Edgar Silva: "Mas como é que alguém que foi assaltado vai dar um prémio aos ladrões?"

Antes de seguir para a Amadora, Edgar Silva teve uma popular arruada na Baixa de Lisboa

As senhas esgotaram para o jantar de apoio ao candidato do PCP, esta noite, no salão dos bombeiros da Amadora. Cerca de 400 pessoas estiveram presentes

Edgar Silva está intrigado com as sondagens, conhecidas esta quinta-feira. Por duas razões distintas. A primeira tem a ver com o facto de todas darem a vitória a Marcelo Rebelo de Sousa, à primeira volta. "Vejo nas sondagens a votação elevada no candidato apoiado por Passos Coelho, Paulo Portas e Cavaco Silva e pergunto-me: mas aqueles milhares de homens e mulheres roubados nos seus rendimentos e salários vão por o seu voto ao mesmo nível daqueles que foram responsáveis por esse roubo? É possível? Os reformados, pensionistas que foram roubados nos seus direitos, na sua dignidade e até esperança, vão por o seu voto no mesmo caldeirão de quem lhes usurpou tudo isso? Como é que alguém que foi assaltado nos últimos anos iria dar um prémio aos ladroes?", questionou na sua intervenção, no jantar comício desta quinta-feira, no salão dos Bombeiros Voluntários da Amadora.

E a segunda dúvida, pode explicar o que pensa sobre estas questões e os resultados das sondagens. É que elas são "um contraste com o que temos visto na rua, como se fosse um claro e um escuro, um a preto e branco e um a cores". Lembra os grandes comícios realizados no Porto e em Lisboa, os maiores de todas as candidaturas, a "multidão esta tarde na arruada de Lisboa, escandalosamente contrastante com as sondagens" e a "força pujante dos apoios na rua vistos nos últimos dias...". "Quem fala a verdade?" questiona, "as sondagens, ou a rua, a vida e os trabalhadores?".

Como nenhuma das sondagens a dar-lhe mais de 5%, Edgar Silva tem de acreditar na segunda hipótese. Sublinha que as sondagens "não falam do futuro, mas do ontem e do anteontem, do passado, não falam do futuro, interpretam o que já aconteceu". E "a vida," assinala, "o futuro, é o que estamos a construir agora, estamos a edificar o nosso resultado". Num discurso inspirado e interrompido várias vezes por aplausos, o candidato acredita que "está tudo em aberto, tudo por decidir".

Por momentos, fez uma viagem no tempo, aos dias da campanha, para contar o quanto "aprendeu por este país fora". "Um país feito de tantas historias, de verdadeiro heroísmo, um país que resiste e persiste em lutar pelo direito ao desenvolvimento". Mas, acrescentou, também viu "um país real que se revela incansável a defender os interesses nacionais e um país feito da força do trabalho, constituído por uma multidão que não verga a espinha, de gente que sabe que não nascemos para a escravatura e continuam a lutar nas suas empresas e fábricas pela dignidade e pelos seus direitos. E é esse país que resiste, que defende os valores de abril, que sabe que não nascemos para ser, "que deve agora ir votar".

O apelo à mobilização foi insistente, ao ponto de "ninguém" ficar "em casa de pantufas a ver a banda passar". Edgar Silva pediu a todos os presentes na sala para irem ao encontro de de todo "esse país de abril", nas fábricas, nos blocos de apartamentos, nos autocarros, nos cafés" e lhe digam que a sua candidatura é decisiva "para continuarem as lutas pela justiça social e pelo Portugal desenvolvido que começaram a 4 de outubro, para que a história não seja parada". "Esta é a única candidatura que garante um voto despudoradamente vermelho, um voto escarlate, da cor da luta, da cor dos que nunca traem os trabalhadores, nem nunca traem Portugal", garantiu. "Mobilizar, mobilizar, mobilizar", será a palavra de ordem até domingo.

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