PS preparado para governar, mas só depois de eleições

O líder parlamentar socialista afirmou hoje que as propostas e votações do PS seguem aquilo que faria se estivesse no poder e assegurou que o partido está pronto para formar Governo a qualquer momento, desde que seja a partir de eleições.

Carlos Zorrinho, que falava durante uma conferência do International Club of Portugal, em Lisboa, garantiu que o PS está preparado para governar a qualquer momento, "com uma única condição, depois de eleições".

O líder da bancada do PS no Parlamento fez esta declaração depois de ter afirmado, em resposta a uma pergunta da assistência, que o país "precisa de uma alternativa", sublinhando que nos últimos anos os governos caíram sistematicamente "por razões inesperadas".

Por este motivo, considerou que nenhum Governo tem tido tempo para se preparar como verdadeira alternativa, acrescentando que o último que conseguiu assumir-se dessa forma foi o primeiro Executivo de António Guterres.

Após estas declarações, Zorrinho precisou que não tem nenhuma "preferência" por o PS ficar quatro anos na oposição a preparar um Governo, sublinhando que o partido está preparado para tomar o poder, se assim for decidido pelos eleitores.

O líder parlamentar socialista garantiu ainda que o PS "não propõe nem faz nada" na oposição que não fizesse ou propusesse se fosse Governo. E deu como exemplo as votações contra propostas de aumentos do salário mínimo ou o voto favorável ao tratado orçamental europeu.

Zorrinho afirmou que "dói muito" a um "coração que bate à esquerda" votar assim iniciativas destas, mas que são posições que respeitam aquilo que os socialistas teriam de fazer se estivessem no poder.

O líder parlamentar do PS reforçou ainda que Portugal vive num mundo global e por isso foi "atirado para a bancarrota", de onde só poderá sair com políticas europeias novas que reforcem e mudem o papel do Banco Central Europeu. Foram as "regras inflexíveis" do BCE, que não existiam quando nasceu a moeda única, que provocaram esta crise, acentuou.

Na intervenção inicial que fez nesta conferência, Zorrinho destacou que, historicamente, Portugal sempre saiu das bancarrotas porque se "reposicionou estrategicamente" e não através de "processos de austeridade" e "empobrecimento".

Neste contexto, defendeu que Portugal se deve reposicionar como "net country", país "que estabelece pontes entre potências regionais", como Angola, Brasil ou China, por exemplo.

Portugal, argumentou, não tem possibilidade de se tornar numa potência regional, mas pode assim evitar "a triste sina de ser um protetorado". Para isso, deve desenvolver uma política de alianças "forte" e promover "o território como plataforma logística e política", defendeu.

Por outro lado, acrescentou, Portugal deve colocar "a criatividade ao serviço da inovação" e "colocar o seu homem na Lua", ou seja, colocar nos mercados internacionais produtos inovadores.

Neste contexto, criticou a opção de se baixarem salários para ganhar competitividade, porque os portugueses "não são replicadores" e não podem competir com outros países neste aspeto, insistindo na opção pela criação e inovação de que são exemplo, disse, o trabalho feito e reconhecido internacionalmente a nível das energias renováveis.

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