Portas acusa BE de discurso de extrema-direita

Pedro Filipe Soares, do Bloco de Esquerda, questionou hoje o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros no parlamento sobre a posição de Portugal em relação a Angola, recebendo como resposta a acusação de ter um discurso de extrema-direita.

Na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, o deputado do Bloco de Esquerda considerou que a cooperação portuguesa em relação a Angola é ajuda a um país dominado por uma elite, que acaba depois por fazer "negócios" e compras em Portugal.

"Eu acho que nem a extrema-direita falaria assim", acusou, em resposta, Paulo Portas, que interrogou: "Eles andam a comprar o país? Não. Há uma espécie de preconceito por uma pessoa de Angola não poder fazer negócios em Portugal. Nós vivemos em sociedade privada. Os proprietários compram e vendem a quem quiserem", continuou o ministro dos Negócios Estrangeiros.

Paulo Portas sublinhou que "Portugal deve prezar as suas boas relações com Angola", concluindo que o país "não está à venda".

Além de terem sido abordadas questões sobre as "Primaveras Árabes", situação na Síria, Guiné-Bissau e a posição de Portugal em relação à adesão da Guiné Equatorial à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a comissão de Negócios Estrangeiros foi marcada sobretudo por questões sobre a Europa e a crise económica e financeira.

PS, BE e PCP levantaram preocupações sobre as medidas de austeridade impostas pela "troika" (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), as quais levaram mesmo o deputado comunista Bernardino Soares a evocar o Velho Testamento.

"Quando o teu irmão empobrecer e as suas forças decaírem, então sustentá-lo-ás, como estrangeiro e peregrino viverá contigo. Não tomarás dele juros, nem ganho; mas do teu deus terás temor, para que o teu irmão viva contigo. Não lhe darás o teu dinheiro, nem darás o teu alimento por interesse" (Levítico / versículo 25), leu Bernardino Soares.

O líder do grupo parlamentar do PCP pretendeu assim sublinhar a necessidade de renegociação da dívida portuguesa e de uma nova postura de Portugal face à "troika".

"Predicando, alcançasse", respondeu o democrata-cristão Paulo Portas ao comunista Bernardino Soares.

Apesar de os trabalhos da comissão dos Negócios Estrangeiros terem terminado, a presença de Paulo Portas na Assembleia da República prolonga-se agora na Comissão de Agricultura e Mar, numa audição no âmbito de um requerimento do PCP.

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