Passos assume responsabilidade "indeclinável" para governar

Institucional, o primeiro-ministro indicou as prioridades e combates do seu Governo como se o "amanhã" não fosse incerto

"Portugueses" foi a palavra mais proferida por Pedro Passos Coelho no seu discurso, ontem, no Palácio da Ajuda, onde decorreu a cerimónia de tomada de posse do XX Governo Constitucional. Catorze vezes. Mais do que "governo" (11), mas muito menos do que "diálogo" (uma) ou "compromisso" (quatro). Pudéssemos tirar conclusões políticas rigorosas sobre a "inocência" da seleção destas palavras e, provavelmente, teríamos a pulsação do que vai no pensamento de Pedro Passos Coelho.

Neste momento, quando sabe que o seu governo está a prazo, os "portugueses", muito mais que o "diálogo" ou "compromisso" com o PS, devem ser o seu principal alvo. Será porque serão eles os seus atentos espectadores quando for o líder da oposição e quiser voltar ao poder? Foi para eles que falou especialmente. "Tendo recebido dos portugueses um mandato claro para governar, aqui assumo hoje, na presença de Sua Excelência o Senhor Presidente da República, a responsabilidade indeclinável de respeitar essa vontade expressa pelos portugueses", declarou, deixando alguns avisos para os riscos de essa "vontade" não se concretizar.

"Desrespeitar o esforço dos portugueses traduz-se por pôr em risco tudo o que junto alcançámos!", sublinhou, salientando que "num contexto em que a incerteza tem um custo tão elevado, em que a confiança rapidamente se destrói e em que a competitividade facilmente se evapora, os desvios precipitados poderiam deitar tudo a perder", assinalou, destacando a "classe média" como "entre os portugueses, os mais desprotegidos e mais vulneráveis" que iriam "pagar o preço, como foi pago no passado".

Passos dedicou apenas um parágrafo a falar em "diálogo" e "compromisso", embora sem referir o PS, apenas para dizer que "o governo agora empossado tem ainda o encargo, com humildade, de mostrar abertura ao compromisso leal e responsável que os portugueses também apontaram como propósito indispensável a assumir por todos os agentes políticos, sociais e económicos para a conformação das políticas públicas". Mas, frisou,"sem desvirtuar a matriz de valores que sustenta o programa sufragado pelos eleitores".

Estabeleceu as duas "principais prioridades" para o seu mandato, uma delas, "quebrar os ciclos de pobreza", a aproximar-se daquela que tem sido uma das "palavras de ordem" de PS, BE e PCP contra Passos a quem acusam de ter tido para o país uma "estratégia de empobrecimento". Aliás, em 2010, o então candidato a primeiro-ministro também havia dito que o país tinha de "sair deste ciclo de empobrecimento em que temos vindo a cair. Temos de atacar a crise de frente e vê-la como uma oportunidade".

Ontem, prometeu "confrontar as assimetrias sociais e territoriais, muitas vezes gritantes, que durante décadas se agravaram em Portugal", assegurando ainda que "as desigualdades resultantes de privilégios injustificáveis continuarão a ser combatidas, como foram nos últimos quatro anos", no seu governo.

A outra prioridade é a "modernização administrativa" para "colocar o Estado ao serviço dos cidadãos e não os cidadãos ao serviço do Estado". "É o cidadão que deve estar no centro das políticas públicas e é o Estado que deve organizar-se em função do cidadão. Queremos libertar as iniciativas individuais e coletivas, e não sufocá-las", deixou claro.

Quase a terminar uma promessa, que também serviria como uma luva na mão de um líder do maior partido de oposição a um provável governo de esquerda: "No governo, seremos os agentes permanentes e incansáveis de uma política positiva, que contraria o medo com a esperança e o cinismo com o trabalho dedicado ao serviço de todos os portugueses sem exceção. Combateremos a demagogia com o realismo e a política negativa com a mobilização para um Portugal mais livre, mais próspero e mais solidário." Bastava substituir "governo" por "líder da oposição".

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