problema, mas é muito mais grave haver quem minta descaradamente à população", sublinhou Paulo Morais, defendendo que, "às vezes, é preciso um pouco de instabilidade".

De resto, "não há nada mais estável do que um cemitério, não há nada mais estável do que um pântano", salientou o candidato, questionando se é possível haver estabilidade na vida, por exemplo, de quem ganha 200 euros por mês.

"Se for precisa instabilidade para que as pessoas deixem de viver na miséria, então venha a instabilidade", sustentou, considerando que, por vezes, é necessário, "agitar as águas para limpar as águas do pântano".

Não foi com estabilidade que D. João II promoveu os descobrimentos, que o Marquês de Pombal criou a região demarcada do Vinho do Porto, que D. Dinis mandou plantar o Pinhal de Leiria ou que D. Afonso Henriques fundou Portugal, exemplificou Paulo Morais, que antes de participar naquela sessão se deslocou à Igreja de Santa Cruz (e panteão nacional), na Baixa de Coimbra, onde estão os restos mortais dos dois primeiros reis de Portugal, para homenagear Afonso Henriques.

A sessão de hoje, no auditório do Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra, foi a primeira de uma série que o Politécnico de Coimbra está a promover, com o apoio do Diário As Beiras, com os candidatos presidenciais.

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