Marcelo condecora porteira portuguesa do Bataclan

Margarida Santos Sousa, porteira portuguesa que acolheu e tratou quem fugia daquela sala de espectáculos de Paris nos ataques de novembro.

Margarida Santos Sousa socorreu dezenas de pessoas que fugiam ao massacre naquela sala de espectáculos de Paris

Por feitos excecionais, o Presidente da República irá condecorar no Dia de Portugal Margarida de Santos Sousa, 57 anos, porteira em Paris há 35.

Razão: o facto de na noite de 13 de novembro de 2015 esta natural de Ermesinde ter abrigado e socorrido no prédio onde trabalha e mora, ao lado da sala de espectáculos Bataclan, cerca de 40 sobreviventes (dos quais sete feridos, uma das quais em estado grave, tendo todos sobrevivido) dos atentados terroristas que ali foram praticados por um grupo jihadista de três jovens franceses de ascendência magrebina.

Quando o massacre se iniciou, dezenas de pessoas fugiram do Bataclan - onde uma banda americana Eagles Death Metal atuava para cerca de 1500 fãs - e muitas abrigaram-se no prédio onde a porteira portuguesa ainda trabalha e mora (era o único nas redondezas que tinha a porta da rua aberta).

Foram socorridos pela porteira portuguesa e foi esse gesto que levou o Presidente da República a decidir-se pela condecoração. Marcelo Rebelo de Sousa iniciará as celebrações do 10 de Junho em Lisboa, com uma parada militar no Terreiro do Paço - onde irá condecorar alguns militares -, voando logo a seguir para Paris, acompanhado pelo primeiro-ministro. Na capital francesa agraciará três civis, um dos quais a porteira portuguesa. Os outros dois nomes ainda não foram revelados.

Ontem, ouvida pelo DN, Margarida de Santos Sousa declarou desconhecer as intenções presidenciais. "Ninguém me disse nada", insistiu. "Continua tudo na mesma. As coisas só mudariam se ganhasse o euromilhões", gracejou.

O ataque ao Bataclan foi um dos vários de autoria jihadista, assumidos depois pelo Estado Islâmico, que atingiram coordenadamente Paris em vários pontos na noite de 13 de novembro do ano passado. Com um total de 130 mortos - entre os quais sete dos atacantes -, tornaram-se no pior ataque terrorista de sempre na capital francesa.

No Bataclan, o massacre, que se iniciou cerca de uma hora depois do começo do espetáculo dos Eagles Death Metal, saldou-se por um total de 89 mortos. A estes há a somar a dos três atacantes: dois fizeram-se rebentar e um terceiro foi morto pela polícia. Foi o segundo grande ataque terrorista islâmico no mesmo ano em Paris, dez meses depois do que atingiu o jornal satírico Charlie Hebdo e a sua redação.

Um mês depois dos atentados, a porteira partilhou com uma jornalista da Lusa os seus sentimentos: "Se me dizem que sou uma heroína, que sou uma estrela, sinto-me mal. Não, não. Eu era Margarida, sou Margarida e continuarei a ser sempre a mesma Margarida. Nem mais, nem menos."

O único "pânico" que sentiu depois foi por causa dos vários jornalistas que a procuravam. "Não esperava tanta gente pela porta dentro. Tive recusar muita gente porque não paravam". "Quase uma semana depois, ainda estavam constantemente atrás de mim. Não estava a contar com nada disso. Quando o fiz, não era para ter jornalistas à porta nem câmaras nem ninguém a fazer-me perguntas. Para mim, sinceramente, foi aquele pânico e aquele horror em que tive de ajudar e dar carinho àquelas pessoas", contou a emigrante portuguesa.

Dois meses depois dos atentados a porteira portuguesa foi condecorada pela presidente da câmara de Paris, Anne Hidalgo.

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