Vasco Lourenço aguarda resposta de Assunção Esteves

O presidente da Associação 25 de Abril afirmou hoje que aguarda resposta da presidente da Assembleia da República sobre a condição de usar a palavra na sessão solene do 25 de Abril, que impôs para os capitães participarem na cerimónia.

"A senhora presidente da Assembleia da República fez-me um convite telefonicamente, eu disse quais as condições em que nós iríamos, ela ficou de nos dizer alguma coisa, ainda não disse", afirmou Vasco Lourenço aos jornalistas, à margem da apresentação do livro de Manuel Alegre "País de Abril.

Questionado sobre as condições, o presidente da Associação 25 de Abril reiterou que se trata de os militares de Abril usarem da palavra na sessão solene no plenário da Assembleia da República.

"Ainda não chegou nenhuma resposta, o resto são boatos", disse Vasco Lourenço, referindo que teve com a presidente do Parlamento, Assunção Esteves, uma "longa conversa telefónica".

O jornal i avança hoje que PSD e CDS-PP se opõem à intervenção dos militares na sessão solene, na qual não participam há dois anos.

Confrontado com o regimento da Assembleia da República, Vasco Lourenço respondeu que "já houve não parlamentares que falaram no plenário da Assembleia da República, presidentes de países estrangeiros já falaram".

"Além disso, os regulamentos são feitos para se alterarem quando é necessário. Se é uma situação excecional, em que dizem que nós somos imprescindíveis naquela sessão solene, então haja uma decisão excecional", disse.

Questionado acerca da posição de PSD e CDS-PP, o presidente da associação 25 de Abril afirmou: "Têm liberdade para isso, foi o 25 de Abril que lhes deu liberdade para isso."

Vasco Lourenço lembrou que há dois anos que a associação 25 de Abril não está presente na sessão solene.

"Desta vez, precisamente por serem os 40 anos, nós considerámos que devíamos abrir uma exceção. Dada a situação catastrófica em que o país está, com o poder a agir como herdeiros dos que foram vencidos no 25 de Abril, apesar disso, estávamos dispostos a ir à sessão solene evocativa do 25 de Abril, se pudéssemos usar da palavra", afirmou.

Vasco Lourenço sublinhou que esta não é "uma atitude anti-Assembleia da República", frisando que os militares de Abril participarão em outras cerimónias do programa das comemorações, nomeadamente a homenagem a Marques Júnior, militar de Abril e deputado, falecido no ano passado.

A Lusa questionou hoje o gabinete da presidente da Assembleia da República sobre qual a posição de Assunção Esteves relativamente a uma eventual intervenção dos militares de Abril na sessão solene, se a matéria será discutida na próxima conferência de líderes (marcada para dia 23 de abril) e se está em cima da mesa que os capitães falem numa outra sessão que não a solene.

"Ainda não há qualquer indicação sobre este assunto", respondeu o gabinete de Assunção Esteves à Lusa.

Na resposta, o gabinete da presidente não prestou mais esclarecimentos, recordando apenas que há três eventos do programa de comemorações da Assembleia da República em que Vasco Lourenço e a Associação 25 de Abril, de que é presidente, confirmaram presença: a homenagem a Marques Júnior, a inauguração da exposição "O nascimento de uma democracia" e o lançamento da moeda comemorativa dos 40 anos do 25 de Abril.

Fontes do grupo de trabalho das comemorações dos 40 anos da revolução disseram à Lusa que a eventual intervenção de militares representantes do movimento dos capitães na sessão solene que se realiza no plenário da Assembleia nunca foi objeto de discussão por aquele grupo de trabalho, formado por deputados de todos os grupos parlamentares e cujas decisões são tomadas por consenso.

Contactados pela Lusa, PS e PCP reiteraram que se pronunciarão sobre a matéria quando for colocada na conferência de líderes.

O BE respondeu aguardar igualmente que o tema seja suscitado na conferência de líderes e, quanto à participação dos militares, afirmou esperar "que as suas intervenções possam ser enquadradas no âmbito das celebrações desse dia".

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