Costa remete para Cavaco mais informações sobre ministros

António Costa com Cavaco Silva hoje em Belém

Novo governo tem 17 ministros - quatro são mulheres. PS "tem pressa para governar" [notícia atualizada]

O primeiro-ministro indigitado, António Costa, remeteu hoje para o Presidente da República outras informações sobre o novo Governo.

Junto da sede do PS, em Lisboa, António Costa começou por dizer aos jornalistas que vai procurar desempenhar a missão que o Presidente da República lhe deu. E acrescentou que "no momento próprio" o Presidente "dará notícia pública do que entender".

António Costa foi hoje indigitado primeiro-ministro e na tarde de hoje também entregou ao Presidente a lista do XXI Governo Constitucional, que segundo fonte de Belém está "em análise".

"O Presidente da República tem a lista e comunicará o que achar que deve informar o país, no momento que entender", repetiu António Costa, perante as perguntas dos jornalistas.

Horas antes, o presidente do PS afirmara que António Costa está em condições de apresentar o seu elenco governamental e o programa de Governo, esperando que a posse do novo executivo possa ocorrer esta semana.

De acordo com Carlos César, logo que o Governo liderado por António Costa seja empossado pelo Presidente da República, "pode nesse mesmo dia ou no dia seguinte proceder à aprovação do programa de Governo [no primeiro Conselho de Ministros] e remetê-lo à Assembleia da República".

"Espero que ainda esta semana o Governo possa tomar posse, que na próxima semana o programa de Governo possa ser aprovado na Assembleia da República - que, aliás, foi já aprovado pela Comissão Nacional do PS com as inclusões das alterações dos acordos firmados com o Bloco de Esquerda, PCP e "Os Verdes - e que um executivo de pleno direito possa dar início a um virar de página que reclamamos ao longo dos últimos meses", completou o líder da bancada socialista.

O presidente do PS fez depois questão de frisar que os socialistas têm "pressa em iniciar as suas funções no Governo, em governar bem e em servir bem os portugueses".

Esta é a composição do governo liderado por António Costa, segundo a TSF e SIC:

Primeiro-ministro - António Costa

Ministro das Finanças - Mário Centeno

Disse recentemente que estava disponível para "essa aventura intelectual, de debate e de pensar as alternativas económicas" para o país. É doutorado em Economia pela Universidade de Harvard, consultor do Banco de Portugal desde 2014, professor no ISEG e Universidade Nova. Esteve nas negociações com PCP, BE e Verdes, liderou a equipa que elaborou o cenário macroeconómico do PS e também fez parte do grupo que elaborou o programa de governo socialista. É um especialista em mercado de trabalho. Foi eleito deputado, pela primeira vez, nas legislativas de outubro.

Ministro Adjunto - Eduardo Cabrita

É um regresso aos governos do PS. Já tinha sido secretário de Estado em governos de António Guterres e de José Sócrates. Nestas novas funções ficará com a coordenação política e com o pelouro da Igualdade.

Ministro dos Negócios Estrangeiros - Augusto Santos Silva

Chegou aos governos socialistas, em 1999, pela mão de António Guterres. Foi quatro vezes ministro e por uma vez secretário de Estado. A marca de "socrático" surge nos governos de Sócrates quando liderou a pasta dos Assuntos Parlamentares e a da Defesa. Fará, agora, parte de um "núcleo duro" de coordenação política.

Ministra da Presidência e da Modernização Administrativa - Mª Manuel Leitão Marques

Foi "mãe" do Simplex e agora a coordenadora da "Agenda para a Década", na qual foram definidas as linhas mestras do programa eleitoral de António Costa.

Ministra da Justiça - Francisca Van Dunem

A Procuradora-geral adjunta está desde 2007 à frente dos destinos da Procuradoria-geral distrital de Lisboa. Antes, liderou o DIAP de Lisboa. Veio de Angola nos anos 70 para se licenciar em Direito pela Faculdade de Lisboa, curso que acabou em 1977. Fez sempre a carreira no Ministério Público. Não lhe é conhecida qualquer ligação partidária. Casada com Eduardo Paz Ferreira (este sim com ligações ao núcleo açoriano do Partido Socialista) e amiga íntima de Cândida Almeida, ex-diretora do Departamento Central de Investigação e Ação Penal.

Ministra da Administração Interna - Constança Urbano de Sousa

Fã de spinning para manter a boa forma, traz um currículo recheado de experiência nesta área. Políticas de migração, asilo, livre circulação no espaço Shengen, fronteiras, são as matérias que tem mais acompanhado e foi neste âmbito que aconselhou António Costa e Nuno Severiano Teixeira quando estes ocuparam o cargo que agora vai preencher. Esteve seis anos na representação portuguesa na União Europeia, onde era a responsável pela preparação das matérias que iam ser discutidos nos conselhos de Justiça e Administração Interna. Ou seja, num setor que em Portugal existem conhecidos conflitos entre polícias separadas nos ministérios da Justiça e da Administração Interna, pode ser muito útil o seu conhecimento em matéria de coordenação policial.

Ministro da Defesa - Azeredo Lopes

Chegou à liderança da Entidade Reguladora para a Comunicação - foi o primeiro presidente da ERC - por convite de Nuno Morais Sarmento. Durante as últimas eleições autárquicas foi porta-voz da candidatura de Rui Moreira à câmara do Porto. É especialidade em Direito Internacional Público. Escreve com regularidade no Jornal de Notícias e numa crónica, de dia 8, elaborou sobre o que muda com um governo de esquerda: "Se houver Governo de esquerda, perceber-se-á que PC e BE não têm corninhos e que a treta dos bolcheviques é chão que deu uvas. Essa é a verdadeira revolução: BE e PC poderem ser partidos de poder e isso não ser assustador (mesmo que não se goste "deles""".

Ministro do Planeamento e Infraestruturas - Pedro Marques

Outro regresso. Estava afastado da política ativa desde 2014, altura em que abandonou o lugar de deputado. Foi um dos homens que Sócrates manteve nos seus dois governos - e sempre como secretário de Estado da Segurança Social. Aos 23 anos foi assessor de Paulo Pedroso no ministério da Solidariedade e aos 29 chegou a secretário de Estado de Vieira da Silva. Depois continuou com Ferro Rodrigues.

Ministro da Economia - Manuel Caldeira Cabral

É professor na Universidade do Minho e defensor da desvalorização fiscal (redução da taxa social única das empresas).

Ministro da Trabalho, Solidariedade e Segurança Social - José António Vieira da Silva

Foi ministro da Segurança Social de José Sócrates e depois deputado do PS. Regressa à pasta das pensões numa altura em que o sistema volta a ser carimbado de "insustentável".

Ministro da Saúde - Adalberto Campos Fernandes

Ministro da Educação - Tiago Brandão Rodrigues

Tem 38 anos - o que faz dele o ministro mais novo do governo e um dos mais novos de sempre. É investigador, tendo trabalhado nos últimos cinco anos no Cancer Research UK, da Universidade de Cambridge, onde fez descobertas sobre novos métodos de avaliação precoce da eficácia dos tratamentos contra o cancro que lhe valeram alguma notoriedade e um artigo publicado na prestigiada revista científica Nature Medicine. Regressou a Portugal este ano, para concorrer como cabeça-de-lista do PS por Viana do Castelo, nas eleições legislativas. Antes de assumir o lugar de deputado na Assembleia da República. há cerca de um mês, nunca tinha desempenhado cargos políticos.

Ministro da Ciência Tecnologia e Ensino Superior - Manuel Heitor

Professor catedrático e coordenador de um centro de investigação no Instituto Superior Técnico, foi secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior nos dois governos de Sócrates, entre março de 2005 e junho de 2011. Era então titular da pasta Mariano Gago, falecido em abril deste ano. Durante esses seis anos de governação, Manuel Heitor esteve diretamente envolvido nas políticas que conduziram ao aumento progressivo do financiamento público e privado para as atividades de ciência e tecnologia no país.

Já este ano, Manuel Heitor organizou, em colaboração com outros líderes e representantes da comunidade científica, vários encontros públicos para criticar as políticas científicas dos últimos quatro anos, com cortes no financiamento público e uma avaliação do sistema com regras duvidosas que deixou a comunidade científica à beira de um ataque de nervos.

É de esperar que, sob a sua tutela, o setor científico volte a ganhar peso no próximo Orçamento de Estado.

Ministro do Ambiente - João Pedro Matos Fernandes

Não é estreante em funções governativas. Entre 1995 e 1997 foi adjunto do secretário de Estado dos Recursos Naturais, e depois, entre 1997 e 1999, foi chefe de gabinete do secretário de estado adjunto da ministra do ambiente, Elisa Ferreira, durante o primeiro governo de António Guterres. Foi ainda administrador dos portos de Leixões e de Viana do Castelo e presidente da Águas do Porto.

Ministro da Agricultura - Capoulas Santos

Foi ministro entre 98 e 2002, altura em que a Política Agrícola Comum quase ditou o fim da agricultura no país.

Ministra do Mar - Ana Paula Vitorino

Ex-secretária de Estado dos Transportes, vai liderar setor que pela primeira vez tem estatuto de ministério com o PS.

Ministro da Cultura - João Soares

Retoma um trabalho que construiu nos cinco anos em que foi vereador com este pelouro na Câmara de Lisboa. Formado em Direito, tem 66 anos e cinco filhos.

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