Doentes de 59 centros de saúde vão ter acesso a dentistas

Qualquer doente pode ter acesso a estes cuidados desde que seja referenciado pelo médico de família

Alargamento do projeto-piloto de integração da medicina dentária no SNS foi anunciado ontem, Dia da Saúde Oral. Abre hoje o concurso para a contratação de 12 equipas

Restaurar, extrair e desvitalizar são alguns dos tratamentos dentários que vão ficar disponíveis para os doentes de 59 centros de saúde de norte a sul do país até ao final de 2018. No âmbito do alargamento do projeto-piloto de integração de médicos dentistas nos cuidados de saúde primários do Serviço Nacional de Saúde (SNS), o Ministério da Saúde espera até ao final deste ano cumprir 80% do objetivo. Na primeira fase, que começou em julho, foram realizadas 8844 consultas e tratados 6500 doentes, alguns dos quais nunca tinham sido observados por um dentista.

"Atendi muitas pessoas que nunca tinham ido a uma consulta de medicina dentária. Não iam por trauma, porque não davam valor ou por impossibilidade económica", conta ao DN Artur Miler, que desde setembro dá consultas de medicina dentária no Centro de Saúde de Montemor-o-Novo (ACES do Alentejo Central). O médico dentista faz parte de uma das 13 equipas contratadas no âmbito do projeto-piloto, que introduziu cuidados de saúde oral em unidades da Grande Lisboa e do Alentejo.

Para a fase de alargamento, o Ministério da Saúde diz que "será aberto concurso para 12 equipas de medicina dentária, que deverão assegurar novos gabinetes de saúde oral" e que vão abranger as populações de 25 ACES. Cada uma será constituída por um médico e um assistente. Além dessas equipas, serão também feitas "contratações pontuais para assistentes dentários, que deverão formar equipa com médicos dentistas que já exerciam a profissão no âmbito do SNS, ainda que de forma isolada".

Ressalvando que só no final do ano será possível fazer uma avaliação do projeto-piloto, o Ministério da Saúde adianta que "os resultados alcançados são todavia muito positivos". Ao DN, o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro, congratula-se com o facto de o SNS estar "finalmente a remediar a situação em Portugal, a dar um passo decisivo com a integração da saúde oral", que tem "um impacto enorme em várias doenças". "O conceito tende a sedimentar-se, a ter uma dimensão mais alargada", frisa. Embora existam seis mil consultórios e dez mil médicos dentistas no país, o bastonário lembra que "Portugal tem um problema de acessibilidade aos serviços privados de medicina dentária".

O projeto-piloto começou por ser dirigido a alguns grupos específicos, nomeadamente aos doentes crónicos, mas foi progressivamente alargado. Foram feitas 4862 referenciações pelos médicos de família para consulta, 9545 tratamentos básicos e 8321 tratamentos complementares. No âmbito do alargamento, todos os utentes dos centros de saúde vão ser abrangidos, desde que sejam referenciados pelos médicos de família. Os custos são os das taxas moderadoras.

Artur Miler revela que "a maior parte" dos utentes que atende têm dificuldades económicas. "Promovemos saúde oral, fazemos a diferença com tratamentos básicos e proporcionamos melhor saúde e melhor qualidade de vida", sublinha o especialista.

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