"Quando olho para a Europa, tenho orgulho em voltar a Portugal"

O ex- Alto Comissário para os Refugiados da ONU foi condecorado esta manhã pelo Presidente da República e criticou a Europa na crise com os refugiados

António Guterres recebeu a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, que distingue aqueles que lutaram pela "dignificação humana" e pelas "causas da liberdade". "É difícil encontrar em Portugal outra pessoa que mais tenham lutado, a nível mundial" por ambas, disse Cavaco Silva, sublinhando a sua "imensa honra" em distinguir o ex-primeiro-ministro com esta condecoração. O Presidente da República sublinhou a "forma reconhecida como lidou com as crises mais dramáticas dos refugiados", na qualidade de Alto Comissário, elogiando também "as altas funções públicas prestadas em Portugal durante mais de 20 anos".

Cavaco lembrou o "novo desafio" de António Guterres, enquanto candidato a secretário-geral da ONU, para cujo desempenho, considera o Presidente da República, "tem indiscutivelmente perfil, experiência e conhecimento", além do "apoio generalizado dos portugueses".

Guterres agradeceu as palavras "carinhosas e gentis" de Cavaco e falou no "orgulho" de ser português. Apesar de ter estado fora do país nos últimos 10 anos e saber as "dificuldades que muitos portugueses passaram por causa da crise", não deixa de salientar o quanto "Portugal está hoje melhor do que antes de revolução de abril". O ex-secretário-geral do PS comparou a revolução portuguesa com a "forma desastrosa" com que outras ditaduras caíram, no Médio Oriente e África. "Olhando para o mundo à nossa volta, Portugal é hoje um espaço de paz, segurança e coesão nacional", sublinhou, "a lição de abril é admirável. Substituiu-se um regime sem sangue, criaram-se condições para uma sociedade civil pujante e até conseguimos acolher mais de 700 mil retornados. E fizemos tudo isto sem uma crise de identidade".

O candidato a secretário-geral da ONU diz que "isto é um enorme privilégio, sobretudo quando se olha para Estados mais ricos onde prolifera a intolerância e a xenofobia", enquanto em Portugal, "um país sem medos, sem ansiedades, a xenofobia nunca teve expressão política e a emigração nuca foi tema de campanhas".

Guterres lamenta que a União Europeia não tenha sido "capaz de se unir para responder à crise dos refugiados", concluindo com um "quando olho para a Europa, sinto orgulho em voltar para Portugal!".

A cerimónia contou com a presença, entre outros, do primeiro-ministro António Costa, e do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

Últimas notícias

Mais popular