O papel da China na nova ordem mundial "é inexorável"

A importância da República Popular da China é "inexorável" e vai continuar a manifestar-se de forma efetiva na nova ordem mundial, defendeu hoje o vice-primeiro-ministro português Paulo Portas numa cerimónia em Lisboa na qual se assinalaram os 35 anos das relações diplomáticas entre os dois países.

Para Paulo Portas, os dirigentes políticos e diplomatas que, há mais de três décadas, tomaram a iniciativa de estabelecerem relações bilaterais foram "visionários", atendendo não só ao passado como, principalmente, face ao futuro e abriram caminho para que Portugal, independentemente de estar ancorado na Europa e com esta manter uma afinidade especial, tenha e deva ter "um papel de vanguarda" nas relações com novos protagonistas da ordem internacional.

As relações foram oficialmente estabelecidas a 8 de fevereiro de 1979.

O governante português sublinhou a importância das relações económicas entre os dois países e a dimensão da presença de investidores chineses em empresas nacionais, numa referência à presença de empresas como a China Three Gorges e a State Grid Corporation, respetivamente, na EDP e na REN.

Portas fez questão em recordar que Portugal é dos "poucos países europeus com quem a China estabeleceu uma parceria estratégica global" de cooperação. E notou que "sabemos reconhecer quem nos ajudou em momentos muito difíceis", num comentário ao facto de Pequim ter comprado Obrigações do Tesouro portuguesas num dos momentos mais difíceis da crise financeira no nosso país, facto recordado na intervenção do embaixador Huang Songfu, atual representante diplomática da República Popular da China em Portugal.

O embaixador chinês, que usou da palavra antes de Portas, recordou que as relações entre os dois países se têm desenvolvido e cimentado com "frequentes visitas recíprocas de alto nível" e que, além do plano económico, estas possuem cada vez mais também uma componente cultural e turística."Muitos chineses estudam hoje ou visitam Lisboa", disse Huang Songfu.

Quer Paulo Portas quer o diplomata chinês recordaram o processo de negociação da transferência da administração portuguesa de Macau para as autoridades de Pequim como um caso de sucesso na resolução pacífica de conflitos "legados pela História" - "um modelo de negociação política" a seguir para a ultrapassagem de diferendos internacionais, considerou o embaixador da China em Portugal.

Nas suas intervenções, ambos referiram que esta relação não é nova, tem reflexo na História, tendo os portugueses e chineses mantido um importante convívio civilizacional no passado.

Na cerimónia, realizada na embaixada da China em Lisboa, estiveram presentes várias figuras políticas, entre as quais o antigo presidente Ramalho Eanes (primeiro Chefe de Estado português a visitar a China, em 1985, e em cujo primeiro mandato se formalizaram as relações entre os dois países) e um muito discreto Jerónimo de Sousa, o secretário-geral do Partido Comunista que mantém hoje uma relação próxima com o partido homólogo chinês

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