BE congratula-se com draft do OE: "Arranque esperado", que respeita acordos

Mariana Mortágua elogia entrega do documento ao Parlamento antes da apresentação em Bruxelas e diz que a participação dos bloquistas aconteceu quando os acordos foram assinados

Foi uma primeira reação cautelosa. O Bloco de Esquerda (BE) está satisfeito com o draft do Orçamento do Estado que foi conhecido esta sexta-feira mas prefere esperar para ver os contornos finais do documento que o Executivo de António Costa vai apresentar. Mariana Mortágua, deputada bloquista, sublinhou, contudo, que "este draft é o arranque esperado, que respeita os compromissos que foram feitos [entre socialistas, bloquistas, comunistas e ecologistas] e outra coisa não poderia ser esperada deste Governo".

No Porto, à margem de uma arruada da candidatura presidencial de Marisa Matias, a parlamentar do BE notou que o esboço que, entretanto, já chegou a Bruxelas "respeita os pontos essenciais do acordo que estabelecemos com o PS" e fundamenta: "As medidas pelas quais tanto lutámos - repor os salários, retirar a sobretaxa, descongelar as pensões, haver mais apoios no rendimento social de inserção, apoio aos idosos, reposição do abono de família - constam deste draft do Orçamento."

Seja como for, Mortágua diz em nome do partido que mais comentários têm de ser guardados para quando a versão final do OE 2016 seja conhecida, explicando que o partido liderado por Catarina Martins tem a ambição de afinar o documento em conjunto com o PS. "Tudo o resto gostaríamos de deixar para o momento em que a versão final será apresentada no Parlamento. Não desistimos de tentar sempre obter mais medidas, de conseguir mais vitórias que reponham mais rendimento às famílias. Pretendemos continuar a fazê-lo na discussão do Orçamento quando tiver lugar no Parlamento e, portanto, aguardamos pela versão final, queremos discutir este OE e queremos lutar para o melhorar", apontou.

Mortágua elogiou o Executivo de Costa por ter feito chegar o esboço à Assembleia da República antes de este ter sido remetido às instituições europeias mas deixou, desde logo, alguns recados. No seu entender, é chegada a hora de "bater o pé a Bruxelas" e sobre a eventual folga para que o cinto dos portugueses desaperte mesmo, afirmou que, apesar de remeter essa questão para o Executivo, "está na altura de haver um Governo que entre respeitar compromissos internacionais, que nada têm a ver com o seu povo, ou respeitar os compromissos eleitorais que fez, respeite acima de tudo os compromissos internos e eleitorais".

"Não permitiremos que em nome de uma qualquer subserviência a Bruxelas este Governo quebre os compromissos que fez quer com os eleitores quer com o BE, até porque acreditamos que são as medidas que permitem ao país sair da crise e ter o que merece, que é algum espaço para respirar", reforçou a vice-presidente da bancada bloquista, após um evento no qual também esteve presente a porta-voz nacional do partido, Catarina Martins.

Sobre o aumento do imposto de selo, do imposto sobre o tabaco e também sobre os produtos petrolíferos, Mariana Mortágua limitou-se a declarar que "nenhuma dessas medidas está quantificada", motivo pelo qual só dirá mais com os números à sua frente.

Já quando questionada sobre a participação do partido neste draft, foi taxativa: "A participação do BE aconteceu no momento em que o BE assinou acordos de incidência parlamentar com o PS que visavam o Orçamento. O resto foi feito pelo Governo."

Últimas notícias

Conteúdo Patrocinado

Mais popular