"Adeus, querido pai", o "nosso herói". Portugal despediu-se de Soares

Mário Soares foi sepultado esta terça-feira no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa

Portugal despediu-se hoje de Mário Soares. "Adeus, querido pai", "o pai era o nosso herói", foram as emocionadas palavras dos dois filhos, João e Isabel Soares, que discursaram na cerimónia que decorreu nos claustros do Mosteiro do Jerónimos. E que foi encerrada pelo presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa: "Em nome de todo o Portugal, obrigado Mário Soares".

Dos Jerónimos, a urna do antigo presidente da República seguiu em cortejo, com uma paragem em frente à Assembleia da República, onde deputados e funcionários parlamentares ocupavam as escadarias do palácio, e de onde deixaram uma longa salva de palmas. Mas foi no Largo de Rato, onde se situa a sede do PS, que milhares de pessoas se juntaram para o último banho de multidão a Soares. Foi ali que se ouviu repetidamente o slogan celebrizado na campanha presidencial de 1986 e que acompanhou o ex-chefe de Estado nos últimos 30 anos: "Soares é fixe". Muitos socialistas,anónimos e conhecidos, muitas rosas amarelas - as flores favoritas de Mário Soares.

Faltava pouco para as quatro da tarde quando se ouviu o Hino nacional no Cemitério dos Prazeres e, novamente, muitos aplausos à chegada do armão militar que transportou a urna. Já sob um profundo silêncio, dois militares entregaram às netas as insígnias de Soares, enquanto a bandeira nacional que cobria a urna foi entregue ao Presidente da República e por este confiado à família. Mário Soares foi sepultado no jazigo da família, onde está Maria de Jesus Barroso, companheira de 66 anos de Soares, falecida em julho de 2015.

E foi a voz de Maria Barroso que emocionou os cerca de 500 convidados que, ao início da tarde, estiveram no Mosteiro dos Jerónimos, no momento mais institucional daquele que foi o primeiro funeral de Estado após o 25 de abril. Nos claustros do mosteiro ouviu-se "Os dois poemas de amor da hora triste", de Álvaro Feijó, declamados por Maria de Jesus - uma escolha dos filhos que emocionou a sala.

Numa declaração gravada a partir da Índia, onde está em visita de Estado, António Costa evocou o "grande português de quem tivemos o privilégio e a honra de ser contemporâneos". "Mário Soares foi, em momentos decisivos, o rosto e a voz da nossa liberdade. Desse título, que era certamente aquele que mais lhe agradaria, raros homens se podem orgulhar", afirmou o primeiro-ministro, numa intervenção projetada num grande ecrã. "Mário Soares construiu a história", é um "exemplo de génio político, que alcançava o que parecia impossível de alcançar". De Soares, Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República, disse que "tinha a coragem dos grandes, sempre presente, nos momentos bons e menos bons". Já Marcelo Rebelo de Sousa destacou "o homem que fez história sabendo que a fazia mesmo quando tantos de nós se recusaram a reconhecê-lo".

Para amanhã, dia em que se assinala o terceiro dos três dias de luto nacional, está marcada uma cerimónia no parlamento.

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