Ordens tornam-se agências de emprego para combater a crise

Cristina Vieira tem 38 anos e é engenheira civil desde 2004. Mãe de dois filhos, procurou na bolsa de emprego da Ordem dos Engenheiros uma nova oportunidade profissional

Publicam ofertas de empresas para estágios ou contratos no país e no estrangeiro. Bolsa da Ordem dos Engenheiros já teve 270 anunciantes

As ordens dos médicos, dos farmacêuticos, dos engenheiros e dos arquitetos criaram bolsas de empregos onde têm disponíveis ofertas de trabalho em Portugal e no estrangeiro. Das quatro, apenas a dos médicos cobra dinheiro pela cedência do espaço. Criaram as bolsas quando a crise começou a arrastar muitos profissionais para o desemprego e quando emigrar se tornou o desejo ou uma opção forçada. Explicam que não são responsáveis pelos anúncios, mas têm regras para garantir a qualidade dos mesmos.

A bolsa de emprego da Ordem dos Médicos (OM) tem dois anos e recebeu 84 anúncios: 57 para o estrangeiro e 24 para Portugal. Hospitais públicos, clínicas privadas, instituições sem fins lucrativos. Neste ano já são 12 as ofertas. Foi a crescente procura de empresas que levou à cobrança do espaço, é explicado no site, onde se refere que não são aceites anúncios de firmas de trabalho temporário. São 150 euros pela inserção, 75 pela atualização e 500 euros para ter o anúncio na homepage por um mês, ficando depois na bolsa. A cobrança é para anúncios de instituições, empresas públicas, privadas e setor social. Médicos e instituições sem fins lucrativos não pagam. As ofertas ficam no site sem limite de tempo.

"Quando temos formação a mais para as necessidades, os médicos têm de procurar alternativas. A emigração é uma delas. Quisemos prestar um serviço aos médicos, informá-los sobre as disponibilidades de emprego no estrangeiro, e porque as empresas nos procuram. Somos meros intermediários. Canalizamos alguns dos proventos para o fundo de solidariedade. Também 2% das quotas serão canalizadas para este fundo", diz o bastonário, José Manuel Silva.

A Medicis Consult é uma das anunciantes com ofertas para França. Está a recrutar em Portugal há ano e meio. "O site da OM é mais uma opção. Estamos a fazê-lo pela segunda vez. A vantagem é que comunicamos para o público-alvo. Até agora houve um contacto motivado pelo site da Ordem", diz Fátima Garcia, referindo que os médicos portugueses "gozam de boa reputação em França" e "não é difícil encontrar vagas para interessados".

Em três anos emigraram cerca de 1300 médicos. A secção centro da OM criou o gabinete de apoio aos médicos a viver no estrangeiro. "Um dos objetivos é fazer uma compilação das possibilidades que existem para os médicos que já decidiram ir para fora, para fazerem uma escolha mais pensada. Queremos manter o contacto com estes médicos e criar um guia para facilitar o seu regresso. Não conheço nenhum médico que não queira voltar", explica Carlos Cortes, presidente secção Centro, referindo que não vê mal em se cobrar a empresas com lucro pelo espaço de anúncio.

Em 2014, a Ordem dos Farmacêuticos (OF) criou a bolsa de oportunidades. É gratuita e tem registadas 369 empresas e 3951 farmacêuticos. Em dois anos recebeu 221 ofertas de empresas registadas e mais 109 colocadas pela própria OF quando tem conhecimento de vagas nacionais e estrangeiras de entidades que não estão inscritas. Estão ativas 22 ofertas. "O desemprego entre os profissionais cresceu exponencialmente e os jovens farmacêuticos têm hoje cada vez mais dificuldades para entrar no mercado de trabalho, seja pela falta de oportunidades ou pelas condições oferecidas", explicou a OF ao DN. A bolsa permite ainda a colocação de currículos de candidatos, uma "ferramenta privilegiada" no recrutamento farmacêuticos.

31 mil visitas desde janeiro

A bolsa de emprego da Ordem dos Engenheiros (OE) foi criada há seis anos, é gratuita e só neste ano já teve 31 345 visitas e 270 anunciantes. De todas é a que assume maior dimensão em anúncios e visitas. Estão ativas 29 ofertas. Privilegiam os anúncios de membros da OE e contactam empresas que sabem estar a criar emprego para lhes dar a conhecer a bolsa.

"Desde a crise em 2010, a OE reagiu e quis ajudar os seus pares. A bolsa é um local onde em primeira mão podem recorrer. É uma inevitabilidade procurar emprego lá fora e é a vantagem de ter uma rede de informação desses mercados. A OE tem vindo a acolher regularmente iniciativas de divulgação de outros países, como Dinamarca, Bélgica e Reino Unido. A bolsa de emprego será sempre uma aposta a manter", explicou o bastonário Carlos Mineiro Aires.

Na Ordem dos Arquitetos, as bolsas de emprego estão divididas em três áreas: Sul, Norte e Nacional. Na zona Sul a bolsa foi criada em 2008 e é gratuita. Até hoje recebeu 2500 anúncios: 498 de oferta e 2005 de procura. São colocados por empresas, ateliês e arquitetos que trabalham por conta própria. Estimam 5000 visitas mensais.

"Constatamos que os nossos membros tinham muitas dificuldades em arranjar emprego. Criámos a bolsa para ser mais simples e rápido colocar ofertas e procura e não haver tanto tempo perdido. A falta de trabalho é generalizada, embora se note uma ligeira recuperação", aponta Rui Alexandre, presidente da secção Sul, referindo que os arquitetos portugueses são muito desejados na Alemanha e na Suíça.

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