Zorrinho considera ridículo que Passos culpe Sócrates

O PS considerou hoje "ridícula" a tese do primeiro-ministro de responsabilizar o anterior Governo por Portugal ter um ajustamento financeiro de apenas três anos, alegando que o memorando já foi entretanto revisto várias vezes pelo atual executivo.

Carlos Zorrinho falava aos jornalistas no final da reunião do Grupo Parlamentar do PS, depois de confrontado com a declaração proferida quarta-feira por Pedro Passos Coelho, durante o debate quinzenal, segundo a qual foi o anterior Governo de José Sócrates que negociou com a 'troika' (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional) um ajustamento financeiro de três e não de quatro anos.

"Essa questão é absolutamente ridícula, porque o memorando inicial já foi alterado dezenas de alíneas. Este Governo já fez enormes alterações ao memorando da 'troika'. O memorando não é um documento estático, mas sim para ir evoluindo", sustentou o presidente do Grupo Parlamentar do PS.

Segundo Carlos Zorrinho, o memorando deveria agora evoluir no sentido de "promover o crescimento e o emprego, mas não é assim que tem evoluído".

"Passado todo este tempo, não há nenhuma razão para que o Governo (tal como os executivos de Espanha e Grécia) verifique que as circunstâncias são mais duras e, como tal, não adianta flagelar as empresas e as pessoas. Mais vale o país ter mais tempo para cumprir as metas a que nos comprometemos", disse.

Para Carlos Zorrinho, o Governo sustentar que não pode mudar agora o tempo de ajustamento para mais um ano - quando tem nesse objetivo o apoio do PS e quando nunca a 'troika' se opôs a isso - é verdadeiramente ridículo".

Em relação à ausência de acordo entre a maioria PSD/CDS e PS sobre uma posição comum para o Conselho Europeu, hoje e sexta-feira, o líder da bancada socialista disse que ficou patente quem quer de forma genuína o consenso.

"O PS votou favoravelmente as posições da maioria PSD/CDS com as quais concordava, mas a maioria, até perante propostas exatamente iguais às suas, optou pela abstenção. A conclusão é que as propostas da maioria PSD/CDS são sobretudo de teoria geral, para aplicação apenas daqui a algum tempo", apontou Carlos Zorrinho, embora registando alguma "evolução" por parte do bloco que apoia o Governo.

No entanto, o líder parlamentar do PS lamentou que tenham sido chumbadas as propostas que poderiam fazer efeito já a partir de segunda-feira, como o reforço do Banco Central Europeu ou a criação da agência europeia de gestão da dívida.

"Aquilo que provocaria uma redução dos juros e um aumento de liquidez da nossa economia, isso, infelizmente e incompreensivelmente, foi chumbado pela maioria. Com essa posição, a [chanceler germânica, Angela] Merkel sai mais reforçada e assim temos menores expetativas em relação ao Conselho Europeu", considerou.

Carlos Zorrinho adiantou ainda que o PS levará a debate na sexta-feira sete diplomas no sentido de aumentar o financiamento, melhorar o contexto económico e promover a capacidade de exportação das empresas portuguesas.

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