Seguro exige ao primeiro-ministro "fim do tabu"

O secretário-geral do PS exigiu hoje ao primeiro-ministro que ponha fim ao "tabu" e esclareça os portugueses sobre quais são as condições exigidas a Madrid pela assistência financeira destinada à recapitalização da banca espanhola.

Interrogado se admite que o Governo português pode ainda desconhecer as condições exigidas pela União Europeia a Espanha pela concessão da verba destinada à recapitalização da sua banca, o secretário-geral do PS disse que ficaria muito surpreendido se o executivo de Pedro Passos Coelho ainda desconhecesse essas condições.

"Se o Governo português, presumo que através do ministro de Estado e das Finanças [Vítor Gaspar], participou [sábado] numa teleconferência para decidir qual será o montante da ajuda a Espanha, naturalmente também discutiu quais são as condições dessa ajuda. A questão é muito simples: Exige-se que o primeiro-ministro venha explicar quais são essas, já que se está aqui a criar um tabu em torno dessas condições que não favorece ninguém", advertiu o líder dos socialistas.

De acordo com o secretário-geral do PS, que falava aos jornalistas após ter estado reunido com o chefe de Estado cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, na questão da assistência financeira destinada à recapitalização da bancada de Espanha, "é necessário que haja transparência e esclarecimento".

"O que todos os portugueses perguntam é o seguinte: Qual é a contrapartida para este apoio de cem mil milhões de euros. Exijo ao primeiro-ministro que explique quais são essas contrapartidas", frisou.

António José Seguro considerou ainda estranho que já tenham sido feitos três testes de "stress" pelas autoridades europeias ao sistema bancário do Estados-membros, incluindo o espanhol, e que nenhum notou nada.

"O resultado desses testes foi no sentido de dizer que o sistema financeiro estava a funcionar bem, mas agora, de um momento para o outro, diz-se que são necessário cerca de cem mil milhões de euros [para recapitalizar a banca espanhola]. Então ninguém assume responsabilidades? Ninguém vem dizer o que falhou?", questionou Seguro, usando um tom de indignação.

Nas declarações que fez aos jornalistas, o secretário-geral do PS defendeu que na União Europeia "não podem existir países de primeira e outros de segunda".

"O apoio financeiro à Espanha foi decidido pela União Europeia e todos os portugueses colocam agora a questão de saber quais as condições desse apoio. De uma vez por todas, é preciso acabar com a suspeição de que há um tratamento diferente para Espanha face aos restantes países da União Europeia e, concretamente, face a Portugal", salientou o secretário-geral do PS.

António José Seguro disse depois que assiste a um primeiro-ministro português "de braços caídos, numa atitude passiva", quando o seu homólogo espanhol, Mariano Rajoy, "já conseguiu mais um ano para o seu processo de consolidação orçamental".

Nas respostas aos jornalistas, o secretário-geral do PS afastou em absoluto qualquer oposição do seu partido face à assistência financeira destinada à recapitalização da banca de Espanha.

"Somos solidários com todos os países da União Europeia. Não está aqui minimamente em causa o apoio financeiro, porque esse apoio a Espanha é muito importante. Esta em causa uma questão de não poder haver tratamento diferenciado entre Estados-membros", acrescentou.

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