PS fecha programa e revê cenário macroeconómico. Défice desce menos, economia cresce mais

Costa apresentou esta quarta-feira o impacto das medidas do programa eleitoral do PS, acompanhado pelo coordenador do cenário macroeconómico, Mário Centeno.

O secretário-geral do PS assegurou hoje ter as contas feitas aos compromissos eleitorais assumidos e acusou a coligação PSD/CDS-PP de preconizar "novas aventuras", de um "radicalismo ideológico", sobretudo na Segurança Social.

Em conferência de imprensa, na sede nacional do partido, em Lisboa, António Costa apresentou "O Quanto, o Quando e o Como do Programa Eleitoral do PS", antes da intervenção do economista coordenador do cenário macroeconómico, Mário Centeno, sublinhando que o programa socialista "não é um saco de palavras", nem uma "soma de promessas", mas sim "compromissos para a próxima legislatura".

"A construção da confiança não é uma questão de fé", declarou o líder socialista, vincando que o trabalho do PS assenta no "rigor e ambição contra a decadência nacional", e lamentando ainda os quatro anos de "retrocesso" com a governação PSD/CDS-PP.

Para António Costa, a referida "alternativa de confiança não pode assentar em ilusões", mas antes numa "análise séria, realista, de qual é efetivamente a situação do país". A opção do PS não é dramatizar "aquilo que já é uma situação dramática", nem "iludir os problemas", acrescentou.

Os números do partido mudaram desde que o cenário macroeconómico do PS foi apresentado em abril. Segundo o Observador, os compromissos dos socialistas no programa eleitoral vão custar mais dinheiro e, por isso, o défice vai descer mais devagar do que aquilo que fora prometido: só em 2017 o país vai sair do défice excessivo - superior a 3% -, um ano mais tarde que o estipulado pela coligação, mas até ao final da legislatura, em 2019, o PS promete reduzi-lo para 1,4%.

As medidas adicionadas ao programa eleitoral justificaram também uma alteração no saldo das contas. Quando antes Mário Centeno previa um saldo negativo das medidas em 2016 (de 0,2%) e 2017 (de 0,3%), passando depois a impacto positivo face à evolução da economia, agora antevê custos superiores, escreve o Observador. Os mesmos 0,2% do PIB em 2016, mas 0,6% em 2017, outros 0,2% em 2018 e finalmente um saldo positivo de 0,3% em 2019. A redução da TSU para os trabalhadores, eliminar a sobretaxa do IRS e alterar as prestações sociais terão um impacto de mil milhões de euros no orçamento em 2017, por exemplo, de 0,6% do PIB.

Mário Centeno justificou a revisão do cenário macroeconómico, apresentado há quatro meses, com a inclusão e calendarização de todas as medidas previstas no programa eleitoral do PS, para que a sua execução "não pusesse em causa as metas que o país tem de atingir", refere o Observador. Sem colocar em causa a sustentabilidade das contas públicas, assinala. A base para as contas do partido foram as previsões mais recentes da União Europeia, que apontam para que só no próximo ano Portugal saia da situação de défice excessivo.

Mas a Comissão Europeia espera que a economia cresça 1,6% este ano e pare nos 1,7% entre 2017 e 2019. Usando estes números, o PS projeta um crescimento muito mais elevado: já em 2016 a economia cresceria 2,4%, 3,1% em 2017, 2,8% em 2018 e 2,4% em 2019. No que diz respeito à dívida pública, também diminui no cenário socialista: de 130,2% do PIB para 117,8% em 2019.

"A construção da confiança não é uma questão de fé", declarou o líder socialista, vincando que o trabalho do PS assenta no "rigor e ambição contra a decadência nacional" face aos quatro anos de "retrocesso" da governação PSD/CDS-PP e a referida "alternativa de confiança não pode assentar em ilusões", mas antes numa "análise séria, realista, de qual é efetivamente a situação do país".

O secretário-geral do PS e cabeça de lista por Lisboa nas eleições de 4 de outubro referiu que os portugueses vão ter uma "escolha entre a continuidade ou a construção de uma alternativa de confiança com o PS".

"O prémio Nobel da Economia Paul Krugman deu Portugal como exemplo de um país que se encontra em espiral de morte económica, tal o grau de destruição de emprego, o aumento do ciclo de emigratório, o nível de desemprego e de desmotivação no mercado de trabalho", disse, citando um artigo do especialista no Financial Times, para sublinhar que mesmo que o emprego "recuperasse aquilo que o Governo aponta como meta para o final deste ano, estaríamos com um nível de emprego idêntico ao de 1997".

Porém, para o secretário-geral do PS "este retrocesso, esta trajetória de decadência nacional não é fatalidade", mas antes "a realidade sobre a qual" há que "agir e construir as políticas certas para produzir os resultados necessários".

"O PS não se resigna com esta decadência, quer devolver confiança à sociedade, que passa por não iludir, mas também por construir uma alternativa assente em medidas testadas, avaliadas, em que nem prossigamos a trajetória de austeridade - como o novo corte pensões 600 milhões euros como propõe a coligação de direita -, nem nos lançarmos agora, por radicalismo ideológico, em novas aventuras, que não contribuiriam para resolver nenhum problema como os agravariam a prazo", continuou.

António Costa resumiu o programa eleitoral da coligação Portugal à Frente em "duas marcas: continuidade da austeridade e novas aventuras por radicalismo ideológico", sendo a "privatização da Segurança Social o exemplo mais claro".

O responsável socialista exemplificou ainda com uma simulação de plafonamento das contribuições, como defendem PSD e CDS-PP, na qual se verifica que, caso se abranja os trabalhadores que ganhem mais de 2.500 euros, tratar-se-á somente de 5% da população ativa, com um "rombo total da receita de 13%".

Se o exercício for feito para os salários de 2.000 euros, o universo será de 8% de contribuintes, com um impacto de menos 17% em termos de receitas.

Relacionadas

Últimas notícias

Conteúdo Patrocinado

Mais popular