Não confio neste projeto dirigista

Pedro Mexia, escritor, faz parte de um vasto painel de oradores e moderadores que a 13 e 14 de Setembro debaterá, numa conferência organizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, o tema: "Portugal europeu - E agora?".

Sabemos que "europeu" é uma palavra equívoca (perguntem aos turcos), uma vez que não diz apenas respeito a uma determinação geográfica ou a uma conjuntura política, mas a uma história comum, a um antiquíssimo património material e imaterial. Por isso, talvez a palavra "ocidental" se mostre mais inclusiva, uma vez que tanto o espaço europeu como o americano são herdeiros diretos ou indiretos dessa tradição cumulativa e conflituante, greco-romana, cristã, iluminista, modernista, tradição que se confunde com a nossa "identidade", embora não a esgote. Nesse sentido, sinto-me europeu todos os dias, sem ter sequer de "sentir" isso, de tão óbvio que é. Mas não aceito que se confunda o termo "europeu" com a "União Europeia" tal como a conhecemos. Defendo toda e qualquer iniciativa de cooperação europeia, mas não confio neste projeto dirigista que inventa uma "nação europeia" acima dos Estados-nação, tentativa cujas insuficiências e contradições têm estado à vista. Sinto-me, em suma, um europeu, mas não um "cidadão europeu".

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