PS e maioria trocam acusações sobre chegada da "troika"

O Partido Socialista (PS) e a maioria PSD/CDS-PP empurraram hoje de bancada para bancada a responsabilidade da entrada da "troika" em Portugal e o descontentamento popular expresso nas manifestações de rua.

Na Assembleia da República, o deputado do PS Alberto Martins reiterou a necessidade de aumento do Salário Mínimo Nacional (SMN) "por questões de dignidade social e estímulo da procura interna" e acusou ainda bloquistas e comunistas de terem contribuído para o "Governo mais antissocial desde o 25 de abril" por terem colaborado com a direita no chumbo do Plano de Estabilidade e Crescimento IV (PEC IV).

"BE e PCP votaram ao lado daqueles senhores, contra o PEC IV. É o pecado original da queda do Governo anterior para ver nascer o Governo mais antissocial desde o 25 de Abril. Assumimos as nossas responsabilidades e metas acordadas, mas as políticas postas em prática são um fracasso absoluto", afirmou o antigo ministro da Justiça socialista em resposta à deputada bloquista Cecília Honório, após a sua declaração política.

"Não quer esta austeridade má, mas defende uma austeridade boazinha?", interrogou a parlamentar do BE, enquanto Adão Silva, do PSD, congratulou-se por dialogar com um ex-ministro do Governo de José Sócrates, "que assinou este memorando", e tinha prometido aumentar o SMN para 500 euros em 2011.

O comunista António Filipe criticou os socialistas por estarem a "pôr nas mãos do patronato a decisão sobre o SMN, ao remeter para a concertação social", além das instâncias europeias, dizendo que "se para aumentar o SMN, estão à espera da Europa, estão os trabalhadores portugueses muito bem arranjados!".

Alberto Martins afirmou que o executivo socialista tinha negociado "com entidades europeias um PEC IV que PSD e CDS-PP, "juntamente com outros partidos de esquerda, votaram contra".

"Nós sempre dissemos que a disciplina e rigor orçamental são articuláveis com políticas de incentivo ao crescimento", frisou o deputado socialista, acusando o Governo liderado por Passos Coelho de se limitar a seguir "os cânones da ortodoxia da austeridade impostos pela [chanceler alemã] senhora Merkel".

João Almeida, do CDS-PP, contrapôs que "o descontentamento deve ser ouvido", mas também se dirige a quem foi responsável por levar o país à situação que vivemos".

"Não se lembra das manifestações contra o PEC IV? Grande parte das pessoas que hoje estão na rua esteve contra o PEC IV. Nas recentes manifestações, o principal alvo da contestação era a 'troika' e quem a trouxe para Portugal?", inquiriu, acusando ainda o governo socialista de ter rompido o acordo para o aumento do SMN "mais de três meses antes da chegada" dos representantes de Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional.

Alberto Martins fez notar que as manifestações "são uma expressão legítima natural e muito consistente com alguma dramaticidade do empobrecimento que estão a viver os portugueses".

"Nunca desvalorizei manifestações em toda a minha vida pessoal e política. Aliás, nasci politicamente nas ruas, em manifestações. Os portugueses estão preocupados porque os senhores falharam tudo aquilo que prometeram. Este passado de dois anos que é o nosso presente é desastroso na falta de esperança para os portugueses. A 'troika' entrou em Portugal pela vossa mão, com a ajuda da esquerda", reforçou.

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