Manuel Heitor: "A resposta política não deve ser paternalista"

Ministro acredita que a introdução gradual de eventos alternativos às praxes, e pressão para que comissões de praxes deixem de ser apadrinhadas e patrocinadas, é a melhor forma de ir substituindo o processo

Em agosto desafiou as instituições do superior a combaterem as praxes e comparou as comissões de praxes a sociedades secretas. Mas agora, que há um grupo de trabalho a recomendar medidas punitivas e preventivas concretas, parece mais apostado em promover alternativas às praxes. Mudou de opinião?

Não mudei de opinião. Tenho exatamente a mesma opinião sobre as praxes mas, também, o que aprendemos com este estudo é que a praxe é um processo socialmente enraizado. A resposta política não deve ser paternalista. Disse na apresentação do documento que não concordo com protocolos com as polícias ou com tutorias dos estudantes. Defendo que alcançaremos melhores resultados valorizando alternativas às praxes. Por isso é que estamos a valorizar e reorientar toda a ação política no sentido de criar alternativas às praxes. E a dar impulso a este movimento, o "exarp", que parte do Ministério mas queremos que envolva todos.

Claramente distanciou-se de algumas conclusões do estudo "A Praxe como Fenómeno Social", pedido pelo Ministério...

O estudo é um excelente documento de reflexão mas não concordo com alguma das conclusões ou sugestões que tentam sugerir ações de punição, e penso que não é isso que se deve fazer no ensino superior.

Mas estas iniciativas de índole cultural e artística, por bem intencionadas que sejam, terão alguma eficácia a impedir que algumas comissões de praxes - sobretudo as que têm o hábito de cometer excessos - continuem a incorrer nestes abusos?

O que diz também o estudo é que muitas das alternativas são pouco divulgadas, por isso o nosso esforço é promover alternativas. Quanto mais houver e melhor sejam divulgadas, menos atenção se dará às praxes humilhantes. E consciencializando os atores nesse sentido, gradualmente eliminaremos as praxes humilhantes. Amanhã [esta terça-feira, em Leiria, com um concerto da Orquestra Metropolitana de Lisboa], como símbolo do inicio da Primavera, daremos início a uma série de acontecimentos. Este é um processo que tem de ser gradual e socialmente aceite. Não acredito em medidas paternalistas nesta área nem em policiamento.

Se considera as comissões de praxes ilegais, porque não aceitou a proposta de bloquear verbas às associações que as apoiem?

Já reuni com o CRUP [Conselho de Reitores] e o CCISP [Conselho dos Politécnicos] e alguns dirigentes estudantis e pedi expressamente a todos que não reconhecessem comissões de praxe e, por outro lado estimulassem e divulgassem alternativas às praxes. Como também vou reunir com o setor das bebidas alcoólicas para estimular que não financiem nenhuma comissão de praxe e, pelo contrário, estimulem alternativas...

Tendo em vista acabar com as comissões de praxe sufocando o seu financiamento?

Exatamente.

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