Guerras internas apaziguadas nos 700 anos da Marinha

Os fuzileiros são forças especiais de Marinha cujas unidades não são deslocadas há anos para missões internacionais, o que explicará o seu emprego frequente em operações policiais ou nas praias em apoio das autoridades competentes

Ramo naval das Forças Armadas realiza na Póvoa de Varzim uma cerimónia militar e atividades paralelas com a comunidade local

A Marinha, após três anos de forte agitação interna, celebra hoje o seu aniversário num ambiente de pacificação que, mesmo se pouco consolidado, concretiza um dos objetivos assumidos pelo almirante Silva Ribeiro ao assumir, há meio ano, o cargo de chefe do Estado-Maior do ramo.

Com manchetes em 2016 a declarar que a "Marinha trava "conspiração" de almirantes" e que havia um "Almirante investigado por negócios suspeitos", traduzindo guerras de poder internas e dando azo a exonerações e processos judiciais, o novo chefe da Marinha esvaziou a tensão existente com a decisão de anular - facto inédito num ramo secular, que invocava "poderes discricionários" do chefe para demitir subordinados até o tribunal vir explicar que não - o despacho de exoneração de um vice-almirante.

A decisão revogou ainda os efeitos administrativos da medida do antecessor, Macieira Fragoso, e recolocou o vice-almirante Rocha Carrilho num cargo compatível com o posto de três estrelas. Argumento invocado? Ser "no presente momento a medida que melhor serve os interesses da Marinha", enfatizou Silva Ribeiro, condecorando em paralelo a mulher do antecessor e nomeando-o para presidir a duas comissões eventuais.

"Estou extremamente satisfeito com a coesão e com o empenho coletivo que tem sido evidenciado por todos os que servem Portugal na Marinha. Militares, militarizados e civis estão unidos e determinados em contribuir para o cumprimento da missão e para que o mar se constitua como um fator de desenvolvimento, de progresso e de bem-estar para os portugueses", frisa Silva Ribeiro (ver entrevista).

O capitão-de-mar-e-guerra Jorge Silva Paulo reconhece que "há pacificação", mas ressalva que "é sobretudo uma imagem de pacificação" para o exterior. "A pacificação tem dois lados" e agora a Marinha "transmite a ideia que as coisas estão a funcionar com mais entendimento", adiantou o oficial, que mantém o diferendo judicial com anteriores responsáveis do ramo.

Outra fonte, ouvida sob anonimato, adianta: "O despacho [a anular a exoneração de Rocha Carrilho], pelo menos, fez com que deixasse de haver ruído mediático sobre um assunto que afetava as instituições" militares e políticas.

Celebração alargada a todo o país

A cerimónia militar de hoje, na Póvoa de Varzim, assinala também - é aliás o tema central das comemorações - os 700 anos do decreto com que D. Dinis concedeu o título de almirante-mor ao genovês Manuel Pessanha e está na origem da criação da Marinha de guerra.

O ambiente de festa, alargado a Vila do Conde, é reforçado pela "grande interação com a comunidade local", segundo o programa divulgado. Batismos de navegação, atividades desportivas, exposições, navios e museus abertos ao público, atuações musicais, são algumas das iniciativas que marcam o Dia da Marinha em vários pontos do continente e ilhas.

Os cidadãos podem contactar com vários dos meios operacionais (ver infografia) com que a Marinha garante a defesa militar da República no mar, suporta a política externa em missões internacionais e ações de cooperação técnico-militar ou apoia as autoridades civis e policiais com que o Estado exerce a sua autoridade em tempo de paz e fora do estado de sítio.

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