Cavaco ataca Sócrates e Mário Lino por causa da "teimosia" na Ota

No seu novo livro o antigo presidente da República relata encontros e documentos partilhados com José Sócrates em 2006 e 2007

O antigo Presidente da República Cavaco Silva considera que a sua intervenção foi decisiva para evitar "o erro político" do aeroporto na Ota, revelando que o então primeiro-ministro José Sócrates percebeu que "lhe criaria sérias dificuldades" caso não recuasse.

O novo aeroporto de Lisboa é um dos temas aos quais Cavaco Silva dedica um capítulo do livro "Quinta-feira e outros dias" - que é lançado hoje ao final da tarde.

Cavaco relata encontros e documentos partilhados com José Sócrates em 2006 e 2007 sobre a localização da nova estrutura aeroportuária de Lisboa, cuja localização na Ota "era um erro grave que devia ser evitado" e por isso "teria que persuadir" o então primeiro-ministro e convencê-lo a encontrar outras localizações.

O antigo Presidente da República não tem dúvidas ao afirmar que a sua "intervenção foi decisiva para evitar um erro político que teria custado muitos milhões de euros aos contribuintes e prejudicado o desenvolvimento do país".

O então primeiro-ministro José Sócrates "percebeu que eu não desistia e que lhe criaria sérias dificuldades se avançasse com a solução da Ota", sublinha.

"Sabia, por experiência própria dos meus tempos de Governo, que um Presidente que não estuda cuidadosamente as matérias e vive para o protagonismo mediático tem escassa influência sobre o processo político de decisão", remata.

Depois de analisar os "verdadeiros estudos" sobre a localização do novo aeroporto - que descobriu que tinham sido efetuados em 1972, 1982 e 1999 - colocou-se uma interrogação a Cavaco Silva: "porque é que o primeiro-ministro e o ministro da tutela teimavam em defender a Ota como a melhor localização?".

"Entendi que tamanha teimosia só se justificaria caso nenhum dele tivesse lido os estudos feitos no passado, em que a Ota emergia sempre como uma localização menos aconselhável", critica.

O antigo chefe de Estado transcreve uma "extensa carta" que enviou ao ex-primeiro-ministro a 29 de maio de 2007 - depois de diversas conversas sobre o tema nas reuniões semanais entre Belém e São Bento às quintas-feiras -, onde concluiu que dos estudos oficiais que o Governo lhe enviou "não resulta uma posição clara quanto à localização mais adequada" para o novo aeroporto.

Neste capítulo do livro, Cavaco Silva critica ainda a "inaceitável agressividade com que o ministro Mário Lino tratava, em público e em privado, os opositores da localização da Ota, apoucando pessoas com competência firmada na matéria", relatando duas ocasiões nas quais José Sócrates procurou desculpar o membro do seu Governo dizendo que era "uma joia de pessoa".

Mais à frente no livro, o antigo Presidente da República volta a fazer referência à "evidente falta de bom senso" de Mário Lino, apesar de reconhecer que ficava à frente em matéria de competência técnica em relação ao então titular da pasta da Agricultura, Jaime Silva.

Em relação a Jaime Silva, a quem dedica aliás um capítulo intitulado "a falta de bom senso de um ministro", Cavaco Silva condena as suas "declarações provocatórias" e atitudes no sentido de 'acicatar' dos ânimos, chegando mesmo a falar na sua "incompetência técnica".

O antigo ministro da Saúde é outro dos visados por Cavaco Silva, que o classifica como "um ministro que falava demais" e que era "politicamente inábil", embora nunca colocando em dúvida a sua "competência técnica".

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