Centro de Pesquisa dos Açores resiste ao desinteresse de Trump pela Ciência

O minsitro Manuel Heitor e o comissário europeu da Investigação e Ciência, o português Carlos Moedas, vão estar juntos na reunião desta semana na ilha Terceira

Ministro Manuel Heitor diz que projeto de criar Centro Internacional de Investigação dos Açores consegue sobreviver sem o envolvimento direto do novo governo dos Estados Unidos.

O projeto de criação do Centro de Investigação Internacional dos Açores consegue sobreviver sem o envolvimento direto do governo dos EUA, disse ontem o ministro Manuel Heitor.

Questionado sobre a desvalorização pública do papel da Ciência pela Administração Trump e dos anunciados cortes orçamentais ao financiamento das múltiplas agências científicas dos EUA, o governante com a tutela da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, fundou a sua convicção na natureza do projeto - porque interliga os governos com os setores industrial e académico dos países participantes - e, ainda, por haver "interesses privados" dos Estados Unidos diretamente envolvidos.

Manuel Heitor falava num almoço informal com jornalistas em Lisboa, onde o chefe da diplomacia portuguesa, Augusto Santos Silva, reconheceu "a grande dificuldade" de dialogar com a Administração Trump - que amanhã cumpre três meses em funções - porque ainda não foi nomeado o ministro da Energia nem o assessor científico do próprio presidente dos EUA.

Considerando "particularmente demorada" a transição entre os governos de Barack Obama e Donald Trump, o ministro dos Negócios Estrangeiros adiantou que essa falta de diálogo ainda "não é visível" mas já se sente a nível ministerial e diplomático. Augusto Santos Silva identificou ainda os "três objetivos essenciais" do AIR Center para a política externa portuguesa: utilizar os recursos científicos e tecnológicos ao serviço da afirmação do país na cena internacional; potenciar a "posição geográfica privilegiada" de Portugal e dos Açores nas relações Norte-Sul; valorizar os setores científico e tecnológico como "áreas de cooperação estratégica" no plano bilateral com países terceiros.

O almoço, em que participou também o secretário regional açoriano do Mar, Ciência e Tecnologia, Gui Menezes, serviu para apresentar o programa da cimeira internacional "Atlantic Interactions" que reúne, amanhã e sexta-feira, cerca de 260 responsáveis políticos, académicos, de centros de investigação e empresas de três dezenas de países - e delegações da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu - ara preparar a criação do Centro de Investigação Internacional dos Açores (AIR Center, sigla em inglês).

Entre as representações de países como os EUA, China, Brasil, Angola, França, Alemanha, Luxemburgo, Espanha, Coreia do Sul ou Reino Unido estão ministros da Índia, África do Sul, Uruguai, Senegal, Nigéria, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe - além de representantes de várias agências espaciais.

O projeto do AIR Center foi lançado há cerca de nove meses junto dos EUA e, depois, na Europa e em África. Surpreso com o interesse global suscitado neste curto espaço de tempo, quando comparado com os cinco anos de negociações sobre o projeto - a que Portugal aderiu esta semana - para construir o maior radiotelescópio do mundo na África do Sul, Manuel Heitor relativizou a importância de criar uma base espacial nos Açores: "Mais importante [...] é integrar a rede científica" internacional "e atrair financiamento" público e privado.

O AIR Center "não é um projeto português mas internacional" que permite "reforçar o nosso posicionamento na área espacial", tendo de avançar "passo a passo" e assente no "interesse dos investidores" privados - sendo que 70% desse mercado está nos EUA, acrescentou o ministro da Ciência.

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