Lisboa poderá voltar a ter crescimento da população

A cidade de Lisboa deve inverter nos próximos anos a tendência de perder população, que dura há 40 anos, afirmou o geógrafo Jorge Malheiros, após uma análise dos dados preliminares dos Censos 2011.

A diminuição da população residente na capital começou na década de 70 e nunca mais parou, mas os últimos números dos Censos revelam que "Lisboa reduziu muito o ritmo de perda", afirmou o investigador.

"Entre 1991-2001, a cidade perdeu 100 mil habitantes enquanto nesta última década perdeu apenas 15 mil", explicou à Lusa Jorge Malheiros, à margem do encontro que hoje reuniu no Instituto Nacional de Estatística (INE) especialistas ligados à investigação científica em demografia.

Segundo o docente universitário e investigador do Instituto de Geografia, "em 1981, Lisboa tinha cerca de 800 mil habitantes e atualmente tem 550 mil".

Os dados preliminares indiciam uma "tendência para a inversão, ou pelo menos atenuação, do declínio demográfico da população na cidade de Lisboa".

Nos últimos dez anos, a população da Área Metropolitana de Lisboa (AML) cresceu três vezes mais que a média nacional.

A migração continua a ser a grande responsável pelo saldo positivo: "Em todo o país, o crescimento da população deve-se 91 por cento ao saldo migratório e 9 por cento ao saldo natural", explicou por seu turno Fernando Casimiro, coordenador do Gabinete dos Censos do INE.

Quase 27 por cento da população nacional vive na AML, ou seja, "vivem quase 2,8 milhões de pessoas enquanto na Área Metropolitana do Porto são 1,6 milhões", afirmou Jorge Malheiros.

Na AML, os maiores crescimentos registaram-se nos municípios periféricos - Sesimbra e Mafra - enquanto na AMP o maior crescimento registou-se a norte da cidade do Porto.

Os dados preliminares dos Censos mostram ainda que a dimensão média das famílias está a diminuir, o que pode indiciar um envelhecimento da população.

No entanto, as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto têm comportamentos "muito distantes": no norte o ritmo de crescimento é inferior à média nacional enquanto na AML o crescimento "acelerou".

A terceira região com maior crescimento é a Península de Setúbal, onde também se verificou "uma atenuação do ritmo de crescimento", sublinhou Jorge Malheiros.

A desertificação do Alentejo foi outro dos temas debatidos no encontro: "O que é que aconteceu a Évora, Beja e até a Faro, que eram tão importantes e acabaram por perder essa importância?", questionou a presidente da Associação Portuguesa de Demografia, Maria Filomena Mendes, referindo-se à baixa taxa de crescimento migratório.

No total, a população residente em Portugal aumentou 1,9 por cento e as principais discrepâncias localizam-se a sul: o Alentejo perdeu 2,3 por cento e o Algarve ganhou 14 por cento.

Já a análise dos dados das regiões autónomas dos Açores e Madeira coube à investigadora Gilberta Rocha que salientou "o crescimento positivo nas duas regiões".

No caso dos Açores, a investigadora destacou o regresso dos imigrantes açorianos aos seus "locais de nascimento", uma situação que provocou o aumento total de pessoas com mais de 55 anos.

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