Açores como uma plataforma de investigação internacional

A investigação oceânica é uma das vertentes que Portugal quer desenvolver com parceiros internacionais nos Açores

Trezentos participantes de três dezenas de países juntaram-se na ilha Terceira para delinear estratégias comuns no domínio dos sistemas espaciais e oceânicos e ciência de dados.

Os países e parceiros envolvidos no projeto de criação do Centro Internacional de Investigação dos Açores devem "alinhar as suas estratégias de pesquisa", propõe o projeto de conclusões da reunião que hoje termina na ilha Terceira.

O chamado Diálogo de Alto Nível entre Indústria, Ciência e Governos iniciou-se ontem com o objetivo de preparar a criação do AIR Center (sigla em inglês), sob o tema "Interações atlânticas". Neste encontro nos Açores juntaram-se quase 300 participantes de três dezenas de países (entre os quais vários ministros) que aprovam hoje o documento final das conclusões - confirmando o interesse estratégico e diplomático do projeto lançado há nove meses pelo ministro da Ciência, Manuel Heitor.

O acordo entre as partes - governos, empresas privadas, universidades, centros de investigação - sobre o projeto internacional, que contempla a criação de uma base espacial nos Açores (ilha de Santa Maria?), identifica cinco áreas em que devem convergir as respetivas estratégias de pesquisa: sistemas espaciais e suas aplicações; ciência atmosférica; mudanças climáticas e sistemas de energia; sistemas oceânicos; ciências de dados (transmissão de informação).

"Os Açores oferecem uma oportunidade única de desenvolvimento potencial" no setor dos lançamentos espaciais. Os fatores são vários: "baixo custo" das operações, envio "regular e frequente" de pequenos satélites para o espaço, lê-se no documento.

Contudo, o diretor-geral da Agência Espacial Europeia (ESA) desvalorizou ontem a ideia da construção de um porto espacial nos Açores para lançamento de microssatélites, assinalando que a ESA "não está nesse campo de atividade". Jan Worner, que falava aos jornalistas na Praia da Vitória, na ilha Terceira, à margem da cimeira, preferiu realçar que o arquipélago dos Açores já "faz parte da atividade espacial global" da ESA, destacando as estações, em Santa Maria, de monitorização do sinal e da posição dos satélites Galileo, em órbita da Terra, e de rastreio dos lançamentos de missões tripuladas e não tripuladas do centro espacial da ESA em Kourou, na Guiana Francesa.

Outro dos pontos do projeto de conclusões da cimeira considera que o AIR Center - projeto proposto apenas há nove meses - deverá apresentar-se como "uma nova plataforma de investigação interdisciplinar", potenciando as capacidades de pesquisa dos vários centros existentes a nível mundial e reforçando as sinergias entre as diferentes disciplinas em estudo (espaço, clima, energia, oceanos, dados).

Pretende-se "reforçar o potencial das infraestruturas de investigação existentes no Atlântico [Norte e Sul]", a fim de funcionarem como "um catalisador de pesquisa e inovação em múltiplos domínios", que vão "desde as energias renováveis às interações do oceano com a atmosfera e os fenómenos climáticos globais", entre outros.

Com Lusa

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