Candidaturas reagem às projeções. "Já está", dizem apoiantes de Marcelo

O ministro da Cultura, João Soares, vê as projeções na sede de campanha de Maria de Belém, que já assumiu a derrota.

Na sede de candidatura de Nóvoa grita-se "RTP, RTP", na de Maria de Belém assume-se a derrota

Das sedes de candidatura, já chegam as primeiras reações às projeções das televisões, duas das quais dão vitória a Marcelo Rebelo de Sousa na primeira volta. A projeção da RTP deixa a porta entreaberta a uma segunda volta.

Os apoiantes de Marcelo fizeram contagem de decrescente e, às 20h00, com as previsões das televisões, fizeram a festa e gritaram: "Marcelo, Marcelo, Marcelo".

Só a sondagem da RTP dá segunda volta no limite inferior da margem de erro. "Já está", disse um dos apoiantes em festa. Esmeralda Dourado, da candidatura, disse esta noite que o povo português votou "com um elevado nível de participação cívica".

Esmeralda Dourado diz que "ainda é cedo para falar da escolha dos portugueses". A candidatura aguarda agora "com esperança os resultados que podem pôr um ponto final num processo que dura há mais de um ano".

Desilusão e aplausos na sede de Nóvoa

Houve aplausos, gritou-se "RTP, RTP" (por ser a única sondagem que abre a porta à segunda volta), mas depressa se instalou o desânimo e a desilusão na sede de candidatura de Sampaio da Nóvoa. Ninguém arreda pé, mas parece que Nóvoa não consegue forçar Marcelo a segunda volta.

Correia de Campos, o mandatário nacional da candidatura de Sampaio da Nóvoa, entrou pelas 20.12 para comentar as primeiras projeções avançadas pelas televisões. Começando por saudar "telespectadores", "cidadãos" e "amigas e amigos presentes", o mandatário logo recusou uma leitura final dos resultados. "Os primeiros resultados", disse Correia de Campos, apontam para o facto de "ainda" existir "uma grande incerteza sobre o resultado final".

O mandatário notou que "a fiabilidade" do método de sondagem à boca das urnas e "a proximidade" a que se encontra o candidato mais votado do limiar da maioria absoluta "não permitem tirar conclusões definitivas, como se passou em várias eleições anteriores".

"Vamos ter de esperar até haver resultados finais", sentenciou.

Candidatura de Maria de Belém culpa "populismo" e PS

Treze minutos depois das 20.00, a candidatura de Maria de Belém assumiu a derrota, através de uma declaração do porta-voz, José Vera Jardim. A candidata ficou "muito aquém" dos objetivos - ir à segunda volta e derrotar Marcelo - e isso deve-se, em parte, à "vaga de populismo demagógico" que os outros candidatos exploraram contra Maria de Belém nos últimos dias da campanha.

Além do mais, acrescentou Vera Jardim, "não se pode ignorar" que muitos "dirigentes do PS e membros do Governo" saíram em apoio de Nóvoa, e isso foi "interpretado como um apoio oficioso" do partido à candidatura do ex-reitor.

Este "apoio oficioso", disse ainda o porta-voz, foi "ao arrepio da posição" oficial assumida pela direção do PS perante as presidenciais - equidistância entre Belém e Nóvoa. "Uma coisa é certa"concluiu: Maria de Belém fez "uma campanha pela dignidade e com dignidade".

"Isto é um sonho?", espanta-se Vitorino Silva

O sexto lugar nas projeções mas a poucas décimas do quinto deram a Vitorino Silva boas perspetivas para a noite eleitoral que mão parava de repetir. "O que quero é ver os resultados, os votos contados".E os primeiros colocavam o candidato em quarto lugar, o que o levaram a exclamar: "Isto é um sonho ou está mesmo a acontecer?" Na sede da noite eleitoral, nas Amoreiras, o candidato que na sua freguesia Rans, em Penafiel, teve mais de 60% dos votos mostrar-se otimista: "Quero ver os resultados nas grandes cidades. O Marcelo Rebelo de Sousa vai descer e eu vou subir".

PCP: Silêncio na sala. "São ainda projeções"

Silêncio absoluto na sala onde os apoiantes do PCP se juntaram, como os olhos colados aos ecrãs com os três canais de televisão. "Não quero dizer nada. Não estou de serviço", responde ao DN a deputada Rita Rato, quando solicitada para comentar. Manuela Pinto Ângelo, do comité central salienta, a uma das televisões, que "são ainda projeções, ainda está muito em aberto", lembrando "todo o esforço de Edgar Silva na sua campanha em mobilizar para o voto e introduzir temas da máxima importância para os trabalhadores, que esperamos venham a ser adotados pelo próximo Presidente da República".

Além de Rita Rato, nenhum outro dirigente mais conhecido do partido apareceu na sala de apoiantes. Edgar Silva e Jerónimo de Sousa estão com alguns dirigentes no piso de cima.

Festa contida no quartel general de Marisa Matias

Com as projeções da RTP, SIC e TVI a apontarem a bloquista como terceira classificada nestas presidenciais - superando Maria de Belém e Edgar Silva -, ninguém esconde a satisfação, embora a noite possa ter um sabor agridoce. Dito de outra forma, a festa não é de arromba porque as previsões indicam que há grande probabilidade de Marcelo Rebelo de Sousa vencer à primeira volta, cenário que a bloquista quis evitar desde que se fez à estrada.

A candidatura de Marisa Matias já fez o primeiro comentário às projeções dos resultados destas presidenciais. José Gusmão, dirigente do BE, começou por notar que "ainda não se sabe se haverá ou não segunda volta", mas sublinhou o "grande resultado" da eurodeputada.

Um resultado que, prosseguiu Gusmão, "será de longe o melhor alguma vez obtido por uma candidatura" da área política do BE - superando Fernando Rosas em 2001 e Francisco Louçã em 2006 -, enfatizando o "contributo" que Marisa deu no combate à abstenção através da oposição à campanha "do vazio". E se as projeções apontam para que Marisa fique na terceira posição - atrás de Marcelo Rebelo de Sousa e António Sampaio da Nóvoa -, Gusmão frisou que "isso tem implicação na nossa democracia". E o membro da Mesa Nacional do BE não conteve o remoque. As projeções (e o resultado) demonstram quão "enganador e até perigoso é que se definam no início dos processos eleitorais quais são as candidaturas de primeira e de segunda".

Notícia em atualização

Miguel Marujo, Rui Pedro Antunes, Céu Neves, Valentina Marcelino, Octávio Lousada Oliveira e João Pedro Henriques

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