Portugueses também podem ser violentos, avisa militar

O capitão de Abril Vasco Lourenço advertiu ontem em Almada que se o Governo não souber interpretar os sinais da sociedade portuguesa, os brandos costumes dos portugueses podem transformar-se em convulsões sociais e grande violência.

"Temos brandos costumes, mas só até determinada altura. Quando o caldo se entorna, os portugueses também se podem tornar violentos", disse Vasco Lourenço, que depois se referiu ao descontentamento dos militares, face às reduções salariais e à perda de regalias.

"O governo não pode estar a destruir o País e as Forças Armadas, não pode estar a menosprezar os militares e as Forças Armadas", disse Vasco Lourenço, acrescentando que os militares foram capazes de derrubar a ditadura e que "não aceitam ser tratados como ralé".

O dirigente da Associação de Oficiais das Forças Armadas falava num encontro com reformados e reservistas das Forças Armadas Portuguesas num encontro promovidos pelas associações de oficiais, sargentos e praças, que decorreu no Pavilhão dos Desportos do Feijó, em Almada.

Perante mais de 500 participantes, o presidente da Associação de Sargentos, Lima Coelho, teceu duras críticas ao governo e mão ministro da Defesa, pelas reduções salariais e também pela alegada degradação do sistema de saúde dos militares.

"Estão a humilhar os militares para reduzirem despesas", disse um dos participantes do encontro no período de debate em que se ouviram vários apelos para que as atuais chefias militares não permitam que se continue a descaracterizar e a desmantelar as Forças Armadas.

Depois de ouvir os reformados e reservistas, as três associações militares reuniram no mesmo local com militares no ativo, desta vez sem a presença da comunicação social, estando prevista a aprovação de uma resolução com as exigências dos militares.

A resolução garante que os militares não pretendem eximir-se dos sacrifícios pedidos a todos os portugueses, mas exige respeito pela condição militar e o fim de um conjunto de medidas que dizem estar a descaracterizar e a destruir as Forças Armadas Portuguesas.

Esta resolução deverá ser entregue na residência oficial do primeiro-ministro às 17.30 do próximo dia 20 de março.

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