Catarina Martins diz que Moscovici devia ter-se abstido de comentários

Porta-voz do Bloco de Esquerda diz que comissário europeu excedeu o seu papel

A porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, considerou hoje que o comissário europeu dos Assuntos Económicos devia ter-se abstido de fazer comentários de forma a não criar "instabilidade política em Portugal".

"Ainda não ouvi as declarações, mas há frases que a melhor maneira de não serem mal interpretadas é não serem ditas. Abstinha-se de comentários para criar instabilidade política em Portugal. Primeiro não é o seu papel, depois não é o seu poder", disse Catarina Martins aos jornalistas à margem de uma visita à escola Secundária de Casquilhos, no Barreiro.

O comissário europeu dos Assuntos Económicos Pierre Moscovici "clarificou" hoje as suas declarações da véspera relativamente a Portugal, apontando que nada mudou e há confiança na capacidade do Governo português em executar o orçamento de 2016 com respeito pelas metas.

"Acho sinceramente que não se deve criar um incidente em torno desta matéria. Se as minhas palavras foram interpretadas de forma ambígua, queria clarificar esta manhã: não, não há nenhuma mudança na nossa posição, [há] confiança na capacidade do Governo em integrar as opiniões da Comissão e as recomendações do Eurogrupo", declarou Pierre Moscovici, na conferência de imprensa no final de uma reunião dos ministros das Finanças da União Europeia (Ecofin).

Catarina Martins disse que o Bloco de Esquerda tem estado envolvido nas negociações do Orçamento do Estado do Governo PS, salientando que o seu partido já reconheceu "divergências" mas apesar disso o orçamento espelha o acordo que o bloco fez e na especialidade vai lutar para o melhorar.

"É bom não misturar o que não deve ser misturado. Este orçamento do Estado está na sua reta final, com a especialidade julgo que conseguimos a recuperação de rendimentos que está acordada, não há aqui nenhum plano b ou plano c, é sempre a recuperação de rendimentos", frisou Catarina Martins.

A deputada do Bloco lembrou que "temas complicados" que serão colocados em cima da mesa, avançando que o BE não desiste deles: "nomeadamente o controlo público do Novo Banco e a restruturação da divida publica, e aí, talvez a comissão europeia tenha mais dificuldades com as nossas opiniões, mas não desistiremos desse percurso porque julgamos essencial para defender a economia portuguesa ", afirmou.

Para Catarina Martins existe uma "maioria parlamentar que assenta num princípio reposição de rendimentos do trabalho, salários e pensões e proteção do estado social" salientando acreditar que "quem vive do seu salário, da sua pensão não vai pôr o dinheiro que vai recuperar numa 'off shore', pelo contrario vai usa-lo aqui no país e com isso acabar com o ciclo infernal de insolvências e destruição de postos de trabalho", acrescentou.

Catarina Martins não colocou de parte discussões com a Comissão Europeia, uma que tem a ver com o controlo sobre o sistema financeiro, e a pressão que a União Europeia está a fazer para a venda do Novo Banco e outra com a reestruturação da dívida pública dos países da periferia do euro.

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