"Não sou daqueles que partilha de uma visão catastrofista destas eleições. Somos o PSD"

Mauro Xavier, presidente da concelhia do PSD de Lisboa

Líder da concelhia de Lisboa do PSD demitiu-se em rutura com a direção do partido. A candidata a Lisboa, Teresa Leal Coelho no centro da polémica. CDS lamenta.

O presidente da concelhia de Lisboa do PSD, Mauro Xavier, formalizou a sua demissão, esta quinta-feira, numa carta enviada ao presidente do partido, Pedro Passos Coelho, no culminar de um período de forte contestação ao processo de escolha da candidatura à Câmara Municipal de Lisboa (CML). A opção de por Teresa Leal Coelho, deputada e amiga pessoa de Passos Coelho, acabou por ser a gota de água a fazer transbordar o copo de Xavier. Contactada pelo DN a candidata ainda não reagiu.

Mauro Xavier reconhece as "diferenças de opinião relativamente à condução deste processo", bem como a sua "divergência em relação à atual liderança". Mas garante que não é "daqueles que partilha de uma visão catastrofista destas eleições. Pelo contrário. Somos o Partido Social Democrata. Temos todas as possibilidades de vencer estas eleições".

No entanto, na carta enviada a Passos Coelho, publicada na sua página do Facebook. não esconde o clima de tensão que se tem vivido na estrutura partidária que comandava: "acredito que a candidata e o líder do partido devem ter toda a liberdade para tomarem as decisões que entenderem, como entenderem e quando entenderem. Ainda para mais quando a candidata recusou expressamente e publicamente dialogar ou reunir com a estrutura do PSD em Lisboa. A última coisa que desejo é que os militantes de Lisboa, ou a sua concelhia, sejam uma espécie de obstáculo, ruído de fundo ou pretexto. E também não é agora que vou aprender a participar politicamente sem dizer o que penso".

Ainda assim, manifesta a sua disponibilidade para ajudar Teresa Leal Coelho: "como social-democrata, como militante de base, com esse dever e sentido de responsabilidade, que participarei na campanha que agora começa", remata na carta.

Em declarações à Lusa esta manhã justificou a sua demissão com "divergências estratégicas e programáticas" relativamente às eleições autárquicas para Lisboa e considerou que "este não é o projeto que faria sentido" para a capital. Sublinhando que o combate se deve centrar "na oposição ao Fernando Medina e não nas divergências internas do PSD", Mauro Xavier explica que a sua demissão "não tem que ver nem com a forma como o nome foi escolhido, nem com o nome em si próprio". "Eu entendia que já deveríamos ter candidato a um ano antes das eleições e temos um candidato a seis meses das eleições", afirmou, lembrando que as divergências têm que ver "com a discussão do programa que irá ser apresentado à cidade e com o contributo que o PSD de Lisboa possa ter nesse processo".

A rota de colisão com a direção do partido já tinha dado os primeiro sinais quando Assunção Cristas se antecipou ao PSD e anunciou a sua candidatura a Lisboa. Mauro Xavier vincou logo a sua oposição a que o seu partido apoiasse a presidente do CDS, mesmo antes de Passos Coelho se pronunciar. "É bom lembrar que a última vez que um líder do CDS concorreu a Lisboa o PSD ganhou e a esquerda estava unida. Sempre defendi uma candidatura autónoma do PSD. Fico muito satisfeito pelo CDS ter a mesma opinião. Haverá tempo depois do congresso para discutir o candidato do PSD. Apenas posso confirmar que não será Assunção Cristas", escreveu na altura na sua página do Facebook.

O porta-voz da candidatura de Assunção Cristas, João Gonçalves Pereira, lamenta a demissão de Mauro Xavier. "Apesar de ter sido intransigente, pelo menos numa primeira fase, em relação a uma coligação com o CDS para as próximas autárquicas, no dia-a-dia de trabalho procurava sempre connosco encontrar soluções para os problemas, com uma grande abertura e diálogo". Gonçalves Pereira compreende a decisão de Xavier e acredita que a demissão não signifique o "abandono da política". "Ainda tem muito para dar ao PSD e ao país", assinala.

A demissão de Mauro Xavier será explicada e formalizada numa reunião da concelhia desta quinta-feira.

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