63 mortos. Morreu bombeiro hospitalizado em estado grave. Há 135 feridos

Presidente da Liga dos Bombeiros confirma a morte de um bombeiro. Há 135 feridos. INEM revela que seis estão em estado grave

O número de pessoas que morreram no incêndio florestal que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, aumentou para 63, disse hoje o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses.

"Em relação aos cinco bombeiros feridos, tenho que dar esta triste notícia. O Gonçalo estava internado no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e há cerca de uma hora acabou por falecer. Efetivamente, os bombeiros portugueses estão de luto [...] já estavam de luto por aquilo que aconteceu a tantas pessoas que pereceram neste brutal incêndio. Agora choramos a morte de um dos nossos", afirmou aos jornalistas o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, junto ao posto de comando em Avelar, no distrito de Leiria.

Jaime Marta Soares confirmou que o morto é um bombeiro da corporação de Castanheira de Pera, 40 anos, casado e que deixa um filho.

Visivelmente emocionado, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses explicou que a vítima mortal tinha sido internada com ferimentos no rosto e queimaduras nas vias aéreas, adiantando ainda que era um dos bombeiros que se deslocava numa viatura no Itinerário Complementar 8 (IC8) que colidiu com um veículo ligeiro de civis e que tentaram salvar a vida dos outros, dando a própria vida.

Um cidadão francês está entre as vítimas mortais do incêndio florestal que deflagrou no sábado no Pedrógão Grande, distrito de Leiria, e que provocou a morte a 63 pessoas, anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros francês em comunicado.

"É com profunda emoção que soubemos do pesado balanço dos incêndios", lê-se no comunicado, divulgado na página internet do ministério.

"Um dos nossos compatriotas morreu nesses incêndios. O centro de crise em Paris e a nossa embaixada em Lisboa estão mobilizados para dar todo o apoio necessário aos familiares, a quem manifestamos total solidariedade", acrescenta o texto, que reitera a disposição de Paris para dar "todo o apoio" a Portugal.

O comunicado não identifica a vítima.

O último balanço dá conta de 63 mortos civis e 135 feridos, entre os quais 121 civis, 13 bombeiros e um militar da GNR. Dos 135 feridos, sete estão em estado grave: cinco bombeiros voluntários e dois civis. Há ainda dezenas de deslocados, estando por calcular o número de casas e viaturas destruídas.

Identificação das vítimas

"Há um trabalho todo de identificação que está a ser muito acelerado. Existem vitimas que é mais fácil a sua identificação e outras que existem outro tipo de testes mais complementares, mas penso que é um trabalho que está a decorrer com celeridade e em breve estará concluído", afirmou a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa.

A ministra explicou que as equipas só podem progredir no terreno se tiverem condições de segurança porque a prioridade número um é a salvaguarda de vidas humanas. Já foram identificadas 25 vítimas.

Já o comandante operacional da proteção civil, Elísio Oliveira disse que alguns maior aéreos, nomeadamente aviões pesados, já estão a operar em alguns setores.

"Este é um trabalho demorado. Vamos verificar como é que vai ser o evoluir da situação ao longo da tarde. Mas esta é uma situação complexa me que todos os operacionais que estão no terreno estão a dar o seu melhor para o mais rapidamente possível dominarmos este incêndio. Temos frentes já em operações de rescaldos e outras com frentes ativas", disse.

Elísio Oliveira, comandante que lidera as operações no terreno, afirmou que a situação se "mantém difícil" nos três distritos afetados pelo incêndio que começou em Pedrógão Grande - Leiria, Coimbra e Castelo Branco - mas "está a evoluir favoravelmente". "Muitos dos setores deste teatro de operações já estão dominados, muitos deles em fase de rescaldo", afirmou Elísio Oliveira.

Ainda assim, esta manhã choveu na zona de Pedrógão Grande. Os meios terrestres também "não conseguem aceder" a todos os locais.

O incêndio que deflagrou no sábado no concelho de Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, alastrou hoje para os distritos de Castelo Branco e Coimbra.

Há ainda dezenas de deslocados, estando por calcular o número de casas e viaturas destruídas

O incêndio que lavra em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, estava a ser combatido, às 14:15 de hoje, por mais de 1.100 operacionais, apoiados por 352 viaturas e dez meios aéreos, segundo dados da Proteção Civil.

Além de Pedrógão Grande, existem quatro grandes fogos a lavrar nos distritos de Leiria, Coimbra e Castelo Branco, mobilizando um total de cerca de 2.150 operacionais, 654 veículos e 16 meios aéreos no combate aos principais incêndios que lavram em território nacional.

Ainda no distrito de Leiria, o fogo no concelho de Alvaiázere, que deflagrou pelas 20:40 de sábado, continua em curso (incêndio em evolução sem limitação de área) e está a mobilizar 115 bombeiros e 36 veículos.

No distrito de Coimbra, dois grandes fogos mantêm-se em curso nos concelhos de Penela e Góis. A maior ocorrência verifica-se em Góis, com o fogo que deflagrou pelas 15:00 de sábado e que está a ser combatido por 600 bombeiros, auxiliados por 171 veículos. No concelho de Penela, o combate ao fogo que lavra desde as 21:15 de sábado envolve 167 operacionais, 50 viaturas e seis meios aéreos.

Segundo informação da ANPC, no distrito de Castelo Branco, encontra-se em resolução (incêndio sem perigo de propagação para além do perímetro já atingido) o fogo que lavra desde cerca das 18:10 de sábado no concelho de Oleiros, na freguesia de Orvalho, e que está a combatido por 135 operacionais, auxiliados por 45 viaturas.

Esta noite a ANPC mudou o posto de comando operacional que estava instalado em Pedrógão Grande para o concelho de Ansião, também no distrito de Leira, dada a necessidade de ter uma "melhor cobertura de rede".

A estrutura está agora localizada no mercado municipal da freguesia de Avelar, cerca de 20 quilómetros a oeste da localização anterior.

Nas últimas horas as autoridades reabriram todas as estradas do distrito de Leiria que estavam encerradas devido aos incêndios, mas mantém-se os cortes de vias nos distritos de Coimbra e Castelo Branco.

Dado o impacto do incêndio, o Ministério da Educação suspendeu as aulas e os exames nos concelhos de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos (distrito de Leiria), Sertã (Castelo Branco) e Pampilhosa da Serra (Coimbra).

Temperaturas altas vão continuar

Os distritos de Leiria e Coimbra, muito afetados pelos incêndios, vão continuar hoje com temperaturas elevadas, a rondar os 38 graus celsius, e vento que pode ser moderado a forte, avançou à Lusa o meteorologista Bruno Café. As mesmas condições climatéricas vão registar-se em Santarém.

De acordo com o especialista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a situação "não vai ser hoje muito diferente" da registada no domingo. "Em relação à temperatura, vai rondar os 38 graus de um modo em geral naqueles distritos. Vamos ter um dia com vento fraco, mas continuamos com alguma instabilidade que gera alguma convexão que pode ter associadas rajadas de vento", acrescentou.

O mesmo está previsto para todo o território: "De um modo geral o vento é fraco, mas é difícil de prever onde o vento se vai intensificar associado à instabilidade. Vamos também ter condições favoráveis a aguaceiros e trovoadas, principalmente no interior, mas também é difícil prever onde podem ocorrer"

O meteorologista do IPMA explica que o que favorece a propagação dos incêndios é o vento: "A temperatura é muito importante, mas o vento e a humidade relativa têm um grande peso e o vento é difícil de prever no dia de hoje por causa da instabilidade".

Bruno Café indicou que hoje vamos ter a continuação do tempo quente praticamente em todo o território, prevendo-se apenas uma pequena descida de temperatura máxima nas regiões do interior e no Algarve.

"Vamos ter avisos laranja para os distritos de Braga, Coimbra, Leiria, Santarém, Lisboa e Setúbal, até terça-feira, com exceção de Lisboa e Setúbal que estão apenas no dia de hoje", passando depois a amarelo.

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