Empresa que opera SIRESP alerta para falhas desde 2014

Pedro Vítor é o presidente da operadora Siresp, SA

O relatório ontem divulgado seria do conhecimento do Ministério da Administração Interna há uma semana

Utilização desorganizada e excessiva dos rádios, grupos de conversação acima do estabelecido, má localização das unidades móveis são, em síntese, as principais falhas identificadas pela SIRESP, SA, a entidade operadora desta rede de comunicações de emergência.

Estas conclusões, que estão também referidas no relatório divulgado pela empresa (ver pág. 6) são, no entanto, as mesmas nas avaliações feitas em anteriores, pelo menos desde 2014, de acordo com documentos a que o DN teve acesso.

Em todos os relatórios esse capítulo é praticamente um "copy and paste", bem como as recomendações feitas à "entidade gestora" que é o Ministério da Administração Interna (MAI) através da sua secretaria-geral: "Em situações de emergência, com grande concentração de utilizadores, é indispensável reduzir o número de grupos de conversação; otimizar recursos, com atribuição de prioridades, definição de talk groups (grupos de conversação) críticos, etc.; evitar efetuar chamadas privadas em situações de emergência; assegurar a disciplina nas comunicações, destacando a utilização de chamadas curtas e objetivas e a utilização da rede apenas em casos justificados".

Em relação às estações móveis, a SIRESP também já tinha chamado a atenção do MAI para o facto de ambas estarem localizadas em Lisboa, uma na GNR, outra na PSP, sugerindo que estivesse antes uma no Norte e outra no Sul do país para poderem chegar mais rápido aos locais críticos. A unidade móvel da Polícia de Segurança Pública só foi ativada em Pedrógão no dia 18 às 09.30, quando as estações-base do SIRESP mais próximas só estavam a funcionar em modo local, ou seja, não permitiam comunicações para fora daquela zona.

Conforme o DN já noticiou, a demora na ativação destas unidades móveis foi também alvo de reparo no relatório sobre os incêndios do Sardoal, em agosto de 2016. A viatura, que estava estacionada na Unidade Especial de Polícia da PSP, demorou 12 horas a chegar ao local crítico, desde o momento que foi solicitado o seu apoio.

A operadora sugere que estas unidades móveis passem a ficar sob a sua gestão, incluindo a manutenção. Recorde-se que a unidade móvel da GNR esteve avariada desde a visita do Papa Francisco, a 13 e 14 de maio e a sua chegada atrasou-se.

O DN sabe que o relatório da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) bem como o da GNR registando a falha das comunicações na rede SIRESP - o que foi desmentido pela empresa - surpreenderam os responsáveis da operadora.

Isto porque a informação sobre o desempenho da rede, ontem divulgada no relatório da SIRESP, SA, tinha sido transmitida ao Ministério da Administração Interna há uma semana. A secretaria-geral do ministério liderado por Constança Urbano de Sousa é a entidade gestora desta rede e recebe toda a informação ao mesmo tempo que a operadora.

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