Agora que já há candidata, sai o líder do PSD Lisboa

Mauro Xavier bateu com a porta. Concelhia da capital passa todos os poderes em matéria autárquica para a distrital

A corrida autárquica do PSD em Lisboa não se livra de polémicas internas. Um mês depois do anúncio da candidatura de Teresa Leal Coelho a Lisboa, Mauro Xavier, presidente da concelhia lisboeta dos sociais-democratas, bateu com a porta com estrondo. Lamentando nunca ter conseguido falar com a candidata à câmara da capital, o líder concelhio sai de cena, afirmando que "a candidata e o líder do partido devem ter toda a liberdade para tomarem as decisões que entenderem, como entenderem e quando entenderem". Pelo caminho, a concelhia de Lisboa perde poderes para a distrital. Ontem, em reunião da comissão política concelhia, foi aprovada uma moção que transfere toda a gestão processual e a escolha dos candidatos autárquicos para a capital.

Ao DN, Mauro Xavier afirmou que apresenta a demissão para "criar as condições para que o partido esteja unido" em torno da candidatura autárquica a Lisboa, na medida em que sentia que "estava a ser um obstáculo" a esse caminho. Sai a dois meses do fim do mandato (que, dado o calendário eleitoral, seria prorrogado até depois das autárquicas) e com a garantia de que apoiará Leal Coelho como militante de base. À TSF, que avançou ontem a notícia, Mauro Xavier defendeu que independentemente do resultado das autárquicas de 1 de outubro o PSD deverá abrir depois uma discussão sobre a liderança. O dirigente local é, de há muito, um crítico da liderança de Passos Coelho.

No PSD Lisboa garante-se que todo este processo de divergência interna não terá consequências no apoio no terreno à candidata. Mas a verdade é que a saída de Mauro Xavier traz para cima da mesa as divergências internas entre os sociais-democratas da capital. Com a saída de Xavier, a liderança da estrutura concelhia fica agora com Rodrigo Gonçalves (que propôs que fosse o líder do partido, Passos Coelho, a avançar em Lisboa), um nome polémico que não tem maioria na comissão política concelhia. O que é, aliás, evidente, na aprovação da moção que transfere todo o processo autárquico para a distrital do partido. Além deste documento, a reunião de ontem dos sociais-democratas aprovou os nomes dos candidatos a 19 freguesias da capital (nos restantes casos, recandidatam-se os atuais presidentes de junta).

Do afastamento à rutura

Há muito que eram públicas as divergências de Mauro Xavier com a forma como decorreu o processo autárquico na capital. Primeiro foi uma questão de calendário - o líder concelhio defendia que o candidato fosse conhecido com um ano de antecedência. Depois de forma - a divulgação pública do nome de Leal Coelho, sem que a escolha tenha sido comunicada à concelhia, motivou um protesto público de Mauro Xavier. O silêncio de Leal Coelho também caiu mal na estrutura lisboeta. Na carta aberta que dirigiu aos militantes, Xavier faz questão de referir que "a candidata recusou expressamente e publicamente dialogar ou reunir com a estrutura do PSD em Lisboa", o que, como o DN noticiou, estava a causar mau estar na concelhia. Um desagrado que se adensou com as entrevistas dadas por Leal Coelho já como candidata, em que a vice-presidente se afastou, sem qualquer aviso prévio, do programa aprovado para Lisboa (elaborado por José Eduardo Martins a convite da concelhia).

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