Soares considera "inaceitável" caso de Relvas

O ex-Presidente da República Mário Soares considerou hoje que o caso da licenciatura do ministro Miguel Relvas "é impensável" e "inaceitável para qualquer pessoa de bem" e um motivo de "grande descontentamento" da população portuguesa.

Em declarações aos jornalistas no final de uma palestra na Ordem dos Médicos, onde defendeu que o país quer um novo Governo (ver notícia relacionada), o fundador do PS afirmou que "há realmente um grande descontentamento e as pessoas estão a dizer isso".

"Há muita coisa, basta ver o que se está a passar a propósito do Relvas e do não Relvas para ver que o Governo não está bem a saber o que está a fazer e as pessoas têm esse sentimento", afirmou.

Soares defendeu que o desgaste do executivo PSD/CDS-PP "é uma evidência" e apesar de não se pronunciar sobre se Miguel Relvas tem condições ou não para continuar no Governo, considerou "que é difícil".

"Eu não sei classificar [este caso] porque para mim é uma coisa impensável, tirar um curso sem lá ir e ainda por cima depois vangloriar-se não é possível, para mim não é possível", declarou.

Para Mário Soares, a licenciatura atribuída pela Universidade Lusófona a Relvas "é uma coisa que é inaceitável para qualquer pessoa de bem".

O também antigo primeiro-ministro, que na palestra fez grandes elogios à classe médica pela adesão à greve da semana passada, voltou a considerar que esta "foi uma coisa fabulosa".

"Não é fácil mobilizar três mil médicos, mas mobilizaram-se, disseram o que tinham a dizer e fizeram-no não por interesse próprio mas para defender o Serviço Nacional de Saúde (SNS) ", afirmou.

O ex-líder do PS considerou depois que o que se está a passar com o SNS "é qualquer coisa de inadmissível": "O senhor tem um filho que está doente e se for ao hospital tem de pagar e se não tiver dinheiro não funciona, como é que é isso?".

Soares apontou o SNS como "um grande serviço que se fez ao país" e "uma das maiores conquistas depois do 25 de Abril".

Já questionado sobre o acórdão do Tribunal Constitucional que considerou inconstitucionais os cortes dos subsídios de férias e Natal, Mário Soares não quis pronunciar-se, embora se tenha confessado "um bocado surpreendido com tudo o que se está a passar e se vai passar a seguir".

"Não posso responder a todas as perguntas que querem fazer, porque nalgumas nem sei o que é que se passa", notou o socialista, que rejeitou ser "um sábio que está aqui a dizer que é assim ou assado".

"Eu sou um homem político, sei o que quero e para onde vou, sempre soube, mas não tenho nem posso saber de tudo", acrescentou.

Também interrogado sobre o desempenho do Presidente da República, Cavaco Silva, durante este primeiro ano de mandato do Governo PSD/CDS-PP, Soares rejeitou referir-se "criticamente às pessoas que estão a exercer um mandato" que também já assumiu.

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